As eleições na maior potência do mundo são um fenômeno acompanhado pela mídia de todo o mundo. A polarização presente na disputa presidencial norte-americana, mais uma vez, fez os candidatos contarem voto a voto o resultado do pleito em cada um dos estados para para levarem a vitória nas corrida pela Casa Branca. Em 2020, o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden são os representantes das duas principais forças políticas do norte do continente. Em meio a acusações infundadas de fraude na apuração, a disputa acirrada ficou mais emocionante com as reviravoltas nos chamados swing states. O apelido é dado a estados como Michigan, Wyoming e Filadélfia porque lá, os eleitores não costumam votar sempre no mesmo partido. Em alguns anos, a preferência fica com a pauta conservadora e mais à Direita dos Republicanos, outras vezes quem leva a melhor é a agenda progressista dos Democratas, mais associados à Esquerda.
Joe Biden, ex-vice de Barack Obama, tem tudo encaminhado para a vitória, mas nada é certeza até que todos os votos sejam contados - isso sem falar na promessa republicana de levar a briga até o fim nos tribunais. Mas, confirmado o cenário, isso significa que a Esquerda ganha mais força, outra vez, na maior nação da América. Por outro lado, a Direita ainda tem grande chance de manter a maioria no Senado norteamericano, e dessa forma as forças em disputa se equilibram ao longo do tempo.
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Ou se equilibravam?
A radicalização dos discursos na esteira da onda conservadora mundial parece ter mexido mais fundo no jogo político. E nestes momentos, sempre volta a velha pergunta: o que significa esquerda e direita? Conceitos tão antigos quanto a própria democracia e tão diversos como ela.
A gente foi então perguntar para quem nos acompanha aqui no Panorama o que eles entendem sobre o significado dos termos Direita e Esquerda. E se eles consideram que tais palavras são capazes de defini-los dentro do debate político.
Uma pesquisa feita pela Revista Fórum (https://bit.ly/38ldxNE) mostrou que o Brasil tem hoje uma parcela significativa da população com direito à voto que se declara de direita. Pelo menos 40,8% dos eleitores se dizem de direita e 8,6% de centro-direita. Na outra ponta, apenas 13,6% se dizem de esquerda e 7,2% de centro-esquerda. Os eleitores que se dizem de centro são 29,9%.
Isso significa que, no atual momento político, para se derrotar um candidato de direita como Bolsonaro no Brasil seria necessária uma união de toda a esquerda e de todo o centro. E mesmo assim a disputa seria muito dura. A esquerda mais o centro resultariam em 50,6%. Só a soma da direita com a centro-direita somam 49,4%. A pesquisa também mostrou que os homens são mais de direita que as mulheres. E que quanto mais idoso o brasileiro, mais conservador, ou seja, mais de direita.
E olhando de longe, os números mudaram pouco desde uma pesquisa feita ainda em 2013 pelo DataFolha (https://bit.ly/2Ih2oSE) , quando 48% dos brasileiros se declarava de Direita e 30% de esquerda. O que aconteceu é que em 2013, apenas 11% se declaravam de extrema direita e 38% de centro-direita. O aumento é de 29 pontos percentuais na extrema direita e uma redução de 30 pontos percentuais ali no centro. Da mesma maneira aconteceu com a esquerda. Entre 2013 e 2020 houve uma redução de 19 pontos percentuais na centro-esquerda e uma aumento de 10 pontos percentuais na extrema esquerda. O nome disso é polarização, as pessoas se afastam ali do centro e vão em direção aos polos.
Uma matéria de 2018 da BBC Brasil (https://bbc.in/3n0DExj) explicou que, segundo a pesquisa Brazilian Legislative Survey o Congresso Nacional brasileiro é polarizado. Segundo essa pesquisa, os partidos, que hoje são mais de 30 no país, poderiam ser divididos em apenas dois, se consideradas as semelhanças exclusivamente ideológicas entre eles.