Em 2017, Egberto Gismonti completou 70 anos e sua filha, a pianista Bianca Gismonti, sentiu que a maior homenagem e o maior presente seria o de tocar a sua música. “Foi um período de intensa emoção, já que as suas composições traduzem parte da minha história pessoal. Desde o meu nascimento – e até hoje – venho acompanhando de perto as suas infinitas sementes desabrocharem em árvores grandiosas”, conta a artista. O Bianca Gismonti Trio gravou “Gismonti 70” com Bianca ao piano e voz, Julio Falavigna, na bateria, e Antonio Porto, no baixo de seis cordas e violão. Misturaram repertório de diferentes períodos da obra composicional de Egberto. O álbum “Gismonti 70” – gravado em 2018 em Budapeste – seria mixado (e lançado) em 2020, mas a pandemia atrapalhou os planos. Só em 2024, Bianca finalizou o projeto registrando as fotos que ilustram o trabalho. “Eu queria que as fotos fossem feitas no ambiente onde morei com meu pai até os 18 anos e aonde ele vive até hoje, que é o seu canto de silêncio e grandiosidade; como um museu de arte da própria vida”, revela Bianca.
Aos 27 anos, voluntariamente filiado à bossa nova mas também muito identificado com o samba, Theo Bial chega ao terceiro álbum da carreira solo com um projeto de intérprete. Depois de “Vertigem” (2022) e “Neo-Bossa” (2023), o cantor e compositor carioca se joga em releituras de Chico Buarque, um nome que carrega fortes laços bossanovistas, mas que sempre, assim como João Gilberto, se viu fazendo samba. “Theo canta Chico” é o nome do álbum, que foi lançado em junho / 2025. No novo disco, “Theo canta Chico”, ele está acompanhado por dois jovens músicos também cariocas: o amigo e parceiro Raoni Ventapane e seu irmão Guido Ventapane, netos de Martinho da Vila.
Nessa edição de O Sul em cima, vamos conhecer músicas dos álbuns Gismonti 70 de Bianca Gismonti Trio e Theo Canta Chico de Theo Bial.