As vitórias do homem são do mundo.
Sucesso acadêmico, profissional, financeiro.
As vitórias da mulher são individuais.
Beleza, casamento, maternidade.
Desde sempre, aprendemos que o valor feminino é a beleza.
É a beleza que nos faz ser escolhida.
É a beleza que garante que sejamos amadas.
A beleza, claro, precisa também vir junto com a juventude, a magreza, a feminilidade, a pureza.
Afinal, bela e velha? Bela e gorda? Bela e vadia? Bela e não delicada? Bela e livre?
Essas coisas não existem.
As exigências de beleza não são só sobre a aparência. São sobre comportamento, submissão e a garantia de que nunca, nunca seremos suficientes. Nenhuma de nós pode parar o tempo. Nenhuma de nós pode se tornar adulta e manter a inocência intocada da infância. Debates sobre cultura da pedofilia à parte, precisamos falar sobre o mito da beleza.
A beleza é um mito patriarcal e de estratégia política para manter mulheres alienadas, ocupadas e mais pobres. É algo que suga os salários, o tempo, a energia vital feminina e faz com que rivalizemos umas com as outras. O padrão de beleza sempre vai mudar, a única coisa que se mantém é isso: o fato de que nunca chegaremos nele. Hoje Clara conversa com Manuela Xavier sobre o mito da beleza e outros assuntos.