“Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios. – Como nos havemos de sacrificar? – perguntou Lúcia. – De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores”. Essas palavras foram proferidas pelo Anjo de Portugal em sua segunda aparição (1916) aos 3 Pastorzinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta, como um forte apelo à oração, acompanhada de sacrifícios em desagravo ao Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos pecados da humanidade e por nossa contínua conversão. O Apóstolo São Paulo nos ensina a unirmos os nossos sacrifícios ao de Cristo, para colaborarmos com o Seu múnus salvífico: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1,24). Em seus escritos, a Irmã Lúcia que tanto se esmerou na prática dos sacrifícios, elucida sobre a maneira de como exercitá-los: “Podem ser sacrifícios de bens espirituais, intelectuais, morais, físicos e materiais; segundo os momentos, teremos ocasião de oferecer ora uns, ora outros. O que importa é que estejamos dispostos a aproveitar as ocasiões que se nos deparam; sobretudo que saibamos sacrificar-nos quando isso mesmo é exigido pelo cumprimento do próprio dever para com Deus, para com o próximo e para com nós mesmos”. Tais sacrifícios, de forma voluntária, podem ser oferecidos a Deus, ou seja, são aqueles que livremente nos propomos a praticá-los. A própria Irmã Lúcia deixou um profundo testemunho desses sacrifícios que, junto com os seus primos, ofereceram a Deus: a abstinência na alimentação, visto que, muitas vezes, davam a alimentação levada (para passar o dia de pastoreio das ovelhas) para as crianças pobres; comiam frutos amargos das árvores; ficavam dias sem beber água no verão; atavam-se com uma corda à cintura e batiam-se com folhas de urtigas. Os sacrifícios involuntários são aqueles que nos acontecem inesperadamente e, quando são aceitos e oferecidos sem murmuração, têm maior valor diante de Deus. Geralmente, são provenientes da missão designada por Deus, como narra a Irmã Lúcia. Sofreram a desconfiança, já que nem todos acreditavam na veracidade das aparições de Nossa Senhora, inclusive o pároco; enfrentaram humilhações e insultos. Nesse sentido, podem-se destacar os castigos corporais infligidos à Lúcia por sua mãe que, também, não acreditava que Nossa Senhora lhe aparecia; a perseguição por parte do administrador e a solidão da Jacinta que morre longe dos seus familiares. Esses últimos sacrifícios, quando bem vividos, são os que mais nos adiantam no caminho da nossa santificação, já que nos assemelham mais depressa a Jesus Cristo, manso e humilde (Mt 11,29). Sobre o valor do sacrifício, o Papa Pio XII, em sua Carta Encíclica Mystici Corporis, afirma: “A salvação de muitos, depende das orações e dos sacrifícios voluntários, feitos com essa intenção pelos membros do corpo místico de Jesus Cristo, e da colaboração que pastores e féis, sobretudo os pais e mães de família, devem prestar ao divino Salvador”. Autoria: Áurea Maria, Comunidade Canção Nova.
Fontes: IRMÃ LÚCIA. Apelos da Mensagem de Fátima. 4. ed. Fátima – Portugal: Secretariado dos Pastorinhos, 2007. IRMÃ LÚCIA. Memórias da Irmã Lúcia. 17. ed. Fátima – Portugal: Fundação Francisco e Jacinta Marto, 2015. PIO XII. Carta Encíclica Mysticis Corporis. 29 jun 1943. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi.html . Acesso em: 24 jul 2019. SCHOKEL, Luís Alonso. Bíblia do Peregrino. Tradução de Ivo Storniolo, José Bortolini e José Raimundo Vidigal. São Paulo: Paulus, 2002.