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Especialista explica como a inteligência artificial reproduz o preconceito nos ambientes virtuais
Racismo algorítmico é uma espécie de transposição do racismo estrutural da sociedade para ambientes digitais. A discriminação acontece principalmente por meio de
“Sistemas algorítmicos, às vezes chamados de inteligência artificial, são sistemas que tomam algum tipo de decisão a partir de alguns objetivos definidos: ranquear um
Autor do livro “Racismo Algorítmico: Inteligência artificial e Discriminação nas Redes Digitais”, o pesquisador reflete nesse podcast sobre o que acontece quando as máquinas e programas apresentam resultados discriminatórios. No áudio, Silva comenta que é falsa a ideia de que tecnologias digitais seriam neutras.
“Quando a gente pensa a internet, que foi muito festejada como a infovia do conhecimento, de fato revolucionou como a gente circula conhecimento, mas ao mesmo tempo aumentou a insegurança sobre o que é verdade e o que não é verdade. E a desinformação passou cada vez mais a ser estratégica para alguns grupos que preferem que a desinformação circule para diferentes fins: ganhos políticos, financeiros etc.”, argumenta.
Um exemplo de racismo algorítmico é quando uma pessoa negra é representada de forma negativa no resultado da busca de imagens na internet ou a partir de ferramentas de inteligência artificial. A doutora em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Data Privacy Brasil Johanna
“Ela deu as instruções para o aplicativo: ‘Ah, eu quero que você faça a imagem de uma mulher negra com cabelo black na favela’. Ela descreveu a imagem que queria, e
Os pesquisadores trazem também outros exemplos com consequências que podem ser ainda mais prejudiciais. “Como um aplicativo de transporte, que estabelece
Monagreda comenta ainda o caso do torcedor do time de futebol Confiança, que, em 13 de abril de 2024, foi detido por agentes da polícia militar por erro de reconhecimento facial. A situação aconteceu na final do Campeonato Sergipano. “Ele foi identificado pela câmera de reconhecimento facial como uma pessoa em conflito com a lei, e ele teve que passar por uma abordagem policial, saiu do estádio algemado. Mas, além disso, ele teve um constrangimento público muito grande, porque foi num estádio, na frente de todo mundo”, argumenta a pesquisadora.
Após o episódio, foi suspenso o uso de reconhecimento facial no estádio durante os jogos do time sergipano. Silva acredita que situações assim fazem uma parcela das pessoas perceber a necessidade de ter um olhar mais crítico sobre o que é acessado online.
“Isso é importante, é positivo, em alguma medida. E se a gente conseguir transformar a educação para que cada vez mais, enquanto cidadãos, possamos desenvolver essas habilidades – pesquisar a veracidade de informações e interagir online –, podemos ter um futuro mais produtivo, justo e seguro para todos, conclui o pesquisador.
By Instituto ClaroEspecialista explica como a inteligência artificial reproduz o preconceito nos ambientes virtuais
Racismo algorítmico é uma espécie de transposição do racismo estrutural da sociedade para ambientes digitais. A discriminação acontece principalmente por meio de
“Sistemas algorítmicos, às vezes chamados de inteligência artificial, são sistemas que tomam algum tipo de decisão a partir de alguns objetivos definidos: ranquear um
Autor do livro “Racismo Algorítmico: Inteligência artificial e Discriminação nas Redes Digitais”, o pesquisador reflete nesse podcast sobre o que acontece quando as máquinas e programas apresentam resultados discriminatórios. No áudio, Silva comenta que é falsa a ideia de que tecnologias digitais seriam neutras.
“Quando a gente pensa a internet, que foi muito festejada como a infovia do conhecimento, de fato revolucionou como a gente circula conhecimento, mas ao mesmo tempo aumentou a insegurança sobre o que é verdade e o que não é verdade. E a desinformação passou cada vez mais a ser estratégica para alguns grupos que preferem que a desinformação circule para diferentes fins: ganhos políticos, financeiros etc.”, argumenta.
Um exemplo de racismo algorítmico é quando uma pessoa negra é representada de forma negativa no resultado da busca de imagens na internet ou a partir de ferramentas de inteligência artificial. A doutora em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Data Privacy Brasil Johanna
“Ela deu as instruções para o aplicativo: ‘Ah, eu quero que você faça a imagem de uma mulher negra com cabelo black na favela’. Ela descreveu a imagem que queria, e
Os pesquisadores trazem também outros exemplos com consequências que podem ser ainda mais prejudiciais. “Como um aplicativo de transporte, que estabelece
Monagreda comenta ainda o caso do torcedor do time de futebol Confiança, que, em 13 de abril de 2024, foi detido por agentes da polícia militar por erro de reconhecimento facial. A situação aconteceu na final do Campeonato Sergipano. “Ele foi identificado pela câmera de reconhecimento facial como uma pessoa em conflito com a lei, e ele teve que passar por uma abordagem policial, saiu do estádio algemado. Mas, além disso, ele teve um constrangimento público muito grande, porque foi num estádio, na frente de todo mundo”, argumenta a pesquisadora.
Após o episódio, foi suspenso o uso de reconhecimento facial no estádio durante os jogos do time sergipano. Silva acredita que situações assim fazem uma parcela das pessoas perceber a necessidade de ter um olhar mais crítico sobre o que é acessado online.
“Isso é importante, é positivo, em alguma medida. E se a gente conseguir transformar a educação para que cada vez mais, enquanto cidadãos, possamos desenvolver essas habilidades – pesquisar a veracidade de informações e interagir online –, podemos ter um futuro mais produtivo, justo e seguro para todos, conclui o pesquisador.