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“Amanhã
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã
Redobrada a força
Pra cima, que não cessa
Há de vingar”
Amanhã - Guilherme Arantes
“O leve e macio
raio de sol
se põe no rio.
Faz arrebol…
Da árvore evola
amarelo, do alto
bem-te-vi-cartola
e, de um salto
pousa envergado
no bebedouro
a banhar seu louro
pelo enramado…
De arrepio, na cerca
já se abriu, e seca.”
Um bem-te-vi
Manoel de Barros
“Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.”
Thiago de Mello
Há coisas como ver um paiaiá
Mui prezado de ser Caramuru
Descendente de sangue de tatu
Cujo torpe idioma é cobepá
A linha feminina é carimã
Moqueca, pititinga, caruru
Mingau de puba e vinho de caju
Pisado um pilão de pirajá
A masculina é um aricobé
Cuja filha cobé um branco paí
Dormiu no promotório de passé
O branco era um marau que veio aqui
Ela é uma Índia de Maré
Aricobé, cobé, paí
Dormiu no promotório de Passé
Cobepá, aricobé, cobé paí
É danadinha, danadinha…
Danadinha
(Gregório de Matos/Helson Hart)
A pena antes tão firme, quedou-se na folha branca
A mão que lhe sustentava estava agora tão fria
Final de vida com jeito de romance inacabado
Um solo de clarineta tomando a noite vazia
"A Hora do Sétimo Anjo" - Pirisca Grecco
“Meu tempo escutou, vindo lá do passado,
Um poeta que o tempo guardou.
Meu tempo é apressado, meu tempo é danado:
Meu tempo tudo mudou.
Meu tempo mal guarda o sabor do presente
E se atira prum tempo melhor.
Meu tempo não pensa, está sempre adiantado:
Esqueceu o que sabe de cor.”
Meu Tempo e Castro Alves
Toquinho
“É sempre assim que se sucede: Quereis que nos liguemos estreitamente a uma coisa?
Fazei-nos sofrer por ela”.
Manuel Antônio de Almeida
“Eu canto, porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias no vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico ou passo”
Cecília Meireles
“São quatro jogadores
Nessa mesa
Frente a frente pra jogar
São quatro cabras de peia
No desafio
No jogo da bruxa
Em noite de lua cheia
São quatro jogadores
Nessa mesa
Dando as cartas
No jogo sujo da vida
Kukukaya eu quero isso aqui
Kukukaya olha esse cachorro aqui”
“Kukukaya: Jogo da Asa da Bruxa” (1979) – Cátia de França
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