Coluna Atílio Bari

Tiradentes: da execução ao mito nacional brasileiro


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Na coluna desta semana, escrita no feriado de 21 de abril, Atílio Bari retoma a história de Tiradentes para refletir sobre sua trajetória e construção como símbolo nacional. Joaquim José da Silva Xavier foi executado em 1792, acusado de liderar a Inconfidência Mineira, movimento contra os impostos da Coroa Portuguesa. Ao longo do tempo, sua figura inspirou obras importantes, como peças teatrais e o “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, consolidando sua presença no imaginário histórico e cultural brasileiro.

Diferentemente de outros inconfidentes, Tiradentes não fazia parte da elite influente da época. Embora tivesse posses e atuasse como alferes, não contava com proteção política, militar ou religiosa durante o longo processo judicial. Enquanto outros envolvidos conseguiram preservar bens e reduzir punições por meio de manobras e relações de poder, ele acabou isolado, sendo o mais penalizado — perdeu tudo e foi executado, tornando-se o principal bode expiatório do movimento.

Após a morte, sua imagem caiu no esquecimento por décadas, sendo resgatada apenas com a Proclamação da República, quando passou a ser construído como herói nacional. Essa reconstrução atendeu a interesses políticos e simbólicos, aproximando-o tanto do povo quanto de instituições como o Exército e a Igreja. A partir disso, Tiradentes tornou-se figura central na memória nacional — mas sua história também levanta questionamentos atuais sobre poder, injustiça e os riscos enfrentados por quem desafia estruturas dominantes.

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Coluna Atílio BariBy Atilio Bari