A atriz Klara Castanho teve uma tragédia íntima exposta para todo o país. Após boatos e vazamentos indevidos de informações, ela confirmou que recentemente sofreu uma violência sexual, engravidou do abusador e optou por entregar o bebê para adoção. O testemunho de Klara reforçou o debate sobre a defesa dos direitos reprodutivos das mulheres. A pauta já estava em alta com a repercussão do caso da menina de 11 anos induzida por uma juíza a manter a gestação, fruto de um estupro. Estas histórias se conversam porque apresentam dois lados das consequências dos abusos sexuais: uma buscava amparo legal para realizar um aborto seguro e a outra manteve a gravidez, mas não tinha desejo de ficar com a criança. As duas vítimas, porém, sofreram críticas pelas decisões que tomaram. Muitos se colocam contra o aborto até mesmo em casos de estupro e outros tantos acreditam que o correto seria criar o bebê apesar do trauma envolvido. Nestas situações, surgem dúvidas sobre qual o papel do estado na defesa destas mulheres e quais os caminhos legais para elas tomarem decisões adequadas para o próprio bem-estar físico e mental, independente de opiniões alheias. Participam do debate:
- Melina Girardi Fachin, professora adjunta da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), doutora em Direito Constitucional, com ênfase em direitos humanos e mestre em Direitos Humanos pela PUC-SP