Em Polo Norte, a companhia de teatro mala voadora parte da ideia de que o Paraíso, esse lugar mítico, ainda respira sob camadas de gelo, à espera de ser encontrado. A peça interroga-se: será o aquecimento global o fenómeno que, paradoxalmente, nos devolverá acesso a esse Éden distante? Ou será apenas mais um sintoma da nossa urgência? Enquanto imaginamos as utopias humanas, ouvimos sons vindos das terras geladas, fragmentos acústicos captados por hidrofones sob as águas, o canto das focas que vocalizam sob o gelo, o estalar e o ranger das calotes polares que se partem e recombinam.