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REVOLUÇÃO AMERICANA


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por Gisela Blanco

Uma guerra entre irmãos de fraternidade resultou na independência dos Estados Unidos — e na criação do país mais maçônico do mundo

Imagine a seguinte cena: nos Estados Unidos do século 18, colonos travam uma luta feroz contra soldados da Coroa britânica. Os primeiros querem fundar um país e estão dispostos a morrer pela independência. As tropas imperiais, por outro lado, estão ali para esmagar sem piedade toda e qualquer rebelião.

Depois de um longo dia de combates, um general das forças rebeldes deixa o front direto para uma loja maçônica. E ao seu lado, como se não houvesse guerra nenhuma em curso, senta-se o inimigo — um oficial inglês que também é maçom. Ali dentro, os dois ignoram convicções políticas, princípios religiosos e classes sociais. Como velhos amigos — ou melhor, irmãos de fraternidade —, tomam parte de cerimônias repletas de simbologia, compartilham juramentos secretos e elegem democraticamente um líder. No dia seguinte, eles voltam a pegar em armas, um contra o outro.

Parece improvável, mas a situação que acaba de ser descrita era comum na América colonial. Tanto os pais da independência americana — Benjamin Franklin e George Washington, só para citar os mais famosos — quanto os mais graduados oficiais ingleses eram maçons. Isso porque, nos Estados Unidos daquela época, pertencer à maçonaria dava o maior prestígio. E não obrigava ninguém a viver na clandestinidade. Isso explica, pelo menos em parte, por que os americanos acabaram construindo o maior país maçônico do mundo Lá, fazer parte da fraternidade nunca teve nada de suspeito ou obscuro.

“Fora um período de perseguição entre 1826 e 1840, a maçonaria sempre foi muito aberta nos Estados Unidos”, diz o pesquisador americano Chris Hodapp, autor de sete livros sobre a ordem. Frequentar uma loja maçônica, segundo ele, significava estreitar os laços de amizade com gente importante — entre os frequentadores assíduos havia juízes, fiscais da receita, oficiais do Exército e da Marinha... Até governadores. Antes mesmo de ser inaugurado o primeiro templo em solo americano, no ano de 1730, os maçons já eram numerosos nos Estados Unidos — todos iniciados em lojas do Reino Unido.

REAÇÃO INEVITÁVEL

As lojas maçônicas eram lugares onde já se praticava democracia muito antes de ela ganhar as ruas. Para começar, a maçonaria aceitava — e continua aceitando — gente de todos os credos e classes sociais. “Nas reuniões, homens de qualquer idade, fé e nível socioeconômico podiam votar democraticamente em seus líderes”, diz Hodapp. Natural, portanto, que algumas dessas ideias tão progressistas acabassem virando combustível para

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Malhete PodcastBy Luiz Sérgio F. Castro