Assim como em vários períodos em que a arte refletia os acontecimentos históricos que testemunhou, o ano de 1986 no Brasil foi impactante por vários pontos distintos: econômicos, sociais e, claro, culturais.
Em 1986, o rock brasileiro se tornou uma das vozes mais fortes de um país ainda tentando compreender a recém conquistada democracia. Entre o fim da ditadura, as incertezas do governo José Sarney, a crise econômica e a expectativa por uma nova Constituição, discos de bandas com poucos anos de carreira traduziram em música as contradições daquele momento. Críticas às instituições, à desigualdade, à violência e à vida urbana se misturavam às angústias de uma juventude que olhava para o futuro sem saber exatamente o que encontraria. Nesse ano se destacam seis álbuns fundamentais para entender aquele ano: “Rádio Pirata ao vivo”, do RPM, “Dois”, da Legião Urbana, “Vivendo e não aprendendo”, do Ira!, “O concreto já rachou”, da Plebe Rude, “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs, e “Selvagem?”, de Os Paralamas do Sucesso. Além de sucessos de venda, eles são retratos de um país em transição, de artistas em momentos decisivos de suas carreiras e de uma indústria fonográfica que, por alguns meses, acreditou ter domado a inflação e garantido acesso a música para todo mundo.
Neste episódio eu vou falar sobre esses seis álbuns que foram a trilha sonora de um Brasil que mais uma vez tentava se reconstruir à duras penas de inúmeros fracassos e tinha na música uma válvula de escape e, de certa forma, esperança para um país melhor.
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Salada Cultural é um podcast independente com pesquisa, roteiro, produção, edição e apresentação de Marcio Andrade.