Freud não via um livro como um caso clínico.
Madame Bovary, de Flaubert, deve ser uma daquelas mulheres miseráveis, infelizes em tudo, irrequieta, aquela histérica na qual sobra energia para infernizar a vida do marido, da amiga, da vizinhança... as chamadas bruxas, insatisfeitas com a condição humana, sentindo-se deusas, que quer imperar sobre o homem, a mulher é imperatriz do homem, sempre, ela é a Rainha do Lar, a deusa, a mulher não existe, e Lacan, seria isso, a mulher deve se conformar com uma função do tamanho do ser humano.
Capítulo XI: Um caso único!
Santos cria na santidade do juramento; por isso, resistiu, mas enfim cedeu e jurou. Entretanto, o pensamento não lhe saiu mais da briga uterina dos filhos. Quis esquecê-la. Jogou essa noite, como de costume; na seguinte, foi ao teatro; na outra a uma visita; e tornou ao voltarete do costume, e a briga sempre com ele. Era um mistério. Talvez fosse um caso único... Único! Um caso único! A singularidade do caso fê-lo agarrar-se mais à idéia, ou a idéia a ele; não posso explicar melhor este fenômeno íntimo, passado lá onde não entra olho de homem, nem bastam reflexões ou conjeturas. Nem por isso durou muito tempo. No primeiro domingo, Santos pegou em si, e foi à casa do Doutor Plácido, Rua do Senador Vergueiro, uma casa baixa, de três janelas, com muito terreno para o lado do mar. Creio que já não exista: datava do tempo em que a rua era o Caminho Velho, para diferençar do Caminho Novo.
Talvez fosse um caso único... Único! Um caso único!