Momento Literário

Segurança e Liberdade- a balança da Democracia


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O homem, condenado a ser um ser, social, é também um ser, político. Existe claro, uma relação entre a individualidade do homem e a sua necessidade de estar inserido num meio social, o qual se podia chamar sociedade.

Uma das perguntas mais pertinentes, e difícil, é a dicotomia entre Segurança e a Liberdade. Caso a sociedade fosse uma balança de dois pratos, em cada um caberia um dos dois valores. Num prato a Liberdade, noutro a Segurança. É impossível dissociá-los, e a luta do homem ao longo dos tempos modernos, tem sido a de equilibrar a balança, o mais possível.

O significado desse equilíbrio social, é a Democracia. Mas o que acontece quando a balança desequilibra, quando a liberdade ou a segurança, pesa mais, do que o mesmo? Quando em nome da Segurança se capturam Liberdades, ou ao invés, em nome da liberdade se propaga o terror.

A história enche-se de notas sobre o assunto e talvez o mais visível apontamento, seja o triste fim, do revolucionário Robespierre, e o degredo do supremo senhor de França, o imperador Napoleão. Situemo-nos no pós-revolução Francesa.

O dia 14 de julho de 1789 é feriado nacional em França, e um aviso aos tiranos do mundo inteiro. A bastilha havia sido tomada, e a revolução dos esfomeados estava na rua. Por trás de toda a revolução, e da construção da nova sociedade que lhe seguia, estava um homem chamado Maximilien de Robespierre.  No correr das primeiras águas da revolução Francesa, formou-se uma Assembleia Constituinte como instrumento de poder político, assembleia essa, na qual Robespierre era um dos principais oradores.

Representante de uma das alas mais radicais dos Jacobinos, Robespierre votou a declaração dos direitos do homem e do cidadão, batendo-se ideologicamente pelo fim da pena de morte.

Os líderes da revolução não cumpriram as suas promessas. O rei de França Luís XVI foi executado, apesar de pouco tempo antes a Assembleia Constituinte da revolução ter votado, contra a pena de morte. Sobre a execução Robespierre proclamava “Cidadãos, queríeis uma revolução sem revolução?”, e o primeiro voto para a morte do rei, havia sido o seu.

Robespierre assume a chefia do comité de salvação nacional de França em Junho de 1793, abolindo o procedimento judicial para acusados de traição, num período conhecido da história francesa, como o Terror. Há de condenar à morte mais de cinquenta mil indivíduos. Decapitados na guilhotina.

Robespierre instaurou na França da Fraternidade, um clima de Terror, em nome da Liberdade do seu povo. O povo de França aceitou na sua maioria, apesar da revolta da comuna de Paris, a sua execução na guilhotina, juntamente com a de seu irmão, e alguns amigos próximos. Robespierre foi guilhotinado sem julgamento, como ele próprio havia legislado, a favor da liberdade do povo de França, nas suas palavras, e anos antes de lhe cortarem a cabeça proclamava “ O sentimento que me levou a apelar á abolição da pena de morte é o mesmo que hoje me obrigada a exigir que esta seja aplicada aos tiranos do meu país.” A liberdade de Robespierre foi o Terror de França. Após a sua morte, a república formou-se, débil, dividida e desorientada. O povo que no passado havia gritado por liberdade, suplicava agora por alguma segurança. Para o satisfazer, havia de chegar Napoleão....

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