O vinho brasileiro não se constrói só com romantismo — ele exige chão, erro, estratégia e visão de longo prazo. Nesse episódio do SommCast, a conversa com Diego Bertolini parte de uma taça de Nebbiolo da Serra do Sudeste para atravessar décadas de história real do vinho no Brasil. De Bento Gonçalves ao mercado global, Diego é daqueles personagens que viveram o vinho antes dele virar discurso.
A conversa passa pela infância no berço da viticultura gaúcha, pela formação prática dentro de vinícolas, pela quebra de projetos promissores, pela escola dura do mercado e pela virada de chave: entender que não basta fazer vinho bom — é preciso saber vender, posicionar e construir canal. Diego fala sem filtro sobre terroir, multicanalidade, erros históricos do setor, o papel do marketing, da educação e da profissionalização, além de bastidores pouco contados da consolidação do vinho brasileiro no mercado interno e externo.
Esse episódio é um mergulho profundo em tudo aquilo que sustenta o vinho para além da taça: gente, estratégia, política, mercado e propósito. Um papo indispensável para quem produz, vende, comunica ou simplesmente quer entender o vinho brasileiro de forma adulta e conectada com a realidade. Dá o play e escuta com atenção — porque aqui tem aprendizado de verdade.
Destaques
🍷 Memória afetiva e identidade
A primeira lembrança de vinho vem da mesa de casa, do vinho de garrafão, da família e da cultura enraizada na Serra Gaúcha. O vinho aparece como identidade antes de ser produto — e isso molda toda a trajetória.
🌍 Serra do Sudeste e novos terroirs
Diego ajuda a entender por que regiões como a Serra do Sudeste se tornaram estratégicas para o vinho brasileiro, com solos graníticos, menor índice pluviométrico e maior aptidão para tintos de qualidade.
📉 Projetos certos na hora errada
Ganhar prêmio não garante sobrevivência. O episódio escancara como vinícolas premiadas quebraram por falta de mercado preparado, estratégia comercial e timing — uma lição dura, mas essencial.
📊 Vinho também é venda
Um dos pontos mais fortes da conversa: vinho bom é o básico. Atendimento bom é o básico. Conhecer o produto é o básico. O diferencial está na estratégia de canal, no posicionamento e na execução comercial.
🔄 Multicanalidade sem romantismo
Pré e pós-pandemia mudaram tudo. Clube, e-commerce, loja física, B2B, on-trade e off-trade hoje coexistem. Quem não entende isso fica para trás — simples assim.
🏷️ Reposicionamento de produto e mercado
A experiência na Aurora e no reposicionamento do Keep Cooler vira aula prática sobre gôndola, canal, público e percepção de valor — marketing aplicado, sem teoria vazia.
🇧🇷 Marca Brasil e o desafio da origem
Mais difícil do que vender uma vinícola era vender o Brasil como origem. O episódio mostra como o preconceito contra o vinho nacional moldou estratégias, erros e aprendizados.
🤝 O papel do Ibravin e da construção coletiva
Diego detalha bastidores do trabalho institucional, da promoção internacional, das feiras, do relacionamento com importadores e da visão de que o concorrente do vinho não é outro país — é a falta de cultura.
🧠 Razão + emoção no vinho
Nada de extremismos. Agricultura orgânica, leveduras autóctones, viticultura de precisão e inovação precisam caminhar junto com pesquisa, planejamento e viabilidade econômica.
🚀 Vender vinho é vender cultura
No fim, a grande mensagem: vinho é propósito, mas também é método. Sem profissionalismo, não existe mercado sustentável. Sem mercado, não existe cultura.