Uma cobra Naja, que apareceu em Brasília, alcançou fama nacional, atraindo a atenção de muita gente. No início de julho, o estudante de Medicina Veterinária, Pedro Henrique Kembruck, de 22 anos, deu entrada em um hospital particular de Brasília. Ele estava em estado grave por causa de uma picada de cobra. O acidente foi, na verdade, fruto de um crime: o tráfico de animais. Pedro Henrique tinha sido picado por uma cobra que não existe no Brasil. A naja, cujo veneno é mortal, foi contrabandeada da Índia, onde é personagem cultuado pela religião hindu e serve de protagonista para os encantadores de serpentes. Pedro Henrique entrou em coma induzido por causa da picada. Sua vida foi salva graças ao Instituto Butantan que possuía a única dose do antídoto para o veneno de naja existente no Brasil. Após o acidente, um amigo do estudante, preocupado com a repercussão do caso, abandonou a naja próxima a um shopping e dentro de uma caixa. Com a investigação policial, a naja virou celebridade na redes sociais. Ela chegou até a ter perfil próprio, criado para divulgação de memes. Recentemente, a naja foi trazida para o Instituto Butantan, em São Paulo, onde se encontra em quarentena, assim como boa parte dos brasileiros. Os especialistas consideram prudente que ela permaneça quietinha por um bom período depois de tanta agitação. Com esse caso, a polícia descobriu uma quadrilha de traficantes de animais em Brasília. Onze pessoas foram indiciadas e responderão a processo. Agora em São Paulo, a ideia é que ela faça parte da exposição pública do Butantan assim que o instituto for reaberto. Ali, ela terá a companhia de uma naja macho, também fruto de tráfico e que foi encontrada dentro de uma caixa d’água no Balneário Camboriú. Atualmente, o Butantan tem 1.350 cobras vivas que foram encontradas, doadas ou que foram reproduzidas em cativeiro para pesquisas e extração de veneno. Parte delas chega por meio de apreensões do tráfico de animais exóticos. A presença de najas no Brasil preocupa os biólogos. Como não pertencem à fauna local, elas podem se reproduzir à vontade, sem predadores naturais, causando desequilíbrio ambiental e acidentes mortais nos seres humanos. Por ser animais que não vivem na nossa natureza, cientistas também não produzem antídotos contra o seu veneno. A popularidade da naja de Brasília é, portanto, uma oportunidade para reforçar a necessidade do respeito ao meio ambiente e aos animais. A serpente, na verdade, foi uma vítima da ganância humana. Melhor deixar os animais viverem em paz e de acordo com a sua natureza.