Uma das personagens mais esperadas para a 20º Festa Literária Internacional de Paraty, a Nobel de Literatura de 2022 a francesa Annie Ernaux concedeu entrevista coletiva para jornalistas nesta sexta-feira (25).
Autora de grandes sucessos como "O lugar", "Os anos" e "O acontecimento", Ernaux falou sobre como as vivências pessoais e as memórias coletivas compõem a sua obra.
Escrevo com toda minha história, tudo que conheço da minha vida. [...] Eu parto de minhas lembranças, de coisas que podem estar ligadas à memória coletiva, como a memória de uma canção, de um fato político, afirma Ernaux.
A francesa que ganhou notoriedade principalmente após receber o Prêmio Nobel de Literatura em outubro, relatou o momento em que soube da premiação. Achei que fosse uma brincadeira [...].Eu tinha dúvidas porque meia hora antes do anúncio oficial o telefone fixo havia tocado e apareceu um número da Suécia. Era exatamente 13h, e eu estava em minha cozinha quando liguei o rádio para ouvir o anúncio e soube da notícia. Só quando anunciaram percebi que era verdade. O sentimento é de total irrealidade, como se a alma se desprendesse do corpo.
Sobre a quantia recebia junto com o reconhecimento do Nobel, Ernaux diz que nunca teve tanto dinheiro e é como ganhar na loteria. Isso muda o olhar sobre as coisas.
A escritora é primeira mulher francesa, entre todos os vencedores do Nobel de literatura francesa, a receber a premiação.
Ao questioná-la sobre quando foi que ela se sentiu plenamente uma escritora, ela afirmou que nunca se sentiu de fato. "No fundo, sou apenas isso (escritora). Mas a consciência de que essa é uma questão de vida e morte, isso eu senti ao escrever, "O lugar," sobre meu pai. Era um livro que não tinha a forma habitual dos meus anteriores, era mais curto, sem um conteúdo ficcional. Lembro-me de ter pensado que para mim dava no mesmo se o editor publicasse ou não. Lembro-me de ter pensado que é isso que faz um escritor. Essa impressão de fazer o que precisa ser feito.
Sobre um dos seus maiores sucessos, o livro Acontecimentos, ela afirma, ele não é mais meu, é do mundo, e com isso vai encontrar outras histórias (como a do livro). Mas podemos dizer que toda a literatura é isso.
A autora Annie Ernaux participa neste sábado, às 15h, do painel Diamante Rubro, com a escritora gaúcha Veronica Stigger.