Tema: O Bobo da Corte
Certo nobre dos tempos antigos mantinha em
seu castelo um bobo profissional, cuja obrigação era divertir a todos
por meio de palhaçadas, macaquices e gozações. Certo dia o nobre se
lembrou de presentear o bobo com um bastão como distintivo de seu
oficio, que devia sempre trazer consigo até quando aparecesse outro mais
palhaço que ele próprio, devendo, então, passá-lo ao tal em sinal de
ultra primazia na arte de fazer palhaçadas. Passandos alguns anos, o
fidalgo adoeceu gravemente, e foi logo desenganado por seu médico.
Mandou então chamar o bobo e com ele manteve o seguinte diálogo:
– “Então, meu bobo, estou em véspera de uma viagem”!
– “Comprida ou curta”?
– “É comprida”.
– “E quando pretende voltar? Dentro de um mês”?
– “Não”!
– “Dentro de um ano, então”?
– “Não”.
– “Nem dentro de um ano? Quando então é que volta”?
– “Não volto nunca mais”!
– “O quê?! Meu senhor não volta nunca mais”?
– “É verdade! Não volto nunca mais”!
– “E que preparativos fez meu senhor para viagem tão longa”?
– “Nenhum”.
–
“Será possível? Pois meu senhor pretende retirar-se para sempre e nada
preparou para viagem tão longa? Olhe! Tome o bastão! É seu desde já! Que
eu, sendo bobo de profissão, nunca cairia em tamanha insensatez”!
(1Coríntios 4. 2)