Um ano após os eventos climáticos extremos que assolaram o Rio Grande do Sul e do qual comunidades ainda estavam buscando se reconstruir, o Estado passou em junho de 2025 por outro evento climático de grandes proporções, causando destruição e fazendo cinco vítimas fatais. Muitas cidades foram impactadas, entre elas, Santa Maria e Cachoeira do Sul, onde a UFSM tem campus.A professora do departamento de Geociências da UFSM, Andrea Nummer, nossa entrevistada deste episódio do Ponto de Pauta, coordena em Santa Maria a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) da cidade. Junto com outros sete pesquisadores e pesquisadoras da universidade, formam a equipe técnica que participa do projeto Periferia Sem Risco, do Ministério das Cidades, que está sendo realizado em 20 cidades brasileiras, entre as quais, no Rio Grande do Sul, Porto Alegre e Santa Maria.“A população cresceu muito e a mais vulnerável, aquela que não está na cidade formal, vai ocupar essas áreas que hoje são consideradas áreas de perigo, de acontecer problemas como inundação e escorregamentos. A gente costuma dizer que o risco é socialmente construído... as pessoas que não têm condições de comprar (terrenos de melhor qualidade) vão habitando as periferias e esses locais que não são adequados, como a margem dos rios, dos morros, aterros.”Andrea fala sobre a necessidade de começar o trabalho ouvindo as comunidades, que integram um comitê gestor do projeto, junto com secretarias da prefeitura municipal. E explica qual deve ser o resultado final do projeto: “o PMRR está sendo usado como balizador para apontar as ações que devem ser feitas, e os recursos serão buscados com base nessas propostas que a gente está fazendo”.