O Paraguai se encontra em um momento de radicalização da criminalização da luta pela terra, sem alternativas para comunidades camponesas que buscam desenvolver agroecologia e formas de vida para além do modelo do agronegócio de grande escala e capital transnacional, ou de latifúndio improdutivo. Ao mesmo tempo, uma nova articulação organiza pela primeira vez camponeses e indígenas juntos no Espacio de Unidad Indígena, Campesina y Popular. Em uma iniciativa recente, também, algumas organizações buscaram reiniciar a recuperação de territórios ocupados pelo agronegócio e o narcotráfico com a tentativa de ocupação com fins de reforma agrária da fazenda Lucipar, mas a tentativa resultou em prisões e repressão dos movimentos. As terras recuperadas pelo narcotráfico pelo estado acabam em mãos do poder concentrado.
O episódio bilíngue foi realizado a partir de distintos materiais de pesquisa de campo realizada por Maria Luísa Vila (PROLAM) e Salvador Schavelzon (PROLAM e UNIFESP-Osasco) em 2025. Foram visitadas algumas comunidades como Tava Guarani, acompanhamos mobilizações do movimento de mulheres camponesas em Assunção, conversamos com a Coordinadora Sin Tierra del Norte, com a Organização Camponesa do Norte (OCN), além de pesquisadores, produtores familiares, indígenas e sem terra.
Entrevistas incluídas no episódio:
Perla Álvarez (CONAMURI e CODEHUPY), Rosa Toledo (CONAMURI), Trinidad Ortiz (San Pedro, Coordinadora Organización de Lucha por la Tierra - OLT), Roberto Salcedo (Asociación de Productores de Mandioca, Caaguazú), Mario Rivarola (Comunidad Indígena Hugua Po'i e coordenador Articulación Nacional Indígena por una Vida Digna), Luis Rojas (Economista, Universidad Nacional de Asunción) y Aída Martínez (Asociación Productora Productora Campesina e Indígenas de Guiará - APCIG). A última entrevista é da Maria Luísa Vila, em novembro de 2025; as outras de abril e julho de 2025, feitas por Salvador Schavelzon.
Produção, pesquisa, edição e apresentação: Maria Luísa Vila e Salvador Schavelzon.