A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça rejeitou, por maioria, o recurso de Deltan Dallagnol e manteve a suspensão da liminar que impedia o andamento de uma investigação contra ele no Tribunal de Contas da União.
Com a decisão, foi restabelecido o andamento da tomada de contas especial que apura o suposto recebimento indevido de cerca de R$ 2,8 milhões em diárias e passagens por parte de Dallagnol, durante a atuação dele na força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.
A investigação foi instaurada em 2020, após representações de parlamentares e do Ministério Público junto ao TCU. O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, determinou a análise da diferença entre os valores pagos e o que seria gasto com a remoção formal dos procuradores para Curitiba.
Dallagnol alegou irregularidades no processo, afirmando não ser responsável pelas despesas. A investigação foi suspensa por liminar da Justiça Federal, mantida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A União, no entanto, recorreu ao STJ e o colegiado da Corte Especial autorizou a retomada do procedimento.
Segundo o relator, ministro Humberto Martins, as liminares concedidas impediram, sem prova clara de ilegalidade, a atuação legítima e independente do TCU. O ministro defendeu a extensão dos efeitos de decisão anterior da Corte, tomada em 2023, por tratar de situação jurídica equivalente.