Coluna Atílio Bari

Coluna Atílio Bari

By Atilio BariArtsVisual Arts
Download on the App Store

Coluna Atílio Bari episodes

  • Espetáculo revive passagem de Sarah Bernhardt por São Paulo

    Na coluna desta quarta-feira, Átilio Bari comenta o espetáculo “Sarah Bernhardt em São Paulo”, que resgata a passagem da célebre atriz francesa pela capital paulista no final do século 19, pouco antes da abolição da escravidão no Brasil. Considerada uma das maiores estrelas de seu tempo, Sarah encantou o público da cidade, especialmente os estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. A montagem também revisita histórias e lendas sobre a artista, conhecida por desafiar os costumes da época e interpretar personagens masculinos, como Hamlet.

    Com texto de Samir Yazbek, a peça relaciona a visita da atriz às lutas abolicionistas e ao contexto de uma São Paulo que tinha no café sua principal atividade econômica. A dramaturgia reúne personagens de diferentes períodos históricos, como Venceslau Brás, Florêncio de Abreu e a advogada piauiense Esperança Garcia, para construir um diálogo entre fatos, discursos e acontecimentos.

    A direção é de Ulysses Cruz, com iluminação de Aline Santini. No elenco, Arietha Corrêa interpreta Sarah Bernhardt, enquanto Barbara Bruno vive Louise Abbéma, pintora e companheira da atriz. Daniel Haidar também integra a montagem, no papel de um jovem ligado à elite cafeeira e contrário às ideias abolicionistas. “Sarah Bernhardt em São Paulo” está em cartaz no Sesc Santana, de quinta-feira a domingo, até 22 de novembro.

    6 min
  • “Filumena Marturano” leva comédia italiana ao palco do Sesi

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta a nova montagem de “Filumena Marturano”, em cartaz no Teatro do Sesi. Escrita em 1946 pelo napolitano Eduardo de Filippo, considerado um dos artistas mais importantes da Itália no século 20, a peça ganha uma produção do Grupo Tapa, com direção de Eduardo Tolentino de Araújo, reconhecido pelo trabalho tanto com dramas quanto com comédias. A obra retrata uma situação dramática pelas lentes do humor, uma das marcas do autor.

    Na história, Filumena acaba de se casar com Domenico, um homem rico com quem vive há muitos anos. O casamento, porém, é resultado de uma armação: ela finge estar à beira da morte e convence o companheiro a realizar seu último desejo. Após a cerimônia, revela-se saudável, deixando Domenico furioso e decidido a anular a união. Sandra Corveloni interpreta a protagonista, uma mulher determinada a defender seus três filhos, enquanto André Garolli vive o marido.

    A montagem também reúne cenografia de Flávio Tolezani, figurinos de Mariana Baffa e cançonetas napolitanas interpretadas pelo elenco. “Filumena Marturano” está em cartaz de quinta a domingo, no Teatro do Sesi, com entrada gratuita. Os ingressos podem ser reservados pelo site do Sesi. Não haverá sessão no domingo, dia 25, em razão do segundo turno das eleições.

    6 min
  • Dramas da paternidade em isolamento

    Na coluna desta quarta-feira (23), Atílio Bari comenta a peça “O menor palco do mundo”, com Vladimir Brichta, em cartaz no Teatro Vivo. É o primeiro monólogo do ator mineiro, criado na Bahia, que retorna ao teatro após um período de ausência, dedicando-se a trabalhos no cinema e na televisão. Com base na obra homônima do escritor australiano Kim Crotty, Brichta debate temas como isolamento, vínculos familiares e amor parental. No texto, o autor narra a maneira que encontroupara manter a conexão com os filhos durante período na prisão, condenado por manter uma plantação ilegal de cannabis na própria casa. Cartas e desenhos o ajudaram a enfrentar o sofrimento e o desespero na tentativa de dialogar com a família.


    A montagem segue o fio condutor do material original, e, com direção Luiz Felipe Reis, se desenrola no espaço estabelecido por paredes, a cela em que o protagonista vive a solidão, escreve e rabisca. Atilio Bari aborda a relação quase íntima que Vladimir Brichta apresenta com o solo: a tragédia pessoal da perda de sua esposa aos 21 anos e o afastamento do convívio com a filha pequena, episódio que evoluiu para uma longa disputa judicial pelos cuidados de Agnes Brichta.


    6 min
  • Teatro e democracia se envolvem e se conflitam

    Na coluna desta quarta-feira (07), Atílio Bari comenta opapel do teatro na democracia, em sequência ao primeiro turno das eleições no último domingo (04).

    A conexão analisada remonta ao período da Grécia Antiga,local onde a arena teatral refletia a vida da pólis e incitava o debate ao colocar o público diante dos conflitos sociais, morais, éticos e políticos que regiam sua convivência como povo.

    6 min
  • “Feliz ano velho” ganha versão musical nos palcos

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta “Feliz ano velho – O musical”, em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca até 22 de novembro. A montagem, dirigida por Gustavo Barchilon e adaptada por Marilia Toledo, parte do livro lançado por Marcelo Rubens Paiva em 1982 para revisitar a trajetória do autor após o acidente que o deixou tetraplégico, em 1979.

    A obra também recupera lembranças dos amores, da participação política e de outros momentos da juventude do filho do deputado Rubens Paiva, sendo um deles quando o pai foi assassinado durante a ditadura militar em 1971 e dado como desaparecido até 1996, quando a mãe de Marcelo, Eunice Paiva, recebeu a certidão de óbito de seu marido.

    No palco, a história coloca frente a frente o Marcelo jovem (Hugo Bonémer) e o Marcelo adulto (Bruno Garcia), mais de 45 anos após o acidente, para abordar as transformações que permitiram ao escritor se reinventar.

    O musical “Feliz ano velho” incorpora recursos audiovisuais e é sonorizado ao vivo, por uma banda que executa sucessos do rock brasileiro dos anos 1980, incluindo músicas de Cazuza, Legião Urbana, Rita Lee e Barão Vermelho.


    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

    5 min
  • Musical retrata dramas e glórias de Édith Piaf

    Na coluna desta quarta-feira (23), Atilio Bari comenta o musical “Piaf – Eu não me arrependo”, no Teatro Bradesco, que retrata a trajetória pessoal e artística da cantora francesa Édith Piaf, abordando suas tragédias e glórias até sua morte em 1963, aos 47 anos. Com direção de Sérgio Módena e dramaturgia de Newton Moreno e Alessandro Toller, o espetáculo tem o título inspirado na canção “Non, je ne regrette rien”, uma das últimas gravadas pela artista, e passa por momentos de abandono, pobreza, alcoolismo, amor, perda e reinvenção na história de Édith.

     

    A voz de Piaf marcou o século XX e, nesta realização da Aventura Produções, é reproduzida pela atriz Laila Garin, escolhida para retratar a musicista e seu universo melodramático, que se conectou à obra da cantora de maneira indissociável. A artista francesa, segundo o colunista, representa a “alma da França”.

    6 min
  • “Boca a boca” leva a fúria de Gregório ao palco

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “Boca a boca – um solo para Gregório”, que apresenta a obra de Gregório de Matos, poeta barroco baiano conhecido como “Boca do Inferno”. Advogado de formação e considerado o primeiro grande poeta do Brasil colonial, Gregório ficou marcado por seus versos satíricos contra autoridades, religiosos, ricos e os costumes da sociedade de seu tempo.

    A crítica de Gregório de Matos não poupava sequer a população diante da exploração e dos maus-tratos que marcavam a Bahia colonial. Em um de seus poemas, questionava: “De que pode servir o calar de quem cala, / Nunca se há de falar, o que se sente?”. A postura combativa lhe rendeu perseguições, prisões e, posteriormente, o exílio em Angola. Expulso da Bahia, ele retornou ao Brasil sob a condição de não voltar a Salvador e morreu em Recife. Seus poemas só seriam publicados cerca de um século depois de sua morte, preservados principalmente por meio de cópias feitas por admiradores.

    No espetáculo, o ator baiano Ricardo Bittencourt leva ao palco a fúria, o sarcasmo, o lirismo, a religiosidade e o erotismo do poeta. Segundo Bari, Bittencourt “explode em cena os poemas do Boca do Inferno”, explorando a sonoridade dos versos e transitando entre as sátiras, os textos religiosos e os poemas eróticos. Com direção de Bittencourt e João Sanches e trilha sonora ao vivo de Adriano Salhab, que reúne nomes como Ramones, Nirvana, Gilberto Gil e Caetano Veloso, “Boca a boca” encerra sua curta temporada neste domingo, no Sesc Belenzinho.

    6 min
  • Aderbal Freire-Filho: um mergulho não-biográfico

    Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta o livro “Teatro aberto: escritos de um diretor”, publicado em abril pela Editora Cobogó. O título foi organizado por Patrick Pessoa, encarregado de ordenar o material deixado por Aderbal Freire-Filho (1941-2023), um dos grandes diretores teatrais do Brasil e pensador das artes. O livro é uma coletânea de reflexões e textos que ele produziu para os programas das suas peças, tais como “Apareceu a Margarida”, “O tiro que mudou a história”, “As centenárias” e “O carteiro e o poeta”.
    
    A mente do autor desses escritos se torna o objeto central da publicação e, de maneira descontínua, mergulha num amante da arte que criou companhias teatrais, dirigiu espetáculos em diversos locais do mundo e fez parte do reerguimento da SBAT, a centenária Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.

    5 min
  • Regina Casé reflete sobre o futuro da Terra em “Viva! Vida!”

    Na coluna desta quarta-feira (22), Atílio Bari comenta “Viva! Vida!”, espetáculo estrelado por Regina Casé, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso. A montagem, com texto de Estêvão Ciavatta e direção de Daniela Thomas, parte de uma espécie de biografia do planeta — do Big Bang aos dias atuais — para abordar temas como aquecimento global, desmatamento e poluição.

    No palco, Regina alia interpretação e tecnologia em uma encenação marcada pela interação com um grande painel de LED e pelo uso do celular como elemento narrativo. A partir daí, estabelece um paralelo entre a internet criada pelos seres humanos e a chamada "wood wide web", rede subterrânea de comunicação das árvores, mostrando de forma acessível conceitos científicos complexos. Para Bari, é "encantadora a forma como conceitos como esse são apresentados em cena".

    Após quase três décadas longe dos palcos paulistas, Regina retorna com uma temporada curta, até 2 de agosto, mas com um espetáculo que o colunista define como inteligente, divertido e emocionante. Segundo ele, a peça reforça a necessidade de uma convivência mais equilibrada entre sociedade e natureza e lembra que "é possível convivermos de maneira harmoniosa com o shopping e a mata", uma reflexão que considera essencial para a própria sobrevivência humana.

    5 min
  • “Édipo”: tragédia clássica em contornos contemporâneos

    Na coluna desta quarta-feira (15), Atílio Bari comenta o espetáculo “Édipo”, do grupo Círculo de Atores, em cartaz no Auditório do Masp. A montagem é uma revisita do dramaturgo inglês Robert Icke a “Édipo Rei”, peça de mais de 2.400 anos escrita pelo grego Sófocles. Na trama, o protagonista Édipo, Rei de Tebas, perfura os próprios olhos ao se deparar com a previsão de que mataria seu pai e se casaria com a própria mãe.
    
    Já Robert Icke buscou reimaginar o trabalho de Sófocles, trazendo o protagonista para os dias atuais. Édipo é apresentado como um político popular que aguarda sua eleição por grande margem de votos. No foco da obra está a noite de espera pelo resultado das urnas e a relação com sua esposa, Jocasta, com quem mantém forte vínculo.


    “Édipo” traz à modernidade os conflitos e dramas humanos que, mesmo produzidos dois milênios atrás, apresentam a capacidade de serem transportados para dilemas contemporâneos. O espetáculo está em cartaz de sexta a domingo, até 6 de setembro.


    6 min

About Coluna Atílio Bari

From the publisher's feed

Coluna Atílio Bari