Momento Literário

Um Deus comum


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As religiões Abrámicas ou religiões do livro, revelam através de seus cultos, uma maior proximidade entre si do que quais queres outras religiões do passado… O judaísmo, o cristianismo e o islamismo, partilham entre si, mais do que valores, profetas. O sistema de crenças destas três religiões é um lugar-comum: todas elas creem no culto através do livro; a Bíblia foi escrita por mortais entre 1.500 antes de cristo, e 450 antes de cristo, o velho testamento, e entre 45 depois de cristo e 90 despois de cristo, o novo testamento. Quer isto dizer que a Bíblia foi sendo escrita por homens, num período de quase 1600 anos. Dos seus autores assinam o antigo testamento personagens místicas como Moisés o salvador do povo judeu, e Salomão, filho de David, terceiro rei de Israel. Os apóstolos de Cristo terminaram a saga no pós-morte do nazareno.

A aparição do espírito santo a Maria, mãe de cristo, é retratada da mesma forma na Bíblia e no Corão. E Jesus é considerado profeta da palavra do Senhor, em ambas as religiões. Não só Jesus, mas também Adão, Noé, Abrão, Ismael, João Batista e Moisés estão, entre outros, presentes no Islão, no Cristianismo e no Judaísmo. A religião islâmica acredita que Jesus, ou “Isa”, profetizou a vinda do profeta, que ao longo de 40 anos havia de transformar a palavra de Deus, em livro, o Corão de Maomé. Os mesmos 40 anos em que o povo judeu guiado por Moisés atravessou o deserto em busca da terra prometida. Durante a travessia do Sinai deus ditou a Moisés a Torá, ou o pergaminho sagrado dos Judeus.
Para completar esta tríade monoteística, surge o irmão mais velho do cristianismo, o judaísmo. A Tora enquanto livro sagrado do povo judaico, corresponde a grande parte do antigo testamento da Bíblia e partilha profetas e profecias históricas com o Islão, escritas obviamente no Corão e na Tora, como a proibição expressa da carne de porco. No entanto a religião judaica, espera ainda pela vinda do seu salvador.
Todas estas religiões, anteveem em grosso modo dos hebreus. Este foi o primeiro povo vincadamente monoteísta. Acreditavam na palavra de um só Deus, através de Abrão.
Adão e Eva dedicaram-se unicamente a pecar, e mais tarde, a reproduzir… das suas reproduções surgiram entre outros, três filhos notórios: abel, sete e caim.
Caim assassinou Abel e tornou-se assim, para culto futuro da religião, o primeiro assassino da humanidade. Depois da morte de Abel, nasceu Set, e Eva viu nele uma premonição de Deus, a representação do bem, em contraponto com Caim, para sempre amaldiçoado. Também Set antes de se perder no tempo, e dar origem à expressão, “do tempo de Set”, teve filhos, que por sua vez, filhos tiveram, e Noé, que salvou a humanidade do dilúvio, profeta do Islão, herói bíblico e contado por Moisés, possuía em Adão o seu “octaavô”. O dilúvio do divino, pôs fim aos descendentes de Caim, e prolongou os de Set, através dos filhos de Noé. Noé para além de ter vivido biblicamente 950 anos, teve três filhos, que à imagem do primeiro casal, se dedicaram a repovoar a terra, limpa pelo dilúvio.
Dos filhos, dos filhos, de Noé há de surgir Abraão, fundador do monoteísmo hebraico, e líder espiritual dos hebreus. E assim sendo, fundador do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. O mundo islâmico encontra em Abraão a sua ancestralidade através Ishmael, o seu filho. O cristianismo e judaísmo encontram nele o primeiro dos patriarcas bíblicos.
Os arqueológos modernos nunca encontraram nenhuma prova da existência de Abraão. Afinal, o homem que fundou a ideia de um Deus comum viveu, e se viveu, segundo a teologia, à aproximadamente 3 720 anos. E isso é já demasiado tempo, para um podcast tão curto.
O que é certo, é que a crença em Deus enquanto unidade ficou, tanto no islamismo, como no judaísmo e cristianismo, mas sobre isso, saberá melhor Abrão.

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