Eu honro meus ancestrais, mulheres e homens. Neste momento, firmo meus pés no chão. O cheiro de copal queimado se junta à salvia, defumando e incensando meu corpo este espaço. O tlintar das sementes vão espalhando a fumaça, formando um abstrato espiritual. Meu coração pulsa, o toque do tambor faz com que eu me arrepie inteira. Eu chamo meus ancestrais. Chamo pelo carinho da minha mãe e do meu pai, peço a presença dos meus avós, bisavós. Peço a força das curandeiras, sinto minhas mãos formigando pelo presente de sua Medicina. Chamo pelos erveiros, e as benzedeiras e benzedeiros. Sinto meus braços fortes, a magia das parteiras me arrebata. Eu aceito as bênçãos dos meus ancestrais. Sinto meus pés firmando raízes se entreleçando com outras, com muitas, com todas. Mulheres e homens de raízes. Esses são meus ancestrais. Meu corpo vibra, meu ventre sangra, meu coração se enche. Eu libero meus ancestrais com suas falhas, seus erros e sua submissão. Eu lhes envio amor incondicional desde a fonte criadora, com o mais puro tom de carinho e gratidão. Eu sinto meu corpo ser sustentado pela história de cada uma dessas mulheres e desses homens, suas conquistas, verdades e mistérios. Posso sentir meu ventre pulsar ao som de seus segredos, me entrego às suas ondulações, agradeço pela vida. Eu sou filha, neta e bisneta desses ancestrais e da Terra. Eu recebo a força dos meus ancestrais e agora posso seguir em frente.