O pregão depois da Super Quarta (dia de decisão monetária nos Estados Unidos e Brasil) foi de sangria no mercado local. O Ibovespa caiu 2,90%, para 99.825 pontos.
Ontem, o mercado exterior repercutiu os juros maiores nos Estados Unidos e a fala de Jerome Powell (presidente do Fed, o banco central norte-americano) sobre uma possível aceleração no aumentos nos juros para conter rapidamente a inflação por lá e logo voltar a neutralidade. E como juros maiores nos EUA significa que os títulos públicos por lá rendem mais, os investidores acabam trocando ativos de risco (como ações da bolsa, especialmente de países emergentes) por esses papéis. A consequência, então, é uma queda na bolsa e foi o que aconteceu no mercado internacional ontem e no mercado local hoje.
E como se não bastasse a novela dos juros e inflação, a sexta-feira ainda teve um ingrediente extra: o reajuste no preço dos combustíveis feito pela Petrobras. A alta, claro, não foi bem recebida por membros do governo, que tentam se mobilizar para frear o preço dos combustíveis (que têm um impacto forte na inflação). O dia teve direito a críticas do presidente da Câmara dos Deputados aos mandatários da companhia e a falas de Jair Bolsonaro alertando que a estatal pode "mergulhar o Brasil em um caos".
A conclusão foi um derretimento das ações da empresa, com os investidores reagindo à pressão do governo sobre a companhia.
Para complementar, sinais de uma recuperação mais lenta na China, com previsões do PIB aquém do esperado, especialmente devido aos lockdowns por lá, ajudaram a puxar ativos como o minério de ferro e o próprio petróleo para baixo. Assim, ações de empresas produtoras de commodities metálicas sofreram, caso de Vale, CSN, Gerdau e Usiminas.
Com todo esse caos, o dólar fechou o dia em forte alta, disparando 2,32%, a R$ 5,1432, também refletindo o clima negativo para ativos de risco.