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D. Manuel I (1495-1521), o venturoso, colheu inúmeros frutos dos esforços de seus antecessores. Seu reinado é marcado por estrondosos feitos e a elevação de Portugal à condição de maior potência européia. A viagem de Vasco da Gama, o Descobrimento do Brasil, a conclusão da Conquista do Marrocos, o domínio militar e comercial das Índias, são alguns dos maiores feitos realizados sob seu comando.
Entre junho de 1497 e setembro de 1499, o navegador português Vasco da Gama empreendeu a maior de todas as façanhas dos descobrimentos portugueses. Apoiado nas experiência e técnica acumuladas ao longo de séculos, atingiu Calecut partindo de Lisboa, navegando ao redor do continente africano. Sua missão era baseada em dois grandes objetivos: estabelecer um comércio de especiarias sem os atravessadores muçulmanos e italianos e encontrar os reinos cristãos que supostamente ficavam para os lados das Índias.
Índia, no vocabulário português do século XV, era a designação do vasto território que ia do Cabo da Boa Esperança até o Japão, incluindo os arquipélagos do Índico. Do início do século XVI até meados do século XVII a presença portuguesa ali será marcante e decisiva. O centro deste amplo raio de influência estava instalado na cidade de Goa. Ali ficavam centros de ensino que buscavam cristianizar toda a Ásia.
Sim, los hermanos ibéricos aportaram aqui antes dos portugueses. Cristóvão Colombo, Alonso de Ojeda, Vicente Yánês Pinzón e Diogo de Lepe: foram estes navegadores, respectivamente, a serviço da Espanha, em 1499, os primeiros a ter contato com as terras do continente sul-americano. Pinzón, em 26 de janeiro de 1500, desembarcou e tomou posse de terras que atualmente pertencem ao Brasil, em nome da Coroa Espanhola (ato absolutamente nulo, pelos termos do tratado de Tordesilhas). É quase certo que esse fato se passou na Ponta de Mucuripe, atual Estado do Ceará. Após esse primeiro contato, um pouco mais ao norte, entrou em conflito com os índios potiguares.
Segundo o historiador português Joaquim Barradas de Carvalho, Duarte Pacheco Pereira, navegador, cosmógrafo e guerreiro português, que Camões chamou de "o Aquiles lusitano", esteve na costa brasileira em 1498, sendo, portanto, precursor de Cabral.
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Esse famoso genovês buscou por duas vezes o apoio a seu projeto de navegar para o Oeste através do Atlântico junto a D. João II. Na segunda oportunidade, quando o monarca estava prestes a ajudá-lo, o retorno de Bartolomeu Dias frustrou seus planos. Depois de buscar apoio em Gênova e Inglaterra, foi a rainha Isabel de Castela quem lhe proporcionou os recursos necessários para rumar com três pequenas embarcações em sua expedição. No final de 1492 atingiu as Antilhas e, sem querer, descortinou para o mundo a existência de um novo continente. Tal acontecimento intensificou a corrida entre Portugal e Espanha e acabou desembocando na assinatura do famoso Tratado de Tordesilhas.
Durante a Idade Média e no início do Período Moderno, a Santa Sé exercia uma espécie de jurisdição sobre os países da Cristandade. Inúmeras vezes os reis recorriam ao Papa para que resolvesse conflitos de interesses entre dois ou mais reinos. No que se refere às grandes navegações , era atribuição da Santa Sé distribuir entre os monarcas católicos a missão cristianizadora (pacífica ou violenta) e reconhecer a soberania dos Estados sobre terras conquistadas ou por conquistar.
Em 1492 D. Fernando de Aragão, rei de Castela, movimentou-se habilidosamente e conseguiu que o aragonês Rodrigo Bórgia fosse eleito Papa. Sob o título de Alexandre VI, esse foi provavelmente o pior de todos os papas. Quando Colombo retornou de sua viagem e aportou em Lisboa, em 1493, D. João II logo procurou convencê-lo que as novas terras descobertas estavam sob a jurisdição de Portugal, de acordo com as bulas papais vigentes então. D. Fernando busca apoio de Alexandre VI que publica quatro novas bulas, retirando os privilégios adquiridos por Portugal ao longo de décadas de esforço na navegação pela costa africana.
Depois de algumas frustradas tentativas de renegociar a divisão das terras, descobertas e por descobrir, após as bulas de Alexandre VI, Dom João II resolveu preparar uma armada para resolver a questão por via militar. D. Fernando de Aragão, que também era rei da Sicília, não quis mergulhar a Península Ibérica em novo conflito e aceitou negociar. Em 07 de junho de 1494 é assinado um acordo extremamente vantajoso para Portugal na cidade castelhana de Tordesilhas. Utilizando todo seu conhecimento de novos mares e terras, os portugueses conseguiram manter sob seu controle parte significativa no Novo Mundo, o continente africano e as cobiçadas Índias.
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Após a morte do infante D. Henrique, os descobrimentos passarão por uma década de relativa inércia. Em 1469 Fernão Gomes fez um contrato de arrendamento com o rei e ficou responsável por explorar 100 léguas do litoral africano por ano, durante cinco anos. Percorreu nesse período uma distância correspondente ao que Portugal havia feito em três décadas. Alcançou o Cabo das Palmas, o Golfo do Benim, as ilhas de Fernando Pó, São Tomé e Príncipe e Ano Bom.
D. João II, o Príncipe Perfeito (1481-1495), enfrentou dois grandes desafios em seu reinado: recuperar o prestígio e o poder real, esfacelados durante o reinado de seu pai, e avançar nos descobrimentos que agora tinham o claro objetivo de contornar o continente africano e, se possível, alcançar as Índias.
A primeira etapa dos descobrimentos portugueses no reinado de Dom João II foi marcada pela figura do navegador Diogo Cão. Realizou duas grandes expedições entre 1482 e 1486. Percorreu um total de 2230 km em direção ao sul do litoral africano, atingindo o ponto máximo do Cabo da Cruz, na atual Namíbia. Descobriu a embocadura do Rio Zaire e navegou 160 km para o interior da África atingindo as quedas de Ielala.
Enquanto Bartolomeu Dias preparava sua expedição em 1487, D. João II armou uma outra viagem para que dois espiões portugueses - Pero de Covilhã e Afonso Paiva - viajassem por terra até às Índias e recolhessem informações sobre o comércio das especiárias, sobre a navegação no Oceano Índico e sobre o lendário reino do Preste João. Ambos percorrem juntos o seguinte itinerário: Lisboa - Barcelona - Rodes - Alexandria - Cairo - Áden. A partir desse ponto se separam, indo Afonso Paiva para a Etiópia e Pero de Covilhã para Calicute. Este prossegue ainda por Goa - Ormúz - Sofala e volta ao Cairo, partindo em seguida para a Etiópia onde encontra o Preste João.
Em agosto de 1487 partiu de Portugal a expedição comandada por Bartolomeu Dias. De posse de novos padrões de pedra para marcar a presença portuguesa no litoral africano, sua missão era dobrar a ponta sul do daquele continente. Após sérias dificuldades e uma grande curva que o afastou 1600 km da costa, ultrapassou aquele cabo que os antigos chamavam de Promontório Prassus. Juntando as informações de Pero de Covilhã com as de Bartolomeu Dias, D. João II estava com tudo pronto para chegar às Índias.
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A primeira etapa dos descobrimentos portugueses se deu em 1418-19 com a redescoberta do Arquipélago da Madeira, numa expedição liderada por João Gonçalves Zarco e Tristão Teixeira. São sete ilhas que ficam quase mil quilômetros a sudoeste de Portugal. Ali D. Henrique estabeleceu uma base de apoio para os navios portugueses que partiriam para o desconhecido rumo ao litoral sul-africano. A colonização começou em 1425. Trigo, madeira, cana-de-açúcar e criação de gado foram as principais atividades. Ali se deu início ao modelo das capitanias hereditárias.
Muito duvidosa é a questão sobre quem teriam sido os primeiros descobridores do Arquipélago dos Açores. Os antigos? Possível, mas improvável. Genoveses? Improvável. Os portugueses na expedição de Dom Afonso IV às Canárias, entre 1340 e 1345? Muitos apostam nisso. 1427, Diogo Silves, piloto de D. João I? É quase certo. Mas o que pode-se dizer com certeza é que Gonçalo Velho, em 1431, a serviço do Infante D. Henrique, chegou aos Açores. No ano seguinte começa a colonização.; Extração de madeira, criação de carneiros e produção de trigo são as principais atividades econômicas desenvolvidas sob o regime das capitanias hereditárias.
Correção: Nos primeiros minutos, por um lapso, afirmei que o Arquipélago dos Açores fica a Leste de Portugal. Obviamente, é a oeste.
O Arquipélago das Canárias foi ocupado muito tempo antes do período dos descobrimentos. No reinado de D. Afonso IV é feita uma grande expedição ás Canárias, o que dá início a uma disputa entre portugueses e catelhanos pelo pioneirismo da descoberta e pelo direito à colonização. No tempo de D. João I a disputa reacende e é submetida ao Papa. No fim do reinado de D. Afonso V a solução encontrada no acordo de Alcáçovas consistiu em Portugal abrir mão das Canárias e Castela de territórios que viessem a ser descobertos ao sul daquele arquipélago.
Além do desejo de vencer o infiel e propagar a fé cristã, as atividades comerciais foram o grande impulso das navegações portuguesas. Ouro, escravos, marfim, pimenta se destacam como os principais anseios dos portugueses até 1460. Na segunda metade do século XV firma-se a ideia de dobrar o continente africano e partir para o Oriente.
Após transpor a real finisterra, o famoso Cabo Não, D. Henrique voltou-se para o verdadeiro obstáculo intransponível: o Cabo Bojador. Depois de 15 expedições fracassadas, em 1434, Gil Eanes conseguiu a façanha navegando para o mar desconhecido e contornando uma zona de baixios e recifes perigosos que circundam o Bojador.
1435: Gil Eanes e Afonso Baldaia descem mais 50 léguas abaixo do Bojador;
1436: Baldaia alcança um braço de mar que erroneamente julgou ser o Rio Senegal;
1441: Antão Gonçalves e Nuno Tristão regressam com dois nativos após alcançar o Cabo Branco;
1444: Gil Eanes adquire 200 nativos e os leva cativos para Lagos;
1445: Dinis Dias dobra o Cabo Verde. O comércio anual dos portugueses em África atinge a marca de 25 caravelas anuais;
1457: Cadamosto, veneziano a serviço de D. Henrique, explora as ilhas de Cabo Verde e sobe os rios Senegal e Gâmbia;
1460: morre D. Henrique.
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Dom Duarte, o eloquente (1433-1438), foi um monarca extremamente culto e deixou a obra "O leal conselheiro". Outorgou a Lei Mental que restringia a herança dos bens reais a apenas os filhos mais velhos legítimos. A tentativa de tomar Tanger, em 1437, acaba num desastre completo, o infante D. Fernando fica 10 anos como prisioneiro na África e acaba morrendo no cativeiro. Após sua morte, por seu filho e sucessor ainda ter apenas seis anos de idade, a regência passa para seu irmão, o infante D. Pedro.
Com a morte de Dom Duarte I, em 1438, D. Leonor de Aragão, rainha-viúva, deveria reger o reino, pois o herdeiro do trono, D. Afonso, tinha seis anos de idade. Era isso o que previa o testamento do rei. Porém o povo contrariando a nobreza impôs a regência do Infante D. Pedro, irmão de D. Duarte I. Após alguma tentativa de resistência D. Leonor acabou fugindo e de 1441 até 1448 D. Pedro governou. Além de algumas interferências no governo de Castela, e de grande avanço nas conquistas marítimas em África, foram compiladas as Ordenações Afonsinas.
D. Afonso V (1449-1481) é conhecido como "o africano" por conta da conquista de Alcácer-Ceguer, Arzila e Tânger. Por ocasião da conquista desta última, pode trasladar os restos mortais do Infante D. Fernando para Portugal. Monarca inseguro, desde cedo foi manipulado por nobres que o cercavam. Seu reinado começou marcado pelo trágico confronto com o tio D. Pedro em Alfarrobeira, onde este veio a falecer. Apesar dos sucessos no norte da África, teve vários revezes em Castela e foi derrotado na Batalha de Toro. A paz entre os vizinhos foi acordada em Alcáçovas e Toledo.
O Infante D. Henrique (1394-1460), o navegador, foi o maior responsável pelo grande impulso que marcou a navegação portuguesa no século XV. Religioso, ascético, sonhador e determinado, construiu um verdadeiro centro de pesquisas e realizações náuticas na Ponta de Sagres, no Algarve. Até sua morte conseguiu progredir bastante e cumprir boa parte do que havia planejado quase 50 anos antes.
Após retornar de Ceuta, D. Henrique começa a reunir documentos, livros e mapas para desvendar os mistérios da navegação no mar tenebroso. Inúmeros pilotos, navegadores, matemáticos, astrônomos, geógrafos, marinheiros, carpinteiros, capitães e artesãos se dirigem para o Algarve e ali se forma um grande centro informal de estudos náuticos que convencionou-se chamar de Escola de Sagres.
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Após a morte de D Fernando I, 1383, cabia à sua filha Beatriz o trono de Portugal. Porém, casada pouco tempo antes com o rei de Castela, Beatriz teria por regente Dona Leonor Teles. O Filho de Beatriz, ao completar 14 anos, deveria ser o novo rei de Portugal. Parte da nobreza portuguesa planejou um golpe para derrubar Leonor. Dom João, Mestre de Avis (ordem militar criada para combater os mouros na cidade de Évora, no século XII), irmão de D. Fernando I, participa de tudo, assassina o Conde de Andeiros, e é aclamado Regente e Defensor Mor do Reino de Portugal. Leonor, revoltada, foge de Lisboa e incita D. João I, rei de Castela, a invadir Portugal.
Após ser aclamado regente e defensor do Reino de Portugal, D. João, o Mestre de Avis, enfrentou um cerco sobre Lisboa imposto pelo Rei de Castela, D, João I, marido de Dona Beatriz, herdeira da Coroa Portuguesa. Um surto de peste negra dá conta dos castelhanos que ainda são batidos por Nuno Álvares Pereira, no Alentejo, no Combate dos Atoleiros (1384). Em março de 1385 são convocadas as Cortes de Lisboa. João das Regras se destaca e é o principal responsável por preparar o caminho para a aclamação do Mestre de Avis como D. João I, o primeiro rei da Dinastia de Avis.
Quatro meses após a aclamação de D. João como Rei de Portugal, seu xará , Rei de Castela, invade novamente Portugal. Dessa vez ele parte para o tudo ou nada, avança com seus 40 mil soldados e envia uma esquadra para Lisboa. Nuno Álvares Pereira, o condestável, vai de encontro às forças castelhanas e as enfrenta habilidosamente em Aljubarrota, pequena Vila em Leiria. Com uma performance perfeita os 7 mil homens do exército português vencem 30 mil de Castela.
As relações entre Portugal e Inglaterra remontam à primeira década de vida do Reino de Portugal, quando ingleses auxiliaram na reconquista de Lisboa e Santarém. D. Dinis incrementou as relações comerciais entre os dois reinos e D. Fernando I firmou uma aliança com os ingleses em 1373. Na Batalha de Aljubarrota tal aliança foi invocada e 300 arqueiros ingleses ajudaram os portugueses. No ano seguinte à batalha, 1386, é firmado o Tratado de Windsor, a mais antiga aliança do Ocidente, até hoje em vigor. Recíproca ajuda militar, paz perpétua e o casamento de D. João I com Filipa de Lancaste,r foram os principais pontos do acordo.
Após firmar a paz com Castela em 1411, Portugal pode pensar em horizontes novos e planejou conquistar a cidade de Ceuta, no norte da África. Centenas de embarcações e 20 mil soldados cumpriram tal missão em 1415. Ter algum controle sobre o Estreito de Gibraltar, combater com mais eficácia os corsários muçulmanos, prosseguir na luta contra o infiel e ter uma oportunidade para armar cavaleiros os filhos de D. João I, foram algumas das motivações dessa empreitada. De um ativo centro comercial com mais de 24 mil lojas, onde se comercializava de ouro até especiarias, Ceuta passou a ser uma cidade com lutas constantes após a conquista portuguesa. Um sorvedouro de recursos que pouca ou nenhuma compensação trazia a curto prazo. Só no fim do século XVI o sonho português de conquistar militarmente o norte da África vai terminar.
O herdeiro do trono de D. João I, o príncipe D. Duarte, junto com D. Henrique e D. Pedro constituem o que se consagrou chamar de os "príncipes perfeitos". São, também, como os denominou Camões, parte da "Ínclita Geração". Realmente, os filhos de D. João I e Filipa de Lencastre, além de homens letrados, cultos e piedosos, tiveram participação impressionante nos destinos gloriosos de Portugal a partir do século XV. De Duarte e Pedro veremos mais tarde muita coisa, hoje conheceremos um pouco mais sobre o infante D. Pedro.
A trágica história do Infante português que foi martirizado em África.
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Dom Dinis, o pai da pátria ou o lavrador, governou Portugal entre 1279 e 1325. Seu reinado foi muito próspero tanto do ponto de vista econômico quanto do cultural. A partir de uma iniciativa de bispos junto ao Papa Nicolau IV, D. Dinis autorizou a criação de um Estudo Geral que algum tempo depois se tornará a Universidade de Coimbra. Incentivou o comércio marítimo, plantou o Pinhal de Leiria e distribuiu títulos de nobreza para os que se dedicavam à agricultura. No fim da vida lutou contra seu filho, o Infante D. Afonso, numa guerra civil entre 1320 e 1324.
Dona Isabel de Aragão foi esposa do rei D. Dinis, o Pai da Pátria. Inúmeros milagres são atribuídos à sua intercessão. Caridosa, bondosa e corajosa, pôs fim à contenda entre D. Dinis e seu filho, o Infante D. Afonso, que poderia ter se tornado uma grave guerra civil. Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada,pelo Papa Urbano VIII em 1625.
Dom Afonso IV, o bravo, reinou entre 1325 e 1357. De espírito guerreiro, se destacou em inúmeras batalhas. Após uma guerra contra Castela (1336-1338), por intermédio do Papa Bento XII, fica estabelecido um pacto de auxílio mútuo, em 1339. Este será invocado por Castela no ano seguinte, 1340, quando Abul Hassan, rei do Marrocos, se une ao rei de Granada, grande reduto sarraceno na Espanha, para tentar reconquistar a península. D. Afonso IV e o exército português são decisivos na vitória dos cristãos nesta batalha que entrou para a história com o nome de Batalha do Salado. Esta foi a última ameaça grave de conquista muçulmana na região. Em 1348, com a chegada da Peste Negra, Portugal enfrenta sérias dificuldades econômicas. Em 1352 são promovidas as primeiras expedições para as Canárias.
Inês de Castro, descendente bastarda de D. Sancho IV de Castela, e de família nobre galega, protagonizou um episódio que deixou profundas marcas emocionais na História de Portugal. Tinha um caso amoroso com o Infante Pedro, filho de D. Afonso IV, e acabou sendo assassinada a mando deste. Por conta disso filho e pai acabaram se enfrentando num conflito. Quando assume o trono, o agora Dom Pedro I se vinga dos conselheiros do pai que cooperaram com a morte da amada. Anuncia que havia se casado secretamente com Inês, o que fazia dela uma rainha póstuma. Em Alcobaça, mandou levantar um belo túmulo onde ambos estão enterrados.
D. Pedro I, o justiceiro (1357-1367), governou com mão de ferro e verdadeira obsessão pela ordem e por justiça. Vingou-se cruelmente daqueles que auxiliaram seu pai a assassinar Inês de Castro. Transferiu o corpo da amada de Coimbra para Alcobaça e anunciou que havia se casado com ela secretamente. Reuniu as Cortes em 1361 e atendeu vários dos pedidos de seus súditos, inclusive com a punição de funcionários reais que abusavam de seu poder. Punia exemplarmente os criminosos, independente de sua posição social e, por isso, alcançou grande popularidade.
Dom Fernando I, o formoso (1367-1383), foi o último rei da Dinastia de Borgonha. Os primeiros anos de seu reinado foram marcados por três guerras desastrosas com Castela. Incentivou a produção naval e o comércio marítimo. Firmou uma aliança com a Inglaterra em 1373 e, dois anos depois, promulgou a Lei das Sesmarias, que foi determinante para o incremento da produção de cereais em Portugal. O fato que desembocará na crise que põe fim à dinastia foi seu casamento secreto com Leonor Teles, em 1371. Morre em 1383 e o processo de sucessão do trono durará dois anos e terminará com o início da Dinastia de Avis.
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Após a vitória na Batalha de São Mamede (1128), D. Afonso Henriques passou alguns anos em escaramuças com o Reino de Leão e Castela. Em 1135 seu primo, D. Afonso, filho de D. Urraca e Raimundo de Borgonha, é coroado Imperador de Espanha. A Batalha de Cerneja e a Paz de Tui (1135) marcam o fim dos conflitos entre os dois primos. Dom Afonso Henriques marcha para o sul e após uma vitória sobre os mouros na Batalha de Ourique (1139) é aclamado Rei de Portugal. Com o Tratado de Zamora (1143) e o reconhecimento da Santa Sé (1179), está concluída a independência de Portugal.
O Reinado de D. Afonso I, o conquistador, vai de 1139 até 1185. A marca principal de seu reinado são as guerras de reconquista contra os maometanos. Aproveitando-se do espírito das Cruzadas, conseguiu apoio de cristãos de outros lugares para ajudá-lo no seu intento. Santarém, Lisboa, Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal, Évora, Beja, Serpa e Juromenha foram as cidades e os territórios que conquistou.
Dom Sancho I, o povoador, dedicou-se menos às lutas contra os mouros do que ao desígnio de povoar o território bastante expandido pelo pai, Dom Afonso Henriques, o conquistador. Durante seu reinado (1185-1211) ocorreu a conquista de Silves, em 1189. Através das Cartas de Foral criou inúmeros Conselhos, o mais famoso foi o de Guarda. Edificou castelos e fundou muitas povoações. Foi feito cavaleiro em 1170, após o acidente do pai em Badajós. O corpo dos dois primeiros reis portugueses estão enterrados em Coimbra, no Mosteiro de Santa Cruz.
Dom Afonso II, o gordo (1211-1222), buscou consolidar a autoridade real através do primeiro conjunto de leis do Reino de Portugal. Reconquistou Alcácer do Sal (que os mouros haviam tomado de Portugal após D. Afonso I ter anexado), em 1217. Dois dissídios marcam seu reinado: um com as infantas, suas irmãs, por causa de Alenquer e Montemor-o-Velho, que desembocará numa guerra civil; outro com o Clero, que resultará na sua excomunhão. Morre em 1222 e não recebe uma sepultura cristã.
Dom Sancho II, o capelo ou o piedoso (1223-1248), teve um reinado turbulento e marcado por anarquia e violência. Quando herda o trono está apenas com 13 anos e enfrenta pesada oposição que se estenderá por todo o seu governo. Em 1245 o Papa Inocêncio IV, através da Bula 'Grandi non immerito' faz do irmão do rei, o infante Dom Afonso, regente do Reino. Dom Sancho II resiste e há nova guerra civil entre 1245 e 1247. Ele morre em 1248 e o infante se torna Dom Afonso III, 5º rei da Dinastia de Borgonha. No reinado de Sancho II a reconquista prosseguiu, atingindo o Elvas e Serpa, no Alentejo, e a região da bacia do rio Guadiana, principalmente através da atuação da Ordem de São Tiago.
Dom Afonso III (1248-1279), o bolonhês, foi o monarca que completou o processo de Reconquista e integralizou o território do Reino de Portugal. Antes de se tornar rei foi Conde de Bolonha, casado com Matilde II, Condessa de Bolonha. Após ser coroado casa-se com Beatriz de Castela, num arranjo para solucionar um conflito com Afonso X, por causa do Algarve. Foi em seu reinado que as Cortes passaram a contar com representantes das vilas e cidades: Guimarães, em 1250 e Leiria, em 1254.
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A partir de 411 vários povos germânicos se derramam sobre a Europa. Pressionados pelos hunos alguns vão transpor os Pirineus e adentrar a Península Ibérica: suevos e vândalos, oriundos da Escandinávia; alanos e visigodos, do Cáucaso. Suevos e visigodos estabelecem dois reinos concorrentes, os primeiros na Galícia e parte da Lusitânia, os segundos em quase todo o restante da Hispânia. Lutando permanentemente um contra o outro, em 585 os visigodos derrotam os suevos. Só em 711 haverá novas mudanças com a chegada dos mouros.
A expansão islâmica atinge a Península Ibérica em 711. A partir daí serão quase oito séculos de lutas até a expulsão definitiva dos mouros pelos cristãos. Tudo começa nas Astúrias.
Isolados no norte da península e liderados por Pelágio, os cristãos visigodos iniciam o processo de Reconquista imediatamente após a invasão Moura. Ainda no século VIII conquistam a Galiza e, aproveitando-se de uma guerra civil muçulmana, entre berberes, de um lado, e árabes e sírios, de outro, avançam para o sul criando uma zona de domínio cristão no norte. A linha fronteiriça vai de Coimbra, segue pelo Rio Mondego, Taravela, Toledo, Tudelo e Pamplona. Não é possível falar em Cruzadas, ainda.
Em 868, Vimara Peres, nobre galego (da Galiza), reconquista Portucale e é fundado o Condado Portucalense. Dez anos depois é fundado o Condado de Coimbra. Mumadona, condessa descendente de Vimara, constrói, em Guimarães, um convento e o famoso Castelo de São Mamede.
Em 1128 ocorre a Batalha de São Mamede, conflito decisivo para que Portugal se torne um reino independente. Ocorre que no século XI D. Afonso VI, rei de Leão, uniu sob a sua Coroa os reinos de Leão, Castela e Galiza. Para enfrentar a ameaça dos almorávidas, novo grupo de mouros que invadiu a península e unificou as forças islâmicas, ele recorre à ajuda de nobres da Borgonha. Entre estes vieram Henrique e Raimundo. Este casou-se com D. Urraca, filha legítima e herdeira de D. Afonso VI, aquele com D. Teresa, filha bastarda do monarca. Depois de suas respectivas vitórias, Raimundo recebeu a Galiza e Henrique o Condado Portucalense. Após a morte de D. Afonso VI e D. Henrique, D. Teresa, não querendo ser vassala da irmã, se proclama Rainha de Portugal (ato sem reconhecimento nenhum, portanto nulo). O filho de Teresa e Henrique, Afonso Henriques, cresce e enciumado das relações da mãe com o nobre Fernando Peres de Trava e com medo de não herdar o Condado administrado pelo pai, entra num conflito contra a mãe e o padrasto. Vitorioso o jovem prende a mãe e ela lhe lança uma maldição, que acaba se concretizando ao fim de sua vida.
O apóstolo Paulo teria viajado à Península Ibérica? Seria ele o pioneiro no anúncio do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hispânia?
São Tiago e/ou os sete varões apostólicos (discípulos de São Tiago enviados por São Pedro e São Paulo) podem ter sido os primeiros divulgadores da fé cristã na Península Ibérica.
Personagens do cristianismo dos primeiros séculos na Península Ibérica: São Pedro de Rates, Santa Eulália, São Veríssimo, Santa Máxima, Santa Júlia, São Martinho, São Frutuoso, Ósio de Córdova, Potâmio de Lisboa, Orósio de Braga.
Há uma tradição muito antiga que dá conta de que o apóstolo São Tomé teria vindo à América anunciar o Evangelho aos nativos. Será? Manuel da Nóbrega, numa de suas cartas, e Sebastião da Rocha Pitta, na sua “História da América Portuguesa” relatam o fato com bastante convicção.
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