
Sign up to save your podcasts
Or


As células do sangue menstrual têm muitas qualidades interessantes para serem escolhidas para experimentos. Excelente sobrevida, proliferam bastante e ainda são de fácil obtenção. Diferente de outras células mesenquimais, que, em sua maioria, exigem procedimentos complexos e invasivos, como punções e cirurgias. Ou ainda momentos específicos, como um parto. O sangue menstrual pode ser coletado nos dias de maior fluxo durante a menstruação. Um material extremamente abundante e interessante. Incrível, né? Só que o que a pesquisa da Daniela Manica, com Karina Asensi e Regina Goldenberg encontrou é que essas células basicamente não são utilizadas.
Mesmo existindo pessoas trans ou intersexo que menstruam, e mulheres que não menstruam, o sangue menstrual é marcado como feminino, o que é entendido como uma barreira para a escolha dessas células. Por um lado, as células e os modelos chamados de masculinos alcançam o patamar de modelo universal. Eles podem representar todos os nossos corpos e são preferidos na prática científica. E fluidos e partes corporais sem marcação de gênero, como fezes, urina e sangue, são rotineiros no laboratório. Por outro lado, apesar disso, uma célula entendida como “feminina” vem sendo descartada como um modelo possível. E o engajamento do sangue menstrual nas pesquisas causa estranhamento, nojo até.
O que torna o sangue menstrual tão diferente de sangue, fezes, urina, células e órgãos? O que faz com que não seja bem-vindo na sala de cultura? Dando voltas nessa viagem pela célula, a gente retorna para a pergunta que nos fez embarcar nessa aventura. O sexo da célula faz diferença? E, no caso, o sexo do fluido corporal está presente nele? Como? A gente tá buscando essas respostas nessa viagem pela célula. Nesse momento, estamos agarradas em uma proteína, sendo carregadas por uma vesícula pelo Citosol. Essa vesícula fez uma curva e está se voltando para o interior da célula. E estamos quase colidindo contra uma pequena estrutura arredondada, bem menor que o Núcleo. Então, se segura!
Vem comigo enfrentar as ciladas dos Lisossomos?
Mais Informações
Transcrição completa do episódio
Currículo Julia Helena Barros
Currículo Daniela Tonelli Manica
Currículo Regina Coeli dos Santos Goldenberg
Currículo Karina Dutra Asensi
Materiais Extras
MANICA, Daniela Tonelli. Estranhas entranhas: de antropologias, e úteros. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 10, n. 1, p. 22–41, 2018.
MANICA, Daniela Tonelli. PEREIRA, Brunno Souza Toledo. Células-tronco adultas, potências condicionadas e biotecnologias de transformação. In: Rohden, Fabíola. Pusseti, Chiara. Roca, Alejandra (org.). Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. Brasília, DF: Aba Publicações, 2021.
MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022.
MANICA, Daniela Tonelli; GOLDENBERG, Regina Coeli Dos Santos; ASENSI, Karina Dutra. CeSaM, as Células do Sangue Menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 20, n. 1, 2018.
MARIATH, Fernanda; MANICA, Daniela. Stem cells, menstrual blood and feminist perspectives. EASST-4S 2024 Amsterdam: Making and Doing Transformations. 2024.
MARTIN, Emily. A mulher no corpo: uma análise cultural da reprodução. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.
PRENDERGAST, Brian J.; ONISHI, Kenneth G.; ZUCKER, Irving. Female mice liberated for inclusion in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 40, p. 1–5, 2014.
CRITCHLEY, Hilary O.D.; BABAYEV, Elnur; BULUN, Serdar E.; et al. Menstruation: science and society. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 223, n. 5, p. 624–664, 2020.
DELOUGHERY, Emma; COLWILL, Alyssa C; EDELMAN, Alison; et al. Red blood cell capacity of modern menstrual products: considerations for assessing heavy menstrual bleeding. BMJ Sexual & Reproductive Health, v. 50, n. 1, p. 21–26, 2024.
GRABEK, Anaëlle; DOLFI, Bastien; KLEIN, Bryan; et al. The Adult Adrenal Cortex Undergoes Rapid Tissue Renewal in a Sex-Specific Manner. Cell Stem Cell, v. 25, n. 2, p. 290-296.e2, 2019.
FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000.
ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde).
SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001.
NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015.
Expediente de Produção
Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica
By MundaréuAs células do sangue menstrual têm muitas qualidades interessantes para serem escolhidas para experimentos. Excelente sobrevida, proliferam bastante e ainda são de fácil obtenção. Diferente de outras células mesenquimais, que, em sua maioria, exigem procedimentos complexos e invasivos, como punções e cirurgias. Ou ainda momentos específicos, como um parto. O sangue menstrual pode ser coletado nos dias de maior fluxo durante a menstruação. Um material extremamente abundante e interessante. Incrível, né? Só que o que a pesquisa da Daniela Manica, com Karina Asensi e Regina Goldenberg encontrou é que essas células basicamente não são utilizadas.
Mesmo existindo pessoas trans ou intersexo que menstruam, e mulheres que não menstruam, o sangue menstrual é marcado como feminino, o que é entendido como uma barreira para a escolha dessas células. Por um lado, as células e os modelos chamados de masculinos alcançam o patamar de modelo universal. Eles podem representar todos os nossos corpos e são preferidos na prática científica. E fluidos e partes corporais sem marcação de gênero, como fezes, urina e sangue, são rotineiros no laboratório. Por outro lado, apesar disso, uma célula entendida como “feminina” vem sendo descartada como um modelo possível. E o engajamento do sangue menstrual nas pesquisas causa estranhamento, nojo até.
O que torna o sangue menstrual tão diferente de sangue, fezes, urina, células e órgãos? O que faz com que não seja bem-vindo na sala de cultura? Dando voltas nessa viagem pela célula, a gente retorna para a pergunta que nos fez embarcar nessa aventura. O sexo da célula faz diferença? E, no caso, o sexo do fluido corporal está presente nele? Como? A gente tá buscando essas respostas nessa viagem pela célula. Nesse momento, estamos agarradas em uma proteína, sendo carregadas por uma vesícula pelo Citosol. Essa vesícula fez uma curva e está se voltando para o interior da célula. E estamos quase colidindo contra uma pequena estrutura arredondada, bem menor que o Núcleo. Então, se segura!
Vem comigo enfrentar as ciladas dos Lisossomos?
Mais Informações
Transcrição completa do episódio
Currículo Julia Helena Barros
Currículo Daniela Tonelli Manica
Currículo Regina Coeli dos Santos Goldenberg
Currículo Karina Dutra Asensi
Materiais Extras
MANICA, Daniela Tonelli. Estranhas entranhas: de antropologias, e úteros. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 10, n. 1, p. 22–41, 2018.
MANICA, Daniela Tonelli. PEREIRA, Brunno Souza Toledo. Células-tronco adultas, potências condicionadas e biotecnologias de transformação. In: Rohden, Fabíola. Pusseti, Chiara. Roca, Alejandra (org.). Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. Brasília, DF: Aba Publicações, 2021.
MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022.
MANICA, Daniela Tonelli; GOLDENBERG, Regina Coeli Dos Santos; ASENSI, Karina Dutra. CeSaM, as Células do Sangue Menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 20, n. 1, 2018.
MARIATH, Fernanda; MANICA, Daniela. Stem cells, menstrual blood and feminist perspectives. EASST-4S 2024 Amsterdam: Making and Doing Transformations. 2024.
MARTIN, Emily. A mulher no corpo: uma análise cultural da reprodução. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.
PRENDERGAST, Brian J.; ONISHI, Kenneth G.; ZUCKER, Irving. Female mice liberated for inclusion in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 40, p. 1–5, 2014.
CRITCHLEY, Hilary O.D.; BABAYEV, Elnur; BULUN, Serdar E.; et al. Menstruation: science and society. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 223, n. 5, p. 624–664, 2020.
DELOUGHERY, Emma; COLWILL, Alyssa C; EDELMAN, Alison; et al. Red blood cell capacity of modern menstrual products: considerations for assessing heavy menstrual bleeding. BMJ Sexual & Reproductive Health, v. 50, n. 1, p. 21–26, 2024.
GRABEK, Anaëlle; DOLFI, Bastien; KLEIN, Bryan; et al. The Adult Adrenal Cortex Undergoes Rapid Tissue Renewal in a Sex-Specific Manner. Cell Stem Cell, v. 25, n. 2, p. 290-296.e2, 2019.
FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000.
ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde).
SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001.
NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015.
Expediente de Produção
Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

226 Listeners