Quilombo Academia - USP

Quilombo Academia: sofisticada africanidade no canto de Livia Nestrovski e no violão do Guinga


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A erudição popular na interpretação de Livia Nestrovski traz, ‘ao meu quase cego ver’, uma insurgência subjetiva, sugerindo aspectos objetivos da realidade. A seu canto buca no mar possibilidade de diálogo com o continente negro. Sua obra tem sugestiva tamboralidade miscigênica a Livia Nestrovski sugere uma dimensão idílica de negritude. Sua musicalidade indica uma africanidade melancolia, que é percebida no dedilhado do violão. É perceptível nela que as notas metaforizam o lamento negro. Fenômeno que estabelece uma relação dialógica com Villa Lobos, que foi influenciado pela afrodiasporicidade.
A obra sofisticação musical de Guinga está caracterizada no seu perfeccionismo. As vozes são conjugadas com orquestra de câmara promovem uma circularidade espiral, de possível musicalidade ancestral dos engenhos e das veredas. O dimensionamento erudito popular, visto no Guinga concorreu para criativa construção de um irretocável inventário léxico-musical, sugerindo nuances críticas e reflexivas do comportamento da sedução amorosa no patriarcalismo eurocaucasiano do período colonial, contribuindo para um repensar da persistência eurocolonial, que se percebe no bom mocismo apolíneo, do homem branco com símbolo da perfeição e harmonia, em detrimento dos outros segmentos raciais.
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Quilombo Academia - USPBy Jornal da USP