Há músicos que reconhecemos porque inventam um lugar próprio. Sei Miguel pertence a essa espécie. Ao longo de décadas, construiu uma linguagem profundamente autoral, feita de uma atenção muito particular ao som e ao silêncio. A propósito de Fotocópia Original, a exposição que a Culturgest dedica ao seu trabalho, e de Everywhere Infinity, Everywhere Mystery, o ciclo de concertos que a acompanha, fomos visitar Fala Mariam, companheira de uma vida e de palcos de Sei Miguel. Fala Mariam contou-nos que, pouco antes dos seus últimos dias, Sei Miguel trabalhava numa nova peça. A vontade indomável de continuar a criar, experimentar, construir de Sei Miguel fez com que ensaiassem fora e dentro do hospital esta última peça, que agora temos o privilégio de ouvir. Os Deuses no Verão nasceu nesse intervalo entre dois lugares e é um score conjunto, com dois momentos, de “cortina”(no início de cada 5 minutos) que Sei Miguel considerou ser “como um véu”.