Antes mesmo de o paciente entrar no consultório, o clima já pode ter atravessado a sala de espera. No primeiro capítulo de uma série de três reportagens especiais sobre mudanças climáticas, saúde e formação médica, a reportagem investiga como calor extremo, fumaça, enchentes, poluição e alterações na circulação de doenças aparecem no corpo sem necessariamente serem reconhecidos pelo nome. Intitulado “Quando o clima vira diagnóstico: do território ao sintoma”, o episódio mostra que tontura, desidratação, falta de ar, agravamento de doenças crônicas e infecções podem contar uma história que começou longe da unidade de saúde, seja na casa abafada, no bairro sem árvores, no trabalho sob o sol, na água contaminada ou no ar respirado durante semanas. A partir dos relatos de médicas que atuam no atendimento, de uma pneumologista, de um representante da educação médica e de uma estudante de Medicina, a reportagem acompanha o caminho entre o ambiente e o raciocínio clínico. O capítulo também apresenta as novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Medicina, que passaram a incluir mudanças climáticas, sustentabilidade e saúde ambiental na formação dos futuros profissionais. Ao mostrar que o diagnóstico começa no corpo, mas não termina nele, a reportagem pergunta se a nova geração de médicos está aprendendo a enxergar, além do sintoma, o território onde cada paciente vive.