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O bloco Cuiqueiros de Lisboa, liderado pelo sambista Neném do Chalé, vai agitar o carnaval deste ano, com um desfile vibrante nas proximidades do Castelo de São Jorge, na sexta-feira (28/02). Criado para manter viva a essência das escolas de samba em Portugal, o grupo reúne brasileiros e estrangeiros apaixonados pelo ritmo que atravessa fronteiras. “A nossa ideia é que o bloco se transforme na primeira escola de samba de Lisboa”, revela ele, destacando a ambição de consolidar a tradição do samba no país.
O sambista, nascido e criado no Morro da Mangueira, leva consigo um legado de gerações dedicadas à música. Neto do compositor Pandeirinho da Mangueira e filho de Birinha, o lendário mestre de bateria da escola verde e rosa, Neném construiu sua trajetória no samba com um profundo respeito às suas raízes. Ele destaca a emoção de ver a cultura brasileira tão bem recebida em Portugal. “O samba continua unindo povos, não importa onde esteja”, diz. Além da paixão pelo ritmo, o bloco também se tornou um refúgio para brasileiros que encontram no batuque um vínculo com suas origens.
Para este carnaval, o Cuiqueiros de Lisboa promete emocionar o público com um samba-enredo especial, Da Alma do Fado ao Coração do Samba, que homenageia a ligação histórica entre Brasil e Portugal. “Fado e samba têm muito em comum, desde a resistência até a perseguição cultural que enfrentaram no passado”, explica Neném. Com ensaios intensos e uma bateria formada por músicos de diversas nacionalidades, o bloco espera conquistar ainda mais espaço e consolidar sua presença no calendário carnavalesco de Lisboa.
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É inegável o esforço que o Governo de Portugal vem fazendo para regularizar a situação dos imigrantes que vivem no país e estão indocumentados. Há 440 mil pessoas penduradas nas extintas manifestações de interesse e 220 mil à espera da troca dos títulos de residência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que não são reconhecidos pela União Europeia.
Mas, para as advogadas Catarina Zuccaro e Tatiana Kazan, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que todos esses imigrantes possam, enfim, ostentar a tão sonhada autorização de residência em Portugal. Para elas, é importante que o Governo conduza todo o processo de forma transparente, a fim de evitar problemas futuros mais à frente.
As advogadas falam da importância do planejamento para aqueles que desejam emigrar do Brasil para Portugal, recomendam cautela antes de cruzarem o Atlântico e reforçam que Portugal não é o Eldorado, assim como nenhum outro país, pois tem problemas que também afligem a população local.
Elas ressaltam, ainda, a importância de se vir com visto para Portugal, para evitar as agruras enfrentadas pelas centenas de milhares de pessoas que dependem da boa vontade da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), responsável pelos imigrantes, para se inserirem na sociedade.
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No novo episódio do podcast PÚBLICO Brasil, Sandra Utsumi, diretora executiva do Haitong Bank, e Marcelo Sobreira, professor da HB Escola de Negócios, falam sobre importância da educação financeira, especialmente para imigrantes que chegam a Portugal. Sandra alerta para os perigos de não se informar adequadamente ao realizar transferências de recursos de um país para outro. Ela destaca como a falta de conhecimento pode resultar em perdas financeiras e alerta para a necessidade de se planejar e de cortar gastos, quando as contas não estiverem mais fechando.
Marcelo chama a atenção para uma maior conscientização financeira e dos ganhos que podem vir da diversificação dos investimentos. Para ele, a literacia financeira é essencial para garantir que as pessoas saibam como administrar seus recursos, evitando cair em armadilhas. O professor também enfatiza a importância de se criar uma reserva de emergência para suportar os primeiros meses em um novo país.
Os dois especialistas falam, ainda, do impacto das redes sociais na forma como os imigrantes enxergam a vida em Portugal, muitas vezes, alimentados por promessas de "Eldorado", que não refletem a realidade do custo de vida em Portugal. Sandra e Marcelo explicam como a criação de uma cultura de poupança e planejamento a longo prazo é fundamental para alcançar um futuro financeiro mais seguro. E reforçam que, com as atitudes certas, é possível aprender a gerenciar o dinheiro de forma eficiente, garantindo não apenas a sobrevivência, mas também a prosperidade, seja em Portugal ou em qualquer outro lugar.
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O que significa empreender? Para Mariana Oliveira, fundadora da Ancestralizando, é transformar a conexão com a ancestralidade africana em um negócio que mistura moda, gastronomia e história. “O empreendedorismo, para mim, é criar e recriar. É investir em algo que reflita quem somos e, ao mesmo tempo, proporcionar trabalho para outras pessoas”, define. A marca, que oferece roupas e acessórios inspirados na cultura afro-brasileira, além de alimentos como o acarajé, busca manter vivas tradições que atravessam gerações.
Nilzete Pacheco, mentora empresarial, enfatiza que empreender exige mais do que boas ideias. “Um plano de negócios é essencial, mas ele precisa sair da gaveta. O segredo está na execução e na persistência”, ressalta. Em sua visão, muitos empreendedores, especialmente imigrantes em Portugal, enfrentam desafios por desconhecerem aspectos legais, como códigos de atividade econômica (CAEs) e obrigações fiscais. Segundo ela, “o empreendedor precisa não apenas conhecer seu mercado, mas também entender a legislação local para evitar erros que podem comprometer o negócio”.
Apesar das dificuldades, as histórias de Mariana e Nilzete mostram que criatividade e organização podem transformar sonhos em realidades sólidas. Para Mariana, empreender é também um ato de resistência e conexão. “O acarajé, por exemplo, foi o primeiro empreendedorismo das mulheres negras no Brasil. É uma história de luta e liberdade que continuamos a contar”, ressalta. Já Nilzete reforça que o sucesso requer formação e acesso a recursos, que muitas vezes estão disponíveis, mas são pouco conhecidos. Ambas deixam claro que empreender é desafiar limites e, acima de tudo, acreditar no próprio potencial.
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O cantor e compositor Pierre Aderne compartilha reflexões sobre o ano-novo em Portugal, comparando com suas experiências no Brasil e em outros países. Ele destaca a importância das tradições, como passar o Réveillon descalço e de branco, um costume que mantém como forma de conexão com a terra e as raízes culturais. Pierre também comenta sobre a diferença entre o caloroso espírito das festas brasileiras e a introspecção típica do inverno português.
Pierre lembra sua primeira celebração de ano-novo em Birmingham, na Inglaterra, aos 15 anos, marcada pela saudade do Brasil e pelo choque cultural. Apesar de desafios como esse, ele destaca a beleza do momento de recomeço que a passagem de ano proporciona. "É uma oportunidade de repensar, de estar próximo, de buscar mais generosidade em um mundo tão individualista," diz.
O cantor fala sobre suas conexões musicais com Lisboa e sua recente reaproximação com a capoeira, tradição brasileira que está transmitindo ao filho em solo português. Para ele, a capital portuguesa é um ponto de encontro da lusofonia, onde influências culturais e musicais de países de língua portuguesa se misturam. Pierre se diz esperançoso com o ano que está por vir e acredita que ações coletivas ajudam a superar os desafios sociais e culturais, tanto em Portugal quanto no mundo.
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O Natal, um marco de encontros e celebrações, adquire novos contornos para os brasileiros que residem em Portugal. Em uma conversa descontraída, no podcast do PÚBLICO Brasil, a futurista Beia Carvalho e fotógrafa e designer gráfica Pat Cividanes compartilham experiências natalinas, destacando as adaptações culturais e gastronômicas que acompanham a data.
Beia relembra seu primeiro Natal em terras lusitanas: “Foi com amigos, uma mudança significativa em relação ao Brasil, onde as festas eram predominantemente familiares”. Economizar nos presentes, algo que no Brasil envolvia listas intermináveis, deu lugar a investimentos em vinhos portugueses e na culinária local, transformando o bolso em aliado das celebrações.
A gastronomia também se destaca como ponto de adaptação e saudade. Tem quem lamente a ausência de tradições brasileiras como o tender, mas o acesso ao bacalhau de qualidade superior em Portugal é celebrado. Pat ressalta: “O salpicão dá para reproduzir, mas o tender é insubstituível”.
Entre as iguarias portuguesas que conquistaram o paladar dos brasileiros, a rabanada ganhou novas dimensões, como as versões recheadas de doce de ovos. Além disso, sobremesas típicas, como o almadão, encantam, reforçando a fusão entre as tradições dos dois países.
A decoração natalina em Portugal, com luzes e ambientes que remetem ao imaginário de um Natal europeu, é elogiada por Pat: “O clima frio faz mais sentido com o que aprendemos nas histórias e nos filmes”.
Mais do que presentes ou refeições elaboradas, o Natal é descrito como uma oportunidade de criar novos laços e fortalecer amizades. A pandemia e a mudança para Portugal trouxeram reflexões sobre quem priorizar nas celebrações. “O Natal transcende a tradição familiar, é uma desculpa perfeita para reunir pessoas e celebrar o afeto”, afirma Beia.
Contudo, os desafios da polarização política e as mudanças nas dinâmicas familiares não são ignorados. “O Natal deveria ser um momento de reconciliação, mas muitas vezes evidencia os rachas nas famílias”, observa Pat. Apesar disso, a mensagem é clara: o espírito natalino continua sendo um convite ao encontro e à celebração da vida, em qualquer parte do mundo.
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A chegada a Portugal trouxe desafios e oportunidades para os arquitetos brasileiros Paula Russo e Jadiel Tiago, que compartilham uma trajetória marcada na busca por adaptação e inovação. Vindos de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o casal se estabeleceu no país em 2020, em meio à pandemia, motivado pela oportunidade de Jadiel de iniciar um doutorado e pela conexão pessoal de Paula com Portugal, onde viveu parte da infância.
No entanto, exercer a profissão em terras lusitanas revelou diferenças marcantes em relação ao Brasil, que vão da língua, pois vários itens usados nas obras têm nomes diferentes nos dois países, à burocracia para aprovação de projetos nas câmaras municipais. Numa obra em um banheiro de uma casa, por exemplo, quase todos os materiais têm denominações diferentes. Chuveiro em Portugal é duche e descarga, autoclismo. Nada, porém, que atrapalhe o trabalho.
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Ser mãe é um desafio por si só, mas enfrentá-lo em um país estrangeiro traz um conjunto único de dificuldades e aprendizados. Ticiana de Castro, cearense radicada em Portugal há oito anos, vive essa realidade e encontrou em redes de apoio entre mães uma forma de superar os desafios diários da maternidade imigrante. "É um suporte emocional que se torna essencial, porque estamos longe da família. Quando surge uma dúvida ou um problema, é esse grupo que acalma nossos corações e nos ajuda a tomar decisões", conta, referindo-se ao grupo ComMadres, formado por mães brasileiras e portuguesas.
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O empresário Tiago Prandi chegou em Portugal há 19 anos por meio de uma proposta de trabalho e nunca mais deixou o país e aqui teve as duas filhas. Assistiu a muitas mudanças no mercado imobiliário até desenvolver uma empresa diferente para os clientes, a Conexão Europa Imóveis, que, segundo ele, é muito mais do que uma imobiliária.
Para ele, o atual momento de Portugal é muito diferente quando comparado com o de duas décadas atrás. “Acredito que país sempre esteve aberto a novidades, sempre recebeu muito bem as pessoas e acredito que mudou para melhor, pois está muito bem preparado para tudo o que está acontecendo”, assinala.
Prandi explica que um dos diferenciais da Conexão Europa, fundada há cerca de sete anos, é a busca permanente pela transparência em todo o processo de atuação. Ele garante que, na gestão voltada para o turismo, o investidor, estando em qualquer lado do mundo, vai saber exatamente o que acontece dentro do apartamento.
Quando a empresa é procurada para compra e venda de propriedades, oferece o serviço de busca de imóveis, mas antes cuidam da burocracia, como buscar um número de contribuinte português (NIF) e uma conta bancária. No caso de estrangeiros, sem o NIF e conta bancária, não é possível adquirir um imóvel.
O primeiro negócio de gestão do empresário foi com um amigo espanhol. Foi nesse momento que ele desenhou o modelo que segue até hoje. “Esse negócio de assessoria imobiliária foi muito divertido, porque falamos mais não do que sim para os apartamentos, sempre seguimos o que foi pedido no briefing inicial. Só concordamos com a compra quando encontramos o imóvel perfeito", afirma.
Quando a aquisição de imóveis envolve financiamento bancário e se define o valor que vai ser buscado de crédito, a Conexão Europa apresenta uma empresa que conhece todos os meandros do setor, pois cada instituição financeira tem as suas especificidades e critérios para emprestar dinheiro”, explica.
As assessorias prestadas para aluguel de apartamentos na região de Lisboa partem de um valor inicial de 1.500 euros (R$ 9,3 mil). Já para a compra na região de Lisboa, trabalham com valores mínimos de 250 mil euros (R$ 1,6 milhão), que sobe para 350 mil euros (R$ 2,2 milhões) nos bairros mais nobres.
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A trajetória da empresária e mulher de cultura Andréa Zamorano em Portugal começou há 16 anos, quando abriu o Café do Rio, na Baixa de Lisboa. “Foi a primeira hamburgueria gourmet de Portugal. Naquela altura, os hambúrgueres ainda estavam conotados como uma coisa fast food, trash, menos boa, que não eram saudáveis. E nós viemos com uma nova proposta, que era um hambúrguer sem pão”, conta.
Carioca, mas que viveu quase metade de sua vida em Lisboa, Andrea até trouxe um termo para o português de Portugal: hamburgueria. “Na época, chamavam de casas de hambúrgueres. Nós cravamos esse nome. Depois, vieram centenas de hamburguerias”, diz.Autora de livros publicados em Portugal e no Brasil, entre eles, A Casa das Rosas, Andréa tem uma coluna mensal na Revista Blimunda, da Fundação José Saramago. Mas essa veia artística não se restringe à literatura. Ela manteve, por anos, o Samambaia, refúgio da música de qualidade, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus.
Foi um bar que teve muito sucesso e que marcou uma nova era, tornando-se um lugar de referência para a cultura brasileira em Lisboa. Muita gente legal passou por lá, artistas novos, que estão despontando no Brasil, como Felipe Cato e Letrux, e artistas consagrados, como Danilo Caymmi, Ben Gil, Moreno Veloso”, detalha a empresária. O Samambaia foi vendido e ganhou um novo conceito.
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O podcast do PÚBLICO Brasil é um encontro de talentos, informação, dicas e debates sobre a real dos brasileiros em Portugal.