"O próximo álbum da banda terá um rock mais seco, mais cru e um som mais primitivo, mais visceral" - Foi o que Branco Mello contou a Folha de São Paulo, em fevereiro de 1986.
Mal sabia Branco, que o 3° disco dos Titãs se tornaria um dos maiores álbuns de rock nacional de todos os tempos.
"Cabeça Dinossauro" é muito mais do que um disco punk. Ele é pesado e sutil. É minimalista e complexo. Simples e inteligente. E descompromissado e conceitual.
O trabalho traz um reflexo do momento do Brasil, que desenhava muito problemático graças a uma ditadura militar ainda se desmanchando e a morte de Tancredo Neves.
A soma desses fatores criava um clima de desilusão e um cenário de distopia.
Havia também o momento ruim pessoal que a banda passava. O álbum anterior, "Televisão," ficou abaixo das expectativas comercias. Além disso, Arnaldo Antunes e Tony Belloto haviam sido presos por porte de heroína, culminando em um boicote com a banda por imprensa, produtoras de shows e programas de TV - exceção de Faustão e Chacrinha.
Os Titãs tinham raiva. Raiva das rádios, dos políticos, da gravadora e até de parte do público que defendia um falso puritanismo.
Tudo isso transformou em uma obra prima, que passado quase 40 anos depois, se mantem um trabalho tão atual e necessário.
Se "Cabeça Dinossauro" não existe, seria muito provável que a banda encerrasse suas atividades antes dos anos 80, e por isso, podemos afirmar que foi o trabalho não só "mais inovador", mas como também "salvador" dos Titãs.
Escute esse episódio antes que os "bichos escrotos voltem para o esgoto".