Nos séculos XVII e XVIII, quando o protestantismo estava em pleno apogeu na Europa, espalhavam-se os discípulos de Martinho Lutero pela Alemanha, e iniciava-se o grande êxodo de europeus para o Novo Mundo. No Brasil, como resultado dos movimentos abolicionistas, contratavam-se trabalhadores para substituírem os escravos.
Para cá vieram católicos italianos, espanhóis e alemães, que se juntaram aos católicos portugueses. Mas nos EUA, quem realmente imigrou, em sua grande maioria e adotou a América do Norte como pátria foram os puritanos.
Surgiu do puritanismo protestante, essa obsessão por aproveitar produtivamente cada minuto livre. Antes disso, o tempo era medido por tarefas: quem perguntasse a que horas um cidadão voltaria para casa, ouviria, por exemplo, a seguinte resposta: “Assim que ele assentar cinco metros de muro”. Foram os protestantes os principais responsáveis pela inversão de tal lógica, que seria a gênese da meta de hoje.
Trabalhar passou a ser uma forma de louvar ao Senhor e o tempo ocioso virou ofensa moral, uma heresia. Assim, o tempo deixou de ser medido por tarefas realizadas, as tarefas é que passaram a ser medidas em tempo.
Foi desse período a famosa frase: “Tempo é dinheiro”. A partir das ideias que ela veicula, tornamo-nos escravos dessa crença e inundamos nossas vidas com sequências de compromissos com mínimos intervalos.
Para mim, foi a partir daí que nos tornamos cada vez mais impacientes, querendo informações imediatas, nos transformando em consumidores nunca satisfeitos. Afinal de contas, o tempo existe? Mais: é o tempo que passa rápido ou somos nós que passamos?
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o tempo?
______________________________________________________
Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 01/09/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 02/09/2011