Tecnocracia

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By Guilherme FelittiTechnology
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Tecnocracia episodes

  • Milícias digitais como o QAnon ameaçam, com a ajuda das redes sociais, o pacto civilizatório

    Quando eu entrei no jornalismo e, especificamente, no jornalismo de tecnologia, o clima que conduzia a área era de otimismo. Meu primeiro texto foi publicado em 2003, quando eu estava no terceiro ano de faculdade, o Google ainda era uma startup a se provar, Microsoft e GE se alternavam como maior empresa do mundo, a Nokia estava a quatro anos de lançar seu primeiro smartphone realmente popular, o N951, e Mark Zuckerberg era apenas um estudante de Harvard que fundaria o Facebook no ano seguinte2. O mundo ainda estava escalando a ladeira do “tecno-otimismo”, incentivado por algumas novidades que soavam, à primeira vista, como se fossem piadas.

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    42 min
  • O Brasil real não cabe nas discussões delirantes do Twitter

    Em 1924, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarsila do Amaral eram três dos artistas mais relevantes do Brasil. Os três tiveram participação decisiva na Semana de Arte Moderna dois anos antes, um movimento artístico que desencadeou o Modernismo no Brasil ao questionar e reinventar alguns pilares nos quais a arte tradicionalmente se apoiava até então. O movimento reuniu escritores, poetas, pintores, escultores, músicos com o intuito de propor uma nova visão sobre o que era produzir arte e, principalmente, como se desvencilhar daquele modelo clássico trazido da Europa e regurgitado até então.

    A arte produzida no Brasil desde a vinda da Corte Portuguesa, cheia de pintores que vieram tentar a vida por aqui, reproduzia muito o que era praticado na Europa sem adaptações radicais. Desde que um sujeito francês chamado Jean-Baptiste Debret desembarcou no Brasil quase uma década depois da corte portuguesa e se tornou uma espécie de pintor oficial do reino, a arte brasileira seguia as suas pegadas. Quando o Museu do Ipiranga estiver aberto (sabe-se lá quando) você vai poder ver isso expresso na tela “Independência ou Morte ou O Grito do Ipiranga”, do Pedro Américo, recriando Dom Pedro I declarando a independência do Brasil. Tudo é clássico: a composição, as cores, o tema, a maneira como o brasileiro é retratado como um capiau que não entende nada do que está acontecendo… Você pode achar que a tela do Pedro Américo é muito distante da Semana de 22; não é. A tela é de 1888, 80 anos depois do desembarque da corte e 34 anos antes do movimento modernista, o que serve para mostrar também como o Brasil é novo.

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    40 min
  • O manual de eleição digital para o fascista moderno chegar ao poder

    Ouviu o Tecnocracia e veio aqui em busca dos links citados?

    • Cinco dos dez canais que explodiram no ranking do YouTube durante as eleições são de extrema-direita, no The Intercept.
    • Sites que apoiam Bolsonaro apagaram centenas de vídeos nos últimos meses, no Jornal Nacional.
    • Gab, a rede social dos conservadores, testa os limites da liberdade de expressão.
    • Poucas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, um dos candidatos, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou que havia registrado seu plano de governo em uma blockchain, a tecnologia por trás do bitcoin. No site da campanha, já fora do ar, mas ainda disponível na Wayback Machine, o comunicado oficial explicava que o registro na blockchain era uma forma de garantir que as propostas, “constantemente modificadas para a manipulação de eleitores”, chegariam a eles na íntegra. Eleitores em dúvida sobre as “teorias criadas pela rede de desinformação do candidato opositor” poderiam, em tese, conferir se era mentira ou não.

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      44 min
    • Mark Zuckerberg está no lado errado da história

      Em 1954, a Suprema Corte dos Estados Unidos julgou inconstitucional, por unanimidade, a segregação racial nas escolas do país. Até então, os governos estaduais definiam se alunos brancos e negros seriam misturados ou se cada um iria para uma escola diferente — em sua maioria esmagadora, as escolas frequentadas pelos brancos não eram as mesmas escolas frequentadas pelos negros. Estudos feitos nas décadas seguintes mostraram que as escolas dos brancos recebiam mais dinheiro do governo e eram melhores em qualidade educacional que as escolas dos negros.

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      42 min
    • Todo dia ela faz tudo sempre igual: trabalho em tempos de COVID-19

      Além do cappuccino, do Vaticano e do fascismo, a sociedade moderna deve à Itália o conceito de empresa. Ainda que grupos de pessoas venham se unindo sob uma mesma organização para fazer comércio desde a Mesopotâmia, 3 mil anos antes de Cristo, foi durante o Império Romano que tomou forma a estrutura da empresa que conhecemos até hoje.

      “Eles certamente criaram alguns dos conceitos fundamentais de legislação corporativa, particularmente a ideia de que uma associação de pessoas pode ter uma identidade coletiva separada dos seus componentes humanos. Eles ligavam as companhias à família, a unidade básica da sociedade. Os sócios — ou ‘socii’ — deixavam a maior parte das decisões gerenciais para os gerentes, que, por sua vez, operavam o negócio, administravam os agentes no campo e mantinham ‘tabulae accepti et expensi’, os livros de contabilidade”. Ainda que os romanos tenham dado a primeira forma, foram outros italianos que, baseado no que os romanos já tinham criado, aperfeiçoaram o modelo. Esse trecho é de um livro excepcional chamado The company: A short history of a revolutionary idea, de dois jornalistas da revista The Economist, John Micklethwait e Adrian Wooldridge.

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      29 min
    • O mundo pós-COVID-19: há pouco de novo no “novo normal”

      O escritor argentino Julio Cortázar publicou em 1969 o conto que melhor sintetiza a passagem de tempo na literatura mundial, segundo a minha opinião. Chama-se A auto-estrada do Sul e está num livro chamado Todos os fogos o fogo”. No conto, uma multidão de carros avança por uma estrada que liga o interior da França a Paris numa tarde de domingo até que todos são obrigados a parar em um congestionamento. Naquele anda e para conhecido por qualquer um que já tenha passado horas em um engarrafamento, os carros seguem por quilômetros até que param completamente.

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      35 min
    • A SoftBank colocou os unicórnios em coma e o coronavírus desligou os aparelhos

      No basquete, há uma expressão chamada “heat check”. A Luciana Gimenez vai explicar para você. (Seria ótimo se agora entrasse a Luciana real explicando, mas eu não tenho contatos na high society, então quem vai ter que explicar o que é sou eu.) Basicamente, o “heat check” é quando um jogador percebe que está num daqueles dias em que tudo dá certo e vai checando o quanto a mão está quente (por isso “checagem de calor”). Arremessar uma bola num aro distante não é fácil. Na linha de três pontos, é ainda pior. Mesmo com anos de treino e seguidas horas diárias repetindo o movimento dos braços e das mãos, os melhores arremessadores têm uma média próxima a 50% de acertos de bolas de três, ou seja, a cada dois arremessos, um entra. A média de todos os jogadores está quase em 30%.

      Um dos atletas com mais momentos de “heat check” na NBA se chama Klay Thompson e ainda joga — quer dizer, ele sofreu uma lesão horrenda em 2019 e só deverá voltar às quadras no fim do ano. Um dos maiores “heat checks” do Klay aconteceu em 12 de maio de 2016, quando o time dele, o Golden State Warriors, jogava contra o Indiana Pacers na Califórnia. De qualquer lugar que ele arremessasse a bola caía. Em 29 minutos em quadra (vamos lembrar que jogo de basquete são 4 tempos de 12 minutos, num total, claro, de 48 minutos), Klay Thompson fez 60 pontos. Chegou um momento da noite em que a torcida sabia que a bola que saísse das mãos dele ia entrar. Era o clássico dia em que tudo dá certo. Por mais que você treine, ainda assim um dia ruim pode impactar sua habilidade de executar o que você vem treinando sua vida toda para.

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      31 min
    • O coronavírus tirou qualquer freio à invasão da tecnologia na sociedade

      Quando conquistadores holandeses aportaram na Austrália para explorar uma região no oeste do país, a crença global era de que cisnes só eram encontrados em uma cor: branco. A certeza era tamanha que, na Inglaterra medieval, um dos ditados populares usava a expressão “cisne negro” para professar algo impossível. Acreditava-se na época que a probabilidade de ver uma ave negra era a mesma de ver um porco voando.

      Foi por essa razão que a expedição liderada por Willem de Vlamingh ficou atônita quando viu, nadando no Swan River (Swan é cisne em inglês), um cisne negro. O bicho existia. Além de ter virado uma ave ornamental nos séculos seguintes e povoado todos os continentes depois que os holandeses levaram centenas de espécimes embora, o cisne negro virou também o mote de uma teoria econômica.

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      28 min
    • Por trás das campanhas de desinformação sempre tem alguém lucrando — e não é você

      Em 1867, uma molecada estava brincando perto da margem do rio Orange na cidade de Hopetown, África do Sul, quando notou umas pedrinhas brilhantes no leito do rio. As pedrinhas, abundantemente espalhadas, acabaram sendo usadas em jogos que o filho do dono da fazenda, Erasmo, jogava com as crianças da vizinhança. A mãe de Erasmo notou que as pedrinhas eram realmente muito brilhantes e mostrou a um fazendeiro vizinho, que se dispôs a comprá-las. Algo lhe dizia que aquilo não eram simples seixos de rio. A ideia era levar para geólogos em Hopetown e na cidade vizinha Colesberg para analisar um potencial valor.

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      31 min

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    O Tecnocracia é uma coluna mensal que debate as consequências de se viver sob a influência das tecnologia.

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