É a bicicleta que é perigosa — ou são as condições em que obrigamos as pessoas a utilizá-la?
O medo de pedalar não é irracional. Circular ao lado de veículos muito mais pesados, em ruas rápidas, sem continuidade ou proteção, cria um risco real. Mas esse risco não nasce necessariamente na bicicleta: é produzido, muitas vezes, pelo desenho da rua.
Neste episódio do Prioridade, partimos de dados recolhidos em Braga para perceber o que afasta tantas pessoas da bicicleta e o que poderia levá-las a utilizá-la nas viagens quotidianas. Falamos de redes contínuas, cruzamentos seguros, velocidades compatíveis, manutenção e dos limites de respostas centradas apenas no capacete ou no comportamento individual.
Não se trata de obrigar toda a gente a pedalar. Trata-se de deixar de excluir quem o faria se tivesse condições.
Se tornámos a bicicleta perigosa, também podemos torná-la segura.