No discurso de abertura da 76ª Assembleia-Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro acenou à própria militância e levou ao mundo um relato distorcido da situação do Brasil. Bolsonaro não atendeu aos pedidos da ala moderada do governo, tampouco acatou a sugestão do Itamaraty de anunciar uma agenda positiva, como a doação de vacinas contra a covid-19. O presidente demorou quase 10 minutos para falar sobre a pandemia e, quando a mencionou, defendeu o chamado “tratamento precoce”, mas sem citar nomes de medicamentos. Para ele, as medidas de “lockdown” provocaram inflação. No começo do discurso, Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil estava “à beira do socialismo”, quando ele assumiu. Segundo Bolsonaro, o governo não tem “caso concreto de corrupção”. Em aceno a investidores estrangeiros, o presidente destacou programas de concessão, como ferrovias e aeroportos, e outros projetos de longo prazo, como saneamento básico. Sem especificar períodos e condições, Jair Bolsonaro falou genericamente sobre ter concedido um auxílio emergencial de US$ 800 a mais de 60 milhões de brasileiros. O presidente ainda quis passar a imagem de que o País está preservando a Amazônia, citando os resultados do mês passado. Ele omitiu que a floresta teve a maior área desmatada para o mês em 10 anos.