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A série "Os d̶e̶s̶necessários do lixo" desenvolvida em onze episódios aborda o preconceito ao “trado do lixo” que afeta as relações trabalhistas dos que lidam com o manejo, promovendo assim, uma desvalorização monetária e humana.
A repulsa ao lixo se arrasta por séculos, gerando desprezo e contaminando de preconceito todo o seu elo.
Durante toda a história humana o lixo representou tudo o que não presta, havendo a necessidade de ser posto para fora das casas, comércios e empresas.
A população criou o estigma de que tudo o que gira em torno do lixo é considerado pejorativo, gerando uma sensação de repulsa, nojo e indiferença.
Pela lógica moderna da sociedade, o que não tem serventia para determinado grupo social deve ser recolhido por “alguém” e levado para bem longe.
Esse “alguém”, que hoje somam mais de 800 mil catadores de resíduos no Brasil, sofre com o desprezo da população, sendo considerados "inferiores".
Em um país onde a posse e o poder prevalecem sobre o "ser", os catadores que sobrevivem dos dejetos da sociedade são tidos como indignos.
Estes trabalhadores são desconhecidos como cidadãos e invisibilizados das cidades, do Estado e do país.
São trabalhadores que enfrentam acidentes e doenças decorrentes das atividades desempenhas, além de serem discriminados socialmente e culturalmente.
Considerados "desnecessários" por muitos, os catadores assumem um papel de importância nas cidades, evitando problemas de saúde pública e ambiental.
Através do recolhimento de lixo, centenas de vetores de doenças, mau cheiro, produção de chorume e contaminação do ambiente são eliminados.
Também graças a estes profissionais valentes, dos 3% de lixo reciclado no Brasil, 90% é coletado, selecionado e processado por catadores e garis. Os dados são da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
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