O preço dos combustíveis está nas alturas com os sucessivos reajustes autorizados pela Petrobras. Só no ano passado, o aumento foi de cerca de 46%. A pressão social e política sobre o Governo federal fez até o presidente Jair Bolsonaro falar em privatizar a empresa. Hoje o País não é o único dono da Petrobrás, mas detém 50,5% das ações ordinárias. A atual política de preços da empresa faz o valor dos combustíveis flutuarem de acordo com o mercado internacional, em dólar. Para o mestre e doutor em economia da Fundação Getúlio Vargas, Nelson Marconi, há margem para a Petrobrás ser lucrativa sem pressionar tanto o bolso dos consumidores brasileiros.
Este ano, dois fatores podem fazer a Petrobrás rever a política de preços: a invasão russa sobre a Ucrânia, que deve impactar nos mercados de gás natural e petróleo, e as eleições gerais no Brasil. Com medo de perder votos, até a base aliada sinaliza que o Governo federal deve interferir para baixar os preços dos combustíveis. Para o economista, o Congresso Nacional não deve agir apenas pelas conveniências eleitorais.
Nelson Marconi explica que os preços dos combustíveis estão altos também porque a Petrobrás, nos últimos anos, decidiu priorizar a venda do petróleo bruto, que dá mais lucro, e importar o produto refinado. Uma decisão de alto custo para o consumidor brasileiro. Para ele, uma medida importante seria impedir a Petrobrás de vender as refinarias que ainda tem. E retomar a produção no Brasil, já que a ociosidade das refinarias está na ordem dos 30%.