No próximo dia 14 de setembro, se estivesse conosco, dom Paulo Evaristo estaria comemorando cem anos de idade.
Ele, porém, partiu para junto de Deus no dia 14 de dezembro de 2016.
A Igreja e a cidade de São Paulo chorou, e milhares de pessoas desfilaram ao lado da urna funerária do seu pastor.
A catedral da Sé foi pequena para acolher todos os que queriam prestar sua homenagem àquele arcebispo extraordinário, daquele cardeal da Igreja, que foi para todos, o pastor no sentido bíblico desta palavra.
Lá estavam seus irmãos no episcopado, seus padres aos quais ele amava como pai, como irmão.
Lá estavam as pessoas que, com ele e sob a orientação dele, faziam acontecer a Igreja do jeito que o Cristo quis que ela fosse: uma igreja no meio do povo, uma igreja pobre, uma igreja que ampliasse os clamores populares por Deus, por respeito aos direitos, por justiça, pela vida em plenitude.
Para se despedirem de Dom Paulo se reuniram bispos, padres, agentes de todas as pastorais que foram criadas para concretizar as obras de misericórdia ditadas por Cristo.
Para se despedir de dom Paulo, lá estavam os homens da política, os quais dom Paulo sempre exortou a fazer de sua atividade um exercício de amor profundo ao povo.
Lá estavam profissionais da imprensa, principalmente os que eram tolhidos, impedidos de exercer a sua profissão.
Lá estavam também aqueles que dom Paulo convidou capacitou para com ele lutar contra a ditadura que prendia, torturava, matava líderes populares, religiosos e leigos que sonhavam um Brasil diferente.
Enfim, o povo de toda a cidade que dom Paulo tanto amou se fez presente na Catedral da Sé.
Naquele templo magnífico, dom Paulo reunia líderes de várias tradições religiosas cristãs e não cristãs para orar pelo Brasil, cujo governo não respeita a vida, a pessoa e para orar pelos que tombaram vítimas da insensatez e crueldade de tantos carrascos fardados.
Quanta saudade deixou em nós dom Paulo Evaristo.
Melhor dizendo, que legado deixou Dom Paulo para a Igreja na cidade, no Brasil e no mundo.
Pois bem, Dom Odilo Pedro Scherer, nosso cardeal arcebispo hoje, entendendo a importância de dom Paulo, atento ao rastro de luz que dom Paulo deixou nesta cidade, propôs que o ano do centenário sobre dom Paulo de 14 de setembro de 2021 a 14 de setembro de 2022 seja lembrado de mil formas.
Assim quem o conheceu haverá de vê-lo novamente com os olhos do coração.
Quem não o conheceu ou o conhece apenas de ouvir falar poderá entender a grandeza daquele humilde seguidor de Francisco de Assis.
Este é o tema do nosso Construindo Cidadania de hoje.
Para falar sobre dom Paulo, convidamos pessoas cuja vida foi marcada pela Fé a toda prova, pela Esperança que orientou sua vida, pelo amor a Deus cuja Palavra foi para ele lâmpada para os pés e luz para o caminho, e pelo amor à pessoa humana, imagem e semelhança do Criador.
E Claro , convidamos você também internauta , para interagir conosco através do facebook e Youtube para esta homenagem a Dom Paulo - o profeta da Esperança e da Coragem !
-Maria Ângela Borsoi, Secretária pessoal do cardeal Arns por 40 anos
-Conego José Bizon, Responsável pelo diálogo inter religioso e Diretor da Casa da Reconciliação da Arquidiocese de São Paulo
-Padre Tarcísio Mesquita - Coordenador de Pastoral na Arquidiocese de SP.
-Chico Pinheiro – Jornalista