O manifesto indígena no Baixo e Médio Tapajós segue paralisando as atividades da multinacional Cargill, em Santarém.
O objetivo é pressionar o Governo Federal a revogar o Decreto 12.600/2025, que abre caminho para a privatização e dragagem do Rio Tapajós.
Mas o debate vai além da navegação e do agronegócio.
Segundo o médico Eric Genigues, a dragagem pode aumentar a contaminação por mercúrio. Ao mexer no fundo do rio, o mercúrio inorgânico pode se transformar em mercúrio orgânico, substância tóxica que se acumula nos peixes e chega à população pelo consumo alimentar, afetando principalmente o sistema nervoso.
“Saúde não é só ausência de doença. Quando se perde a relação com o território, isso também é adoecimento”, afirma o especialista.
Sem avanço nas negociações com representantes do governo federal, manifestantes fecharam a rodovia Fernando Guilhon, que dá acesso ao aeroporto de Santarém. A principal reivindicação segue a mesma: revogação do decreto ou retirada do nome do Tapajós do projeto de dragagem.
Em nota, o Governo Federal informou que nenhuma medida avançará sem consulta prévia, livre e informada, conforme a Convenção 169 da OIT.
🎙️ No episódio, você ouve lideranças indígenas, o posicionamento técnico sobre os riscos à saúde e a resposta oficial do governo.
Foto: Walter Kumaruara.