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Editorial: Foi Bertolt Brecht, o poeta e dramaturgo alemão, que, nos anos 1940, escreveu que a cadela do fascismo está sempre no cio. Em 1977, Roland Barthes, o crítico literário e semiólogo estruturalista francês, em sua aula inaugural no Collége de France, afirmou que a língua é fascista, não porque proíbe, impede ou censura o que se quer dizer, mas justamente porque obriga a dizer e faz isso por meio de um corpo de regras que regula e oprime a própria expressão e que submetem os indíviduos ao poder, ao arbítrio e aos estereótipos da própria linguagem. Os Engenheiros do Hawaii cantaram, em "Toda forma de poder", de 1986, que "o fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante fascinada", repercutindo o título de um famoso ensaio da intelectual e crítica norte-americana Susan Sontag, intitulado "Fascinante fascismo" e publicado no livro Sob o signo de Saturno, de 1980. No ensaio, Mrs. Sontag se dedica a desvelar, com a acuidade e o brilhantismo crítico que lhe foram caratecterísticos, as mentiras e falsificações históricas que o cinema de Leni Riefenstahl, a cineasta e documentarista do Terceiro Reich, de Hitler, ajudaram a propagar sobre o Führer e as violências autoritárias que estavam nos fundamentos de um governo genocida, insano e perverso. Lá pelas tantas, constatando que Riefenstahl continuava a produzir sua arte, agora por meio de seus livros de fotografia, mesmo depois do enorme desprezo que ela alimentou pela verdade ideológica do regime nazista, Sontag concluiu que "o fascismo fascina de um modo que outra iconografia delimitada pela sensibilidade pop (de Mao Tsé-Tung a Marilyn Monroe) não faz. Sem dúvida, alguma parcela do aumento de interesse no fascismo pode ser considerada como um produto da curiosidade. Para aqueles que nasceram depois do início dos anos 40, massacrados por um palavrório vitalício, pró e contra, sobre o comunismo, é o fascismo — o grande motivo,de conversação da geração dos seus pais — que representa o exótico, o desconhecido. Portanto, existe um fascínio generalizado entre os jovens para com o horror, com o irracional. Cursos que tratam da história do fascismo, juntamente com aqueles sobre o oculto (incluindo vampirismo), estão entre os mais freqüentados, hoje em dia, nos campus das universidades." Nós, aqui, respondemos a vocês se o fascismo é mesmo fascinante.
By Du Coleone; Marcel Lamarca; Márcio ScheelEditorial: Foi Bertolt Brecht, o poeta e dramaturgo alemão, que, nos anos 1940, escreveu que a cadela do fascismo está sempre no cio. Em 1977, Roland Barthes, o crítico literário e semiólogo estruturalista francês, em sua aula inaugural no Collége de France, afirmou que a língua é fascista, não porque proíbe, impede ou censura o que se quer dizer, mas justamente porque obriga a dizer e faz isso por meio de um corpo de regras que regula e oprime a própria expressão e que submetem os indíviduos ao poder, ao arbítrio e aos estereótipos da própria linguagem. Os Engenheiros do Hawaii cantaram, em "Toda forma de poder", de 1986, que "o fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante fascinada", repercutindo o título de um famoso ensaio da intelectual e crítica norte-americana Susan Sontag, intitulado "Fascinante fascismo" e publicado no livro Sob o signo de Saturno, de 1980. No ensaio, Mrs. Sontag se dedica a desvelar, com a acuidade e o brilhantismo crítico que lhe foram caratecterísticos, as mentiras e falsificações históricas que o cinema de Leni Riefenstahl, a cineasta e documentarista do Terceiro Reich, de Hitler, ajudaram a propagar sobre o Führer e as violências autoritárias que estavam nos fundamentos de um governo genocida, insano e perverso. Lá pelas tantas, constatando que Riefenstahl continuava a produzir sua arte, agora por meio de seus livros de fotografia, mesmo depois do enorme desprezo que ela alimentou pela verdade ideológica do regime nazista, Sontag concluiu que "o fascismo fascina de um modo que outra iconografia delimitada pela sensibilidade pop (de Mao Tsé-Tung a Marilyn Monroe) não faz. Sem dúvida, alguma parcela do aumento de interesse no fascismo pode ser considerada como um produto da curiosidade. Para aqueles que nasceram depois do início dos anos 40, massacrados por um palavrório vitalício, pró e contra, sobre o comunismo, é o fascismo — o grande motivo,de conversação da geração dos seus pais — que representa o exótico, o desconhecido. Portanto, existe um fascínio generalizado entre os jovens para com o horror, com o irracional. Cursos que tratam da história do fascismo, juntamente com aqueles sobre o oculto (incluindo vampirismo), estão entre os mais freqüentados, hoje em dia, nos campus das universidades." Nós, aqui, respondemos a vocês se o fascismo é mesmo fascinante.