Quando eu e Sarah Correia decidimos fazer um podcast, o nome Teta de Sócrates surgiu como uma piada interna, uma escolha brincalhona e subversiva da formalidade acadêmica. Coincidência ou não, nossa ideia partiu da área que somos especialistas, a Antiguidade. Das sugestões, acabamos chegando em Sócrates, expoente da filosofia, área que de muitas maneiras forneceu os primeiros aparatos para construção da Ciência na modernidade. A partir de seus fundamentos nos questionamos: Por que isso existe? Porque aquilo se expressa daquela maneira? Onde? Como? Em tom jocoso, poderia dizer que se Sócrates não tivesse sido tão questionador da ordem estabelecida em Atenas, ele não teria sido morto. Pois bem, é justamente por seus questionamentos envolvendo a novíssima Democracia, que ele passou a ser tão celebrado pelos cânones filosóficos séculos depois. Por causa dele e de tantos outros curiosos, inquietos e indagadores não conheceríamos o alpha e beta, não veríamos a Θ (teta).
A túnica se foi, mas a insistência em conhecer, questionar ficou conosco, cientistas, até os dias atuais. Sem dúvida Sócrates foi um homem polêmico em seu tempo, um rebelde em busca do conhecimento. E o que dizer de suas tetas ou, como diriam de forma rígida, antropocêntrica, seu peito? Aqueles biologicamente não desenvolvidos, por vezes escondidos por túnicas ou soltas ao vento, em um ato de liberdade irrestrita aos homens. Aqueles que não tem medo de expor, como nós. Nós que assimilamos e subvertemos a categoria biológica em busca da pluralidade e diversidade de corpos, identidades, sociedades e suas maneiras de estar e se posicionar no mundo.
Por isso falamos, conversamos, buscamos. Nosso bate papo carrega uma proposta feita de peito aberto para que o grande público conheça por quais caminhos construímos nossos saberes, em uma estrada que está longe de Castelos Acadêmicos intransponíveis. Então venha, pode entrar! Em uma teta levamos a letra, uma entre tantas do alfabeto, que ajuda a construir palavras, saberes e que faz pensar, filosofar, e é raiz de línguas e alfabetos. Em outra teta convidamos a interpretar a expressão dos corpos a partir de uma perspectiva humanística, sabendo ser ele fonte de desejo ou desconforto, que cria, indaga, transforma e que fornece alimento rico (físico ou mental) para o “outro”.
Pelos mesmos motivos ouvimos e compartilhamos o que a indagação humana provoca nos curiosos e nos questionadores, que com a beca chamamos de pesquisadores. Através de suas pesquisas passamos a entender melhor as especificidades sociais, culturais, políticas, econômicas de um período, lugar ou grupo social, ao mesmo tempo em que identificamos as raízes estruturais de cada fazer científico. E esse fazer científico possui marcas coloniais, vistas a partir das vozes de mulheres latino americanas, periféricas e desafiadoras, que tal qual as tetas não se fixam à túnica ou ao nome que lhe atribuíram.
Não importa se chamam de seio, mama, peito; não importa seu formato ou tamanho. Seja através de representações ou na vida, nós da Teta de Sócrates buscamos alimento onde ele estiver.
O podcast Teta de Sócrates conta com o apoio de difusão científica do INCT proprietas e, juntos, te convidamos para participar dessa jornada descontraída para conhecer as pesquisas e os pesquisadores latino americanos, brasileiros em ciências humanas. Venha e deixe a teta te alimentar!