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"O império da burrice", de Domingos de Oliveira.


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Em todo grupo, comunidade, ou agrupamento, patota a maioria é burra. (exceção feita aos espectadores deste texto, todos inteligentes).
Urgente afirmar que não vai aqui nenhum julgamento moral. Os inteligentes não são melhores que os burros. Nem merecem mais. Os BURROS também são merecedores de paixão. Todo homem é esplêndido, BURROS ou inteligente, todo ele contêm o universo. Umas das primeiras obrigações da inteligência é, exatamente, reconhecer este fato simples. Excusado igualmente observar que a inteligência nada tem a ver com a cultura ou o nível de informação de cada um. Pelo contrário, entre homens cultos de modo geral é encontrado um índice de burrice estonteante. Em contrapartida verifica-se que a ignorância e a pobreza tem constituído campo fértil para o aparecimento das grandes almas. A propósito, alma é sinônimo de inteligência.
Difícil conceituar a inteligência, porém fácil reconhecer-lhe atributos a primeira delas é, sem dúvida, a humildade. Humildade é sinônimo de inteligência. O homem sábio sabe que não sabe. Ao passo que o BURRO é arrogante. Considera-se possuidor de algum saber e, conseqüentemente, superior aos outros BURROS que sabem menos. Atenção: o BURRO compete, julga, condena e, muitas vezes, mata. No entanto com a inteligência acontece justo o contrato. A despeito de si mesmo, ela ama. Mozart disse que para ser um gênio não basta talento. Nem inteligência. É preciso também um grande amor. A propósito, amor é também, sinônimo de inteligência. Quem é inteligente sabe que é. Já o BURRO desconhece sua burrice. Isto seria um drama, se não fosse uma tragédia. Posto que o BURRO, no fundo do seu ignorado esplendor, sente que lhe falta algo, algo que o inteligente possui. Neste momento advém, soberana, a inveja. A inveja dos burros. Como se não bastasse ser diferente, o BURRO passa a odiar o inteligente. No entanto com a inteligência acontece justo o contrário. Ela sempre se reconhece! O homem inteligente não inveja e sim compraz-se, exulta quando vê brilhar uma inteligência igual ou maior que a dele. Os inteligentes, além de terem entre si grande amor e admiração, plageiam-se constantemente, sem o menor pudor. Não tentam ser originais. Sabem que são... Um só. Um só acidente da natureza. Ou terá sido seu recurso de emergência? Do qual a natureza lançou mão para cuidar da sobrevivência da espécie, antes que os burros a destruam?
Concluindo: a imprensa é burra, a tv é burra, o esporte é BURRO, a política é burra. Quase tudo que é considerado importante na sociedade atual não apenas é desimportante - como também é BURRO. Trata-se do império da burrice, como outrora foi o império romano.
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