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Data estelar: desconhecida
A USS Farragut empreende uma missão planetária em um mundo desabitado fora do espaço da Federação, quando o planeta é atacado por uma entidade misteriosa. A nave é seriamente danificada, e a capitão V’Rel é ferida, obrigando o primeiro oficial James Kirk a assumir o comando.
A Enterprise chega para o resgate e um grupo de desembarque com Spock, La’An, Chapel, Uhura e Scotty vai à Farragut, e a gigantesca nave agressora parte para o ataque. Durante a evacuação da Farragut, V’Rel e La’An vão à Enterprise, que acaba capturada pela nave agressora antes de entrar em dobra.
Kirk coloca Scott para reparar a Farragut e devolver capacidade de dobra e autodefesa. O engenheiro diz que estão limitados a velocidade mínima, mas o capitão interino insiste em dobra máxima, o que acaba colocando a nave à frente da agressora antes de pifar. O gigantesco veículo destruidor de mundos se encaminha para um planeta habitado pré-dobra. Kirk está determinado a salvar a Enterprise e o planeta, mas não tem ideia de como. A tripulação nota o estresse sobre ele e cogita retirá-lo do comando. Spock decide encorajar Kirk a encontrar uma saída, usando sua intuição. Reunido mais uma vez à tripulação, ele decide usar uma fraqueza dos agressores – sua voracidade no consumo de planetas e naves – em seu favor, para montar uma armadilha.
Enquanto isso, na Enterprise, os tripulantes especulam que seu atacante é o “Destruidor de Mundos”, referência a uma de muitas lendas espaciais similares sobre uma nave gigantesca que é considerada monstruosa até pelos gorns. Eles se preparam para tentar fugir, mesmo com a baixa energia disponível. Para isso, precisarão desconectar um cordão umbilical tóxico que penetrou o casco secundário e coordenar a ativação manual dos propulsores, mesmo sem comunicação interna. Pelia resolve o problema resgatando de sua coleção uma porção de telefones de fio antigos. Com cabeamento interno, poderão evitar o bloqueio de comunicações da nave inimiga. A nave é abordada, e Pike e La’An têm de enfrentar invasores.
Na Farragut, Scotty programa os motores para emitir um sinal de antiprótons capaz de atrair os alienígenas. Como previsto por Kirk, a nave inimiga decide parar para consumir a atraente “refeição”. Com uma manobra de ejeção das naceles da Farragut, ele induz as garras da nave gigante a atacarem a sim mesma. Aproveitando a ocasião, Spock sugere o disparo de torpedos pela “boca” da nave, atingindo-a internamente. Ao mesmo tempo, a Enterprise consegue se desvencilhar, usando os telefones antigos e os propulsores, ativados manualmente com joysticks de videogame também fornecidos por Pelia. Quando um propulsor falha, Una tem a ideia de dar um impulso final abrindo uma porta de descompressão.
A nave inimiga é destruída. Os sensores da Farragut analisam os destroços e encontram cerca de 7.000 sinais de vida, todos humanos, mas sem que haja chance de resgatá-los. Pike, na Enterprise, faz descoberta similar, ao revelar que, sob o pesado traje do alienígena, se esconde um humano. Análises posteriores indicam que se tratava de uma antiga nave humana, lançada da Terra antes mesmo da invenção da dobra espacial, com o intuito de dar continuidade à humanidade após a deterioração ambiental terrestre. Por algum motivo desconhecido, ela se tornou essa monstruosa devoradora de mundos.
Kirk lamenta o resultado de suas ações, com a perda de 7.000 vidas, e Pike o lembra de como decisões de comando pesam sobre quem se senta na cadeira central, elogiando as escolhas, que permitiram salvar a Enterprise, a Farragut e um planeta habitado.
Independentemente do que se pense sobre “The Sehlat Who Ate Its Tail”, trata-se de um momento histórico. O episódio retrata a primeira vez que James T. Kirk é testado de verdade na cadeira de capitão. Essa seria, por si só, uma grande ocasião, mas os roteiristas quiseram carregar ainda mais nas tintas e fazer dessa a primeira oportunidade para que ele liderasse boa parte da tripulação que estaria na Enterprise ao longo de sua famosa missão de cinco anos retratada durante a Série Clássica.
Apesar das conveniências, é inegável que essa apresentação da jornada de Kirk feita em Strange New Worlds é mais crível e efetiva que a feita pelo personagem em Star Trek (2009), em que, num universo alternativo, Kirk vai de cadete a capitão num estalar de dedos. Ainda assim, a afinação não é perfeita. Para forçar o arco do episódio, o tenente-comandante Kirk se mostra displicente e relapso como primeiro oficial da Farragut – o que destoa não só do que sabemos do passado do Kirk nesta linha do tempo como da própria representação dele em episódios anteriores de Strange New Worlds, em particular “Lost in Translation”, da segunda temporada.
Esse Kirk que quer pular etapas e descer direto ao planeta (numa atitude que lembrou a primeira missão planetária do novato capitão Jonathan Archer a bordo da NX-01, em “Strange New World”, de Enterprise) é o mesmo que, anos antes, como alferes, na USS Republic, notou e reportou um erro potencialmente fatal de seu amigo Ben Finney (como revelado em “Court Martial”)? Ou ainda o que ficou conhecido na Academia como “uma pilha de livros com pernas” (informação de “Where No Man Has Gone Before”)?
Por sorte, a capitão V’Rel não ouviu os conselhos dele, ou não restaria Kirk para assumir o comando um instante depois, quando um súbito ataque essencialmente destrói o planeta lá embaixo e obriga o primeiro oficial a assumir o comando.
A trama em si é uma versão adaptada do clássico “The Doomsday Machine”, duas naves estelares contra um “destruidor de mundos”, em que a danificada Constellation dá lugar à danificada Farragut. Felizmente, o episódio introduz diferenças suficientes para não ser mero remake, embora o “golpe final” – atacá-la por dentro – seja essencialmente o mesmo. E a diferença principal é que o segmento clássico não era sobre Matt Decker como este é sobre James Kirk. A ideia é deixar que o capitão interino aprenda na prática como são difíceis as decisões de comando.
O que Kirk teve aqui, e Decker não teve lá, foi boa companhia. A presença de Spock, Scott, Uhura e Chapel foi fundamental para tirá-lo de um estado de “travamento”, como ele mesmo se descreveu, e colocá-lo de volta à ação. A hesitação inicial dele combina com o episódio descrito em “Obsession”, ocorrido também na Farragut, mas anos antes, quando ele era tenente. E a mensagem dos roteiristas é a de que Kirk não se tornaria o personagem que conhecemos não fosse pelas habilidades únicas de seus comandados. Expôr as vísceras do herói em formação é uma atitude ousada e perigosa que a série faz do conforto de não tê-lo de fato como protagonista – afinal, apesar de às vezes não parecer, essa ainda é a série do capitão Pike. A hierarquia fica mais que clara ao final do episódio, num tocante encontro entre os dois.
Outra diferença importante com relação a “The Doomsday Machine” é a surpreendente (talvez nem tanto) revelação de que por trás do “destruidor de mundos” há humanos do século 21. O roteiro deixa nas entrelinhas uma alegoria sobre a humanidade de nossos dias, vocacionada para o consumo desenfreado e autodestrutivo. (Poderia até ser mera coincidência, não houvesse a ênfase de que os astronautas da XVC-100 partiram da Terra depois da Terceira Guerra Mundial, diante da descrença de que a crise ambiental pudesse ser revertida no planeta.) Como metáfora da sociedade contemporânea, é interessante. Mas faltou mergulhar nela. Do jeito que está no episódio, ela serve apenas à trama para colocar um peso na consciência de Kirk, com a morte de 7.000 humanos.
Fora a alegoria, o episódio deixa como mistério como uma nave pré-dobra perdida do século 21 se tornou um monstro devorador de mundos que mete medo em escala galáctica. Talvez seja fruto menos de falta de criatividade, e mais de economia orçamentária. Este episódio, a exemplo de “The Doomsday Machine”, foi projetado para economizar, com filmagens limitadas aos sets regulares da Enterprise, redecorados para fazer também as vezes da Farragut. A reciclagem é tradicional em Star Trek e pode ser feita de maneira bem efetiva, mas aqui ficou um pouco a dever – só é possível distinguir cenas que se passam em uma ou outra nave ao ver os personagens envolvidos nelas, o que exige uma dose extra de atenção do espectador, além de tornar o visual do episódio um pouco enfadonho.
A aparência do “destruidor de mundos”, por sua vez, é intrigante, claramente refletindo seu aspecto de amálgama de muitas naves, mas também um pouco caricata. Talvez pudéssemos ter passado sem dentes em sua bocarra…
De tudo isso, o que brilha mesmo são os momentos. Paul Wesley entrega o seu melhor no episódio, e sua expressão ao “namorar” a cadeira do capitão é perfeita. Note também como ele coloca as mãos à cintura à moda de William Shatner na Série Clássica. A despeito disso, quem tem dificuldade de enxergar o personagem nele depois da marca deixada por seu primeiro intérprete continuará sentindo esse ruído. É o que é.
Ethan Peck, Celia Rose Gooding e Martin Quinn seguem ótimos como Spock, Uhura e Scott. Jess Bush, embora parte do “núcleo Farragut” neste episódio, tem pouco a fazer (exceto cogitar destituir Kirk do comando). A exemplo dela, a Enterprise também pega o banco de trás nessa história, com uma trama secundária divertida (embora não totalmente convincente) envolvendo aparelhos de telefone com fio guardados no quarto de tranqueiras da Pelia – mais uma vez um destaque positivo, com Carol Kane nadando de braçada nas águas da ficção científica.
No fim das contas, temos um bom episódio, que, se não é perfeito ou particularmente original, entrega um momento histórico da vida de James T. Kirk, sinalizando a fagulha que acenderia a chama do grande capitão que todos conheceriam na Série Clássica.
“The Captain has given his orders.”
Escrito por David Reed & Bill Wolkoff
Exibido em 14 de agosto de 2025
Título em português: “O Sehlat que Comeu a Própria Cauda”
Anson Mount como Christopher Pike
Paul Wesley como James T. Kirk
Edição de Maria Lucia Rácz
Episódio anterior | Próximo episódio
O post SNW 3×06: The Sehlat Who Ate Its Tail apareceu primeiro em Trek Brasilis.
By Equipe do Trek BrasilisData estelar: desconhecida
A USS Farragut empreende uma missão planetária em um mundo desabitado fora do espaço da Federação, quando o planeta é atacado por uma entidade misteriosa. A nave é seriamente danificada, e a capitão V’Rel é ferida, obrigando o primeiro oficial James Kirk a assumir o comando.
A Enterprise chega para o resgate e um grupo de desembarque com Spock, La’An, Chapel, Uhura e Scotty vai à Farragut, e a gigantesca nave agressora parte para o ataque. Durante a evacuação da Farragut, V’Rel e La’An vão à Enterprise, que acaba capturada pela nave agressora antes de entrar em dobra.
Kirk coloca Scott para reparar a Farragut e devolver capacidade de dobra e autodefesa. O engenheiro diz que estão limitados a velocidade mínima, mas o capitão interino insiste em dobra máxima, o que acaba colocando a nave à frente da agressora antes de pifar. O gigantesco veículo destruidor de mundos se encaminha para um planeta habitado pré-dobra. Kirk está determinado a salvar a Enterprise e o planeta, mas não tem ideia de como. A tripulação nota o estresse sobre ele e cogita retirá-lo do comando. Spock decide encorajar Kirk a encontrar uma saída, usando sua intuição. Reunido mais uma vez à tripulação, ele decide usar uma fraqueza dos agressores – sua voracidade no consumo de planetas e naves – em seu favor, para montar uma armadilha.
Enquanto isso, na Enterprise, os tripulantes especulam que seu atacante é o “Destruidor de Mundos”, referência a uma de muitas lendas espaciais similares sobre uma nave gigantesca que é considerada monstruosa até pelos gorns. Eles se preparam para tentar fugir, mesmo com a baixa energia disponível. Para isso, precisarão desconectar um cordão umbilical tóxico que penetrou o casco secundário e coordenar a ativação manual dos propulsores, mesmo sem comunicação interna. Pelia resolve o problema resgatando de sua coleção uma porção de telefones de fio antigos. Com cabeamento interno, poderão evitar o bloqueio de comunicações da nave inimiga. A nave é abordada, e Pike e La’An têm de enfrentar invasores.
Na Farragut, Scotty programa os motores para emitir um sinal de antiprótons capaz de atrair os alienígenas. Como previsto por Kirk, a nave inimiga decide parar para consumir a atraente “refeição”. Com uma manobra de ejeção das naceles da Farragut, ele induz as garras da nave gigante a atacarem a sim mesma. Aproveitando a ocasião, Spock sugere o disparo de torpedos pela “boca” da nave, atingindo-a internamente. Ao mesmo tempo, a Enterprise consegue se desvencilhar, usando os telefones antigos e os propulsores, ativados manualmente com joysticks de videogame também fornecidos por Pelia. Quando um propulsor falha, Una tem a ideia de dar um impulso final abrindo uma porta de descompressão.
A nave inimiga é destruída. Os sensores da Farragut analisam os destroços e encontram cerca de 7.000 sinais de vida, todos humanos, mas sem que haja chance de resgatá-los. Pike, na Enterprise, faz descoberta similar, ao revelar que, sob o pesado traje do alienígena, se esconde um humano. Análises posteriores indicam que se tratava de uma antiga nave humana, lançada da Terra antes mesmo da invenção da dobra espacial, com o intuito de dar continuidade à humanidade após a deterioração ambiental terrestre. Por algum motivo desconhecido, ela se tornou essa monstruosa devoradora de mundos.
Kirk lamenta o resultado de suas ações, com a perda de 7.000 vidas, e Pike o lembra de como decisões de comando pesam sobre quem se senta na cadeira central, elogiando as escolhas, que permitiram salvar a Enterprise, a Farragut e um planeta habitado.
Independentemente do que se pense sobre “The Sehlat Who Ate Its Tail”, trata-se de um momento histórico. O episódio retrata a primeira vez que James T. Kirk é testado de verdade na cadeira de capitão. Essa seria, por si só, uma grande ocasião, mas os roteiristas quiseram carregar ainda mais nas tintas e fazer dessa a primeira oportunidade para que ele liderasse boa parte da tripulação que estaria na Enterprise ao longo de sua famosa missão de cinco anos retratada durante a Série Clássica.
Apesar das conveniências, é inegável que essa apresentação da jornada de Kirk feita em Strange New Worlds é mais crível e efetiva que a feita pelo personagem em Star Trek (2009), em que, num universo alternativo, Kirk vai de cadete a capitão num estalar de dedos. Ainda assim, a afinação não é perfeita. Para forçar o arco do episódio, o tenente-comandante Kirk se mostra displicente e relapso como primeiro oficial da Farragut – o que destoa não só do que sabemos do passado do Kirk nesta linha do tempo como da própria representação dele em episódios anteriores de Strange New Worlds, em particular “Lost in Translation”, da segunda temporada.
Esse Kirk que quer pular etapas e descer direto ao planeta (numa atitude que lembrou a primeira missão planetária do novato capitão Jonathan Archer a bordo da NX-01, em “Strange New World”, de Enterprise) é o mesmo que, anos antes, como alferes, na USS Republic, notou e reportou um erro potencialmente fatal de seu amigo Ben Finney (como revelado em “Court Martial”)? Ou ainda o que ficou conhecido na Academia como “uma pilha de livros com pernas” (informação de “Where No Man Has Gone Before”)?
Por sorte, a capitão V’Rel não ouviu os conselhos dele, ou não restaria Kirk para assumir o comando um instante depois, quando um súbito ataque essencialmente destrói o planeta lá embaixo e obriga o primeiro oficial a assumir o comando.
A trama em si é uma versão adaptada do clássico “The Doomsday Machine”, duas naves estelares contra um “destruidor de mundos”, em que a danificada Constellation dá lugar à danificada Farragut. Felizmente, o episódio introduz diferenças suficientes para não ser mero remake, embora o “golpe final” – atacá-la por dentro – seja essencialmente o mesmo. E a diferença principal é que o segmento clássico não era sobre Matt Decker como este é sobre James Kirk. A ideia é deixar que o capitão interino aprenda na prática como são difíceis as decisões de comando.
O que Kirk teve aqui, e Decker não teve lá, foi boa companhia. A presença de Spock, Scott, Uhura e Chapel foi fundamental para tirá-lo de um estado de “travamento”, como ele mesmo se descreveu, e colocá-lo de volta à ação. A hesitação inicial dele combina com o episódio descrito em “Obsession”, ocorrido também na Farragut, mas anos antes, quando ele era tenente. E a mensagem dos roteiristas é a de que Kirk não se tornaria o personagem que conhecemos não fosse pelas habilidades únicas de seus comandados. Expôr as vísceras do herói em formação é uma atitude ousada e perigosa que a série faz do conforto de não tê-lo de fato como protagonista – afinal, apesar de às vezes não parecer, essa ainda é a série do capitão Pike. A hierarquia fica mais que clara ao final do episódio, num tocante encontro entre os dois.
Outra diferença importante com relação a “The Doomsday Machine” é a surpreendente (talvez nem tanto) revelação de que por trás do “destruidor de mundos” há humanos do século 21. O roteiro deixa nas entrelinhas uma alegoria sobre a humanidade de nossos dias, vocacionada para o consumo desenfreado e autodestrutivo. (Poderia até ser mera coincidência, não houvesse a ênfase de que os astronautas da XVC-100 partiram da Terra depois da Terceira Guerra Mundial, diante da descrença de que a crise ambiental pudesse ser revertida no planeta.) Como metáfora da sociedade contemporânea, é interessante. Mas faltou mergulhar nela. Do jeito que está no episódio, ela serve apenas à trama para colocar um peso na consciência de Kirk, com a morte de 7.000 humanos.
Fora a alegoria, o episódio deixa como mistério como uma nave pré-dobra perdida do século 21 se tornou um monstro devorador de mundos que mete medo em escala galáctica. Talvez seja fruto menos de falta de criatividade, e mais de economia orçamentária. Este episódio, a exemplo de “The Doomsday Machine”, foi projetado para economizar, com filmagens limitadas aos sets regulares da Enterprise, redecorados para fazer também as vezes da Farragut. A reciclagem é tradicional em Star Trek e pode ser feita de maneira bem efetiva, mas aqui ficou um pouco a dever – só é possível distinguir cenas que se passam em uma ou outra nave ao ver os personagens envolvidos nelas, o que exige uma dose extra de atenção do espectador, além de tornar o visual do episódio um pouco enfadonho.
A aparência do “destruidor de mundos”, por sua vez, é intrigante, claramente refletindo seu aspecto de amálgama de muitas naves, mas também um pouco caricata. Talvez pudéssemos ter passado sem dentes em sua bocarra…
De tudo isso, o que brilha mesmo são os momentos. Paul Wesley entrega o seu melhor no episódio, e sua expressão ao “namorar” a cadeira do capitão é perfeita. Note também como ele coloca as mãos à cintura à moda de William Shatner na Série Clássica. A despeito disso, quem tem dificuldade de enxergar o personagem nele depois da marca deixada por seu primeiro intérprete continuará sentindo esse ruído. É o que é.
Ethan Peck, Celia Rose Gooding e Martin Quinn seguem ótimos como Spock, Uhura e Scott. Jess Bush, embora parte do “núcleo Farragut” neste episódio, tem pouco a fazer (exceto cogitar destituir Kirk do comando). A exemplo dela, a Enterprise também pega o banco de trás nessa história, com uma trama secundária divertida (embora não totalmente convincente) envolvendo aparelhos de telefone com fio guardados no quarto de tranqueiras da Pelia – mais uma vez um destaque positivo, com Carol Kane nadando de braçada nas águas da ficção científica.
No fim das contas, temos um bom episódio, que, se não é perfeito ou particularmente original, entrega um momento histórico da vida de James T. Kirk, sinalizando a fagulha que acenderia a chama do grande capitão que todos conheceriam na Série Clássica.
“The Captain has given his orders.”
Escrito por David Reed & Bill Wolkoff
Exibido em 14 de agosto de 2025
Título em português: “O Sehlat que Comeu a Própria Cauda”
Anson Mount como Christopher Pike
Paul Wesley como James T. Kirk
Edição de Maria Lucia Rácz
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