não sei como dizer de outra maneira.
a real,
simples e ingênua é que
eu tô chateado de ser um humano
e não falo do fato de eu ser uma consciência presa a um corpo,
que não pediu pra nascer
e que tem medo de morrer.
uma vez aceito isso (sim, relutantemente e com pouca firmeza),
ainda assim fica a questão:
eu não me entendo.
humano.
me olho no espelho e
há um rabo,
de macaco, de diabo.
em dias,
de rato.
há uma coisa selvagem e
predatória dentro de mim;
o mundo é bom
mas todos ao redor estão esfolados.
e por quem, senão por nós mesmos?
sabe?
que porra é essa?
procuro no fundo escuro de meus olhos,
apalpo o rabo mais uma vez até a ponta;
fico em silêncio;
mas ainda assim eu não me entendo;
eu não nos entendo.
eu não entendo esse sangue
em todo os meus intentos