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Neste episódio, mergulhamos no controverso debate sobre a mineração em mar profundo — uma fronteira tecnológica promovida como solução para a transição energética, mas que carrega riscos ambientais ainda pouco compreendidos. Defensores alegam que os minerais presentes nas profundezas oceânicas, como cobalto, níquel e terras raras, são essenciais para baterias e tecnologias verdes. No entanto, cientistas alertam que os ecossistemas marinhos profundos são frágeis, com biodiversidade pouco conhecida e regeneração extremamente lenta, tornando qualquer dano potencialmente irreversível.
Discutimos por que, diante das alternativas já disponíveis — como a reciclagem de metais, a inovação em baterias menos dependentes de minerais raros e a redução do consumo excessivo —, a mineração em mar profundo não é uma necessidade inevitável, mas uma escolha política e econômica arriscada. Também analisamos o papel das instituições internacionais na regulamentação dessa atividade e a crescente mobilização da sociedade civil e de países que pedem uma moratória global. Este episódio propõe uma reflexão crítica: será que, em nome da sustentabilidade, estamos prestes a repetir os erros do extrativismo predatório — só que agora, nas profundezas do oceano?
Texto traduzido do artigo We don’t need deep-sea mining, or its environmental harms. Here’s why, de Justin Alger, D.G. Webster, Jessica Green, Kate J Neville, Stacy D VanDeveer e Susan M Park, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, discutimos um dado alarmante: a Terra está retendo o dobro de calor do que há duas décadas, superando até mesmo as projeções dos modelos climáticos mais pessimistas. Essa retenção ocorre principalmente nos oceanos, que absorvem mais de 90% do excesso de calor causado pelas emissões de gases de efeito estufa. O resultado? Um planeta que aquece mais rápido do que o esperado, com impactos severos como o aumento do nível do mar, a intensificação de eventos climáticos extremos e o colapso de ecossistemas marinhos.
Analisamos os fatores por trás desse fenômeno — como a redução da refletividade do Ártico, a alteração das correntes oceânicas e o acúmulo de CO₂ e metano na atmosfera — e debatemos o que isso significa para o futuro da ação climática. Também refletimos sobre como esse dado reforça a urgência de medidas imediatas de mitigação e adaptação, e a necessidade de rever estratégias políticas, econômicas e tecnológicas diante de um planeta que responde com mais velocidade e intensidade do que prevíamos. Este episódio é um chamado claro: estamos ficando sem tempo.
Texto traduzido do artigo Earth is trapping much more heat than climate models forecast – and the rate has doubled in 20 years, de Steven Sherwood, Benoit Meyssignac e Thorsten Mauritsen, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, exploramos o preocupante declínio da pesquisa científica na Antártida — uma tendência que ocorre justamente quando o continente mais precisa ser estudado. A redução no financiamento, o aumento das tensões geopolíticas e os efeitos das mudanças climáticas estão dificultando missões científicas e a manutenção de estações de pesquisa em funcionamento. Enquanto a cobertura de gelo antártico atinge níveis historicamente baixos e eventos extremos se tornam mais frequentes, o mundo corre o risco de perder dados essenciais para entender a aceleração do aquecimento global.
Discutimos como a Antártida funciona como um termômetro do planeta e por que sua observação contínua é vital para prever o aumento do nível do mar, mudanças nos padrões climáticos globais e impactos ecológicos de longo prazo. Também abordamos os desafios políticos e logísticos que limitam a cooperação internacional na região, especialmente em um momento em que grandes potências voltam a competir por influência até mesmo no continente gelado. Este episódio é um alerta sobre como a ciência, quando deixada em segundo plano, compromete nossa capacidade de responder à maior crise do século: a climática.
Texto traduzido do artigo Antarctic research is in decline, and the timing couldn’t be worse, de Elizabeth Leane e Keith Larson, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, discutimos evidências de um estudo recente que revela um paradoxo preocupante: vivenciar eventos climáticos extremos — como calor intenso, enchentes ou tempestades — na prática não é suficiente para mudar significativamente as atitudes das pessoas em relação à urgência da ação climática. Embora a exposição a desastres desperte atenção momentânea, a pesquisa mostra que a experiência direta por si só não altera crenças profundas ou impulsiona mudanças comportamentais duradouras.
Exploramos os fatores que influenciam essa resistência: influência social, conclusões prévias, medo de incapacidade individual e a complexidade das informações científicas. Discutimos também por que adaptações estruturais — como políticas públicas eficazes, comunicação responsável e planejamento a longo prazo — são mais decisivas para mobilizar a ação coletiva. Este episódio destaca como o impacto emocional do extremo climático precisa ser complementado por estratégias coerentes — políticas, educativas e comunitárias — para transformar sensações pontuais em compromisso real com o planeta.
Texto traduzido do artigo Experiencing extreme weather and disasters is not enough to change views on climate action, study shows, de Omid Ghasemi, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, traçamos uma breve — porém essencial — história da governança dos oceanos, mostrando como as noções de soberania marítima evoluíram para incorporar preocupações ambientais e desafios transnacionais. Desde os primeiros tratados sobre liberdade dos mares até a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), a disputa por controle de territórios marítimos sempre esteve ligada ao poder político, à segurança e à exploração econômica. Mas, com o avanço da ciência e a intensificação dos danos ambientais, a pauta da governança oceânica ganhou uma nova dimensão: a sustentabilidade.
Discutimos como os oceanos se tornaram palco de tensões entre interesses nacionais e bens comuns da humanidade, e como acordos recentes — como o Tratado de Alta-Mar de 2023 — tentam enfrentar a crise climática, a sobrepesca, a mineração submarina e a poluição marinha. Também refletimos sobre o papel de atores não estatais, da ciência e da diplomacia ambiental em moldar um novo paradigma para o século XXI. Este episódio é um convite a compreender por que a governança dos oceanos não é apenas uma questão técnica ou jurídica, mas um dos grandes dilemas políticos e éticos do nosso tempo.
Texto traduzido do artigo From sovereignty to sustainability: a brief history of ocean governance, de Kevin Parthenay e Rafael Mesquita, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, analisamos os bastidores da mais recente cúpula da OTAN e o que ela revela sobre a crescente fragmentação estratégica entre Europa e Estados Unidos. Embora a Aliança continue publicamente unida em torno do apoio à Ucrânia, por trás dos comunicados oficiais cresce a percepção de que os aliados já não compartilham um inimigo comum tão claramente definido como durante a Guerra Fria ou o pós-11 de Setembro. A ascensão da China, a imprevisibilidade russa e as disputas por investimentos em defesa expõem visões divergentes sobre prioridades, ameaças e compromissos transatlânticos.
Debatemos como os interesses estratégicos se distanciam: enquanto a Europa foca na estabilidade regional e na reconstrução da sua capacidade militar, os Estados Unidos olham cada vez mais para o Indo-Pacífico e para rivalidades com a China. A possível volta de Donald Trump à presidência norte-americana também acentua o clima de incerteza entre os aliados europeus, que consideram acelerar planos de autonomia estratégica. Este episódio oferece uma leitura crítica da OTAN em tempos de redefinição, onde coesão simbólica esconde desacordos cada vez mais profundos sobre o futuro da segurança internacional.
Texto traduzido do artigo How Nato summit shows Europe and US no longer have a common enemy, de Andrew Corbett, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, mergulhamos no conflito devastador que assola o Sudão desde 2023, revelando como interesses estrangeiros — de potências regionais e globais — estão alimentando a violência em busca de influência geopolítica, acesso a recursos estratégicos e controle de rotas comerciais. Emirados Árabes Unidos, Egito, Rússia e até o Grupo Wagner aparecem como atores que, direta ou indiretamente, têm ampliado a complexidade da guerra entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido (RSF). A fragmentação do país, o colapso institucional e a crise humanitária crescente se tornaram terreno fértil para interferências externas em nome de agendas próprias.
No entanto, enquanto potências de fora lucram com a instabilidade ou priorizam seus interesses estratégicos, apenas uma diplomacia verdadeiramente regional parece ter legitimidade e conhecimento suficiente para negociar uma saída sustentável para o conflito. Organizações como a IGAD (Autoridade Intergovernamental sobre o Desenvolvimento) e a União Africana enfrentam o desafio de reconstruir pontes de diálogo e pressionar as partes envolvidas. Neste episódio, discutimos o papel desses atores africanos, os obstáculos à mediação e o que ainda pode ser feito para evitar que o Sudão se torne um novo caso de colapso irreversível no continente.
Texto traduzido do artigo Sudan: foreign interests are deepening a devastating war – only regional diplomacy can stop them, de John Mukum Mbaku, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, analisamos a complexa disputa entre Bolívia e Chile, marcada por conflitos históricos, identidades nacionais feridas e decisões jurídicas da Corte Internacional de Justiça. Entenda as origens da Guerra do Pacífico, os argumentos levados à CIJ sobre o acesso ao mar e o litígio pelas águas do Rio Silala. Uma reflexão profunda sobre direito internacional, geopolítica andina e os limites da justiça diante de traumas históricos não resolvidos.
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Neste episódio, analisamos o que levou Israel a tomar a decisão de atacar diretamente o Irã, mesmo diante de advertências de aliados estratégicos como os Estados Unidos e, em especial, do ex-presidente Donald Trump, conhecido por sua aliança com o governo israelense. O ataque representa uma escalada perigosa no já tenso tabuleiro do Oriente Médio, colocando em risco a estabilidade regional e provocando respostas duras de Teerã. Discutimos os cálculos políticos e estratégicos por trás da ação israelense, incluindo o temor sobre o avanço do programa nuclear iraniano e a crescente influência de Teerã em países como Síria, Líbano e Iêmen.
Também avaliamos o que pode vir a seguir: uma guerra de larga escala entre Israel e Irã? Um novo realinhamento de forças regionais? Ou a reativação de negociações diplomáticas forçadas pela pressão internacional? O episódio examina o papel dos EUA nesse momento delicado, o silêncio ou apoio tácito de outras potências, e os possíveis impactos para a segurança global, os mercados de energia e as relações com países árabes. Uma conversa essencial para entender os riscos de um conflito aberto entre dois dos mais poderosos atores do Oriente Médio.
Texto traduzido do artigo Why did Israel defy Trump – and risk a major war – by striking Iran now? And what happens next?, de Amin Saikal, publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
Neste episódio, analisamos o papel crescente do Brasil dentro do BRICS em um contexto de múltiplas crises globais — da instabilidade geopolítica às desigualdades econômicas e desafios climáticos. Em meio à fragmentação da ordem internacional, o grupo BRICS se consolida como uma alternativa às instituições ocidentais, e o Brasil, com sua diplomacia ativa e capacidade de diálogo com diferentes blocos, emerge como uma voz de equilíbrio. Combinando liderança regional, agenda ambiental e compromisso com o multilateralismo, o país tem buscado ampliar sua influência nas decisões do grupo, especialmente nas discussões sobre reforma da governança global e financiamento para o desenvolvimento.
Discutimos como a presidência rotativa do BRICS e a atuação brasileira em fóruns internacionais têm reposicionado o país como articulador entre o Sul Global e grandes potências. Também abordamos os limites dessa atuação, considerando as divergências internas entre os membros do grupo e os desafios domésticos enfrentados pelo Brasil. O episódio convida à reflexão sobre até que ponto o Brasil pode — e deve — assumir um papel de liderança em iniciativas de cooperação internacional diante de um mundo cada vez mais polarizado e incerto.
Texto traduzido do artigo BRICS: Brasil tem posição de liderança em tempos de múltiplas crises globais, de Maria Elena Rodriguez, Marta Regina Fernandez y Garcia e Renan Canellas publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.
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