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“ Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada? porque certamente criará asas e voará ao céu como a águia.” ( Pv. 23:5)
Ser marcado pela cruz é estar disposto a deixar sua própria glória. É decidir renunciar um trono todos os dias. Deixar seu governo próprio e uma filosofia de vida contrária aos princípios de Deus chamada “mundo”. Assim como a águia constrói seu ninho nas alturas, minha história precisa ser construída longe das influências da terra. O que me influencia me corrompe ou me constrói, me empodera ou me aprisiona. Quem se move nos lugares altos tem visão ampliada, tem seu ninho protegido e seu refúgio se apoia na fenda das rochas. O ninho da águia reflete um lugar de fidelidade, lealdade e santidade. E fidelidade será o princípio que te levará a voar sobre as tempestades. Só voa quem não está preso a nada terreno. Toda trajetória da águia se manifesta nas alturas, seja sua força, sua agilidade ou sua ousadia. Quem voa, governa e quem toca os céus ordena. Por isso, seja fiel a cruz, voe e uma nova dimensão de governo estará disponível ao teu espirito.
"Morreu Elimeleque, marido de Noemi, e ela ficou sozinha, com seus dois filhos (...)Depois de terem morado lá por quase dez anos, morreram também Malom e Quiliom, e Noemi ficou sozinha, sem os seus dois filhos e sem o seu marido." ( Rute 1:3-5)
Quando falta o pão o que é escasso nasce. Pão carrega fermento e fermento fala de crescimento, de expansão, de medidas multiplicadas. Havia faltado pão na Casa do Pão. Em Belém Efrata, a estação da fartura e da abundância havia acabado. Então Elimeleque decide sair com sua família da estação da falta para a estação da maldição. Nenhuma falta ou nenhum limite poderia ser superior àquilo que fez Elimeleque mover sua casa para um ambiente maldito, para a casa do inimigo. Os moabitas eram inimigos ativos de Israel, mas por conta da falta do pão nos arredores de Belém, o esposo de Noemi decide fazer uma aliança com aquela nação; decide sair fora do propósito e se mover para longe da sua origem. Toda criatura fora da sua origem não se sustém por si mesma. Sair e se desconectar do ambiente do Pai por conta de um processo era no mínimo letal. Quem se desconecta da fonte apaga seu destino, e o que seria apenas alguns dias, se torna um ciclo. Elimeleque passa dez anos em Moabe, e fugindo do processo da falta ele acessa o portal das perdas. Toda aliança com o inimigo gera morte sobre si mesmo e sobre sua descendência. Elimeleque morre, seus filhos morrem e se Noemi não volta para Belém, eu creio que ela também viveria uma fatalidade. Suporte o processo. Não faça das faltas justificativas para alianças profanas. Faltas acionam milagres, e elas serão chaves que te levarão a viver o tempo do sobrenatural e a enxergar o maná descendo sobre tua casa outra vez.
"Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: "Mestre, não te importas que morramos? "( Lc 4:38)
Não há nada mais desesperador do que o silêncio de Jesus em meio a tempestade. O barulho das ondas e o assobiar dos ventos não traziam tanto desespero quanto a quietude de Jesus dentro do barco. O silêncio dos céus não significa rejeição, mas um tempo de preparo. O mar da Galiléia na verdade era um lago, mas por ser cercado de montanhas, o vento formava tempestades gigantescas inesperadamente. Os discípulos já conheciam aquele ambiente, estavam em obediência, eram pescadores e dominavam a arte marítima. Mas as águas começaram a entrar no barco. Não só entrar como subir, e o limite de refúgio que eles tinham não estava sendo suficiente. As paredes da embarcação serviam de proteção, mas agora, diante das ondas, sua proteção se tornava ineficaz. A sensação de fragilidade desesperava os discípulos. A questão é que o Verbo havia empenhado uma Palavra. Segundo Jesus, eles atravessariam para o outro lado, e ao contrário do que pensamos, palavras não são agentes de comunicação apenas; são agentes de criação. A palavra tem poder de criar, definir, restaurar, restituir. Não havia nada quando, no princípio, Deus criou tudo. Então se você não tem nada, aquiete seu coração. Basta uma Palavra e em segundos, o Pai criará em seu favor o tudo. Jesus havia falado que atravessariam e suas palavras são decretos. Todos os seus recursos se esgotarão para você entender que o que te fará chegar do outro lado será a Palavra que Ele determinou e não a realidade que você administrou. O processo nunca será pelo que você faz e sim por quem Ele é.
“Ora, os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em Jerusalém; em nome do Deus de Israel lhes profetizaram.”( Ag 5:1)
O mover do Espírito se dá por meio da Palavra. É por ela que tudo se cria. Antes da arte de comunicar, a palavra sempre terá efeito criativo. A obra em Ageu havia sido interrompida, mas Ageu começa a profetizar e depois de aproximadamente quinze anos de estagnação o templo começou a ser reerguido novamente. A Palavra traz de volta a construção do futuro. Quando fazemos os alicerces de uma casa, ali já está desenhado como serão os cômodos. O alicerce já aponta para o que será criado. Os alicerces do templo já haviam sido lançados, mas as mãos do povo enfraqueceram e o desânimo de construir o futuro paralisou o que Deus havia sonhado para aquela geração. Mas, uma Palavra se levanta. Ageu profetiza, tudo volta a ser reconstruído e os olhos do Senhor estavam sobre aquele negócio. A Bíblia diz que na reconstrução os profetas ajudaram. Não com cimentos, não com tijolos, mas com revelações que vinham do alto, encorajando, ministrando, alinhando e construindo no mundo espiritual o que seria estabelecido no físico. O mover do sobrenatural em sua vida será construído através da Palavra em sua boca. Os ciclos de estagnação, desânimo e paralisia só se romperão quando você ativar pelas tuas declarações o que não existe. O Espirito se moverá e será a força de reconstrução dos sonhos que você carrega, dos alicerces que você lançou e esqueceu, dos investimentos que você projetou e abandonou. Volte a construir o que o céu te entregou e a glória da segunda casa em sua história será maior que a primeira. A ativação do futuro virá do movimento das tuas declarações no Espirito, do fluir das tuas fontes. Profetize hoje, profetize amanhã e enquanto não se completar o que você sonhou, não pare. Os alicerces foram lançados e a Palavra fará gerar um movimento de glória pelo poder liberado da tua boca. Profetize para construir, reconstruir e faça reviver do que está morto estruturas novas que celebrarão a vida do Espirito!
“Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.”(Lc 1:38)
Quando uma grávida gera um bebê ela sabe que ele não ficará pra sempre em seu ventre. Se ele ficar retido dentro dela será abortado. O que ela gera precisa vir para fora e ser revelado. Da mesma forma, o que você gera no Espírito deve ser manifesto. Quem você toca precisa ver o que irá nascer da tua intimidade com o Espírito. Não é possível esconder a semente que você carrega. O que o céu depositou em mim vai além da minha Jerusalém, além da minha Samaria e precisa se manifestar até os confins da Terra. Assim era o fruto que Maria nutria. Ela estava disposta a sofrer todas as transformações em si mesma por uma semente que iria ofertar. Tudo que o Espírito Santo gera em mim, cada fruto, cada semente é uma oferta que remirá o outro. Nunca será um propósito particular feito só para o meu ego. Se eu esconder o que Deus tem gerado a essência da cruz perderá o sentido. Sempre será a minha morte para que o outro viva. Minha perda para que o outro ganhe. Minhas renúncias gerarão propósitos. Propósitos ativarão promessas, e promessas atrairão o Cristo. Nunca será sobre o que eu acho, mas sobre o que eu deixo. Nunca será sobre o que eu penso, mas sobre o que eu entrego. Não basta gerar; é preciso revelar. Que sobre mim repouse o teu Espirito, e a cada estação, a essência do Filho cresça para o resgate dos povos e a cura das nações. Não se sinta inapropriado para gerar, apenas se oferte e o poder do Altíssimo fará de suas fontes mananciais que saltarão diariamente para a vida eterna.
"Sim, contra mim você se enfurece, o seu atrevimento chegou aos meus ouvidos; por isso, porei o meu anzol em seu nariz e o meu freio em sua boca, e o farei voltar pelo caminho por onde veio." (Is 37:29)
É no colo do pai que o homem interior se renova. Enquanto o exterior luta pelo que vê, o interior é conectado a uma atmosfera de proteção e sua estrutura não se abala pelas ameaças. O rei da Assíria desafiou o rei de Israel dizendo que ele beberia de sua urina e comeria de suas fezes. O que ele não sabia é que Ezequias era filho do Eterno. O rei de Israel sobe ao templo, leva a carta de Senaqueribe, abre e a lê para o seu Pai. Se alguém maior ameaça, é para o colo do Pai que o filho corre. Aquela carta carregava propósitos, intenções, sentenças. Estava escrito o que o inimigo faria do destino de Ezequias, mas ninguém se atreve a definir ou tocar no destino de um filho sem a autorização do Pai. Minha identidade define o cumprimento das promessas, mas processos me farão crescer em maturidade. Processos separam homens de meninos. Processos geram homens fortes e homens fortes estabelecem estações de paz. Senaqueribe era o processo que faria Ezequias crescer em sua autoridade como filho. Quanto maior o inimigo, maior o governo. Quanto maior a ameaça, maior o descanso. Essa era a lição. A paz do teu espírito mediante a guerra não virá de tratamentos, de alianças ou de medicações, mas virá da Presença, virá do colo Dele e essa será a rota do livramento. Não olhe para o grito do teu inimigo, olhe para o rugido do teu Pai. Aquilo que você foca, cresce. Então mantenha seus olhos focados no Espírito, seus ouvidos atentos à voz do Trono e as afrontas do teu adversário serão como sussurros levados pelo vento. Todas às vezes que determinarem teu destino, o céu usará anzóis, freios sobre teus opositores e arvorará sobre eles a bandeira da justiça, pois é pela tua identidade que o céu se move e é pelo teu DNA que o Pai troveja.
" Então disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?" ( Ne 2:3)
Era necessário que apenas um homem se importasse com a cidade que Deus amava. Um homem que sentisse seu coração disparar pelos mesmos propósitos que o Pai. Estar conectado com o coração de Deus é estar conectado à pessoas. A miséria do homem afeta Deus. A questão é que eu sou indiferente a morte do outro. Não me constrange, não atinge meu espírito e nem sequer altera meu humor. A dor de Neemias era tão intensa que mesmo diante do vinho, mesmo diante da festa, seus olhos gritavam de paixão por Jerusalém. Seu coração doía por sua vergonha, por sua destruição. Era a dor do amor, era a dor do Pai. Dor do amor é ser ferido por um propósito. É ser ferido pelo mesmo nível de paixão da cruz É ser afetado por um nível de misericórdia tão intenso, tão abrasador, que todos os meus esforços e todas as minhas intenções se empenharão para que a Jerusalém do outro seja restaurada, restituída e refeita. O Reino de Deus consiste em entrega e sacrifícios. Sacrificar pelo outro é a chave que ativa imediatamente portais de milagres sobre minha vida. Deus mudou a sorte de Jó enquanto orava por seus amigos. Que a dor do Amor te afete e por Jerusalém você seja consumido. Para uma vida de milagres, você será o sacrifício. O que você investir sobre o outro será a medida que o céu te devolverá em respostas e em favor. Doe você e Jerusaléns voltarão a se reerguer do fogo para um tempo de poder e glória.
“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração…” ( Lc 6:45a)
Existem estações de aperfeiçoamento. Estações em que o Pai trabalha de dentro pra fora. Ele nos fere para curar. Uma ostra que não é ferida não produz pérola. Um trigo que não morre, não frutifica. Existem essências sobrenaturais que só nascerão se houver o processo da ferida e da morte. Ninguém deseja viver esses processos, mas os céus reagem de forma contrária as nossas vontades. O Pai sabe fazer nascer das nossas mortes frutos que permanecerão, pérolas que celebrarão a sua glória. O papel do grão de areia em uma ostra é provocar dor, ferir seu corpo indefeso. Quando um grão de areia penetra o interior de uma concha, ela usa suas células para cobrir o grão de areia com camadas e mais camadas até inibir a continuidade da ferida. Ela usa a essência que carrega para proteger sua estrutura. Quando um grão de areia acessar tua fragilidade, use a essência que você carrega. Use a presença do Espírito que reside em você e a partir daí gere tesouros. Trabalhe nos pequenos grãos e grandes tesouros enriquecerão o teu espírito. A continuidade da dor gera o nascimento do fruto, assim como a morte da espiga gera a estabilidade da vida. O que o céu deseja frutificar em mim virá de processos de desconstrução e renúncias, de mortes e cicatrizes. Eu preciso entesourar o meu espírito porque o homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro. Sendo assim, a beleza dos meus tesouros não são gerados dos processos que me confortam, mas dos estágios que me transformam. Não se restringem só ao que eu decido amar, mas se relacionam também ao que eu decido deixar. Cumpra os processos que o Pai estabelecer e os aperfeiçoamentos do teu coração serão vistos pelas muitas pérolas que em você serão construídas.
“Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado (…)perguntou-lhe: Queres ser curado? Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque...” (Jo 5:5-7)
Jesus passeava pelas ruas de Jerusalém e muitos eram curados por Ele. Um paralítico esperava o cumprimento de sua promessa e durante trinta e oito anos ele suspirava por seu milagre à beira de um tanque. As águas se agitavam, mas ninguém imergia aquele homem no movimento das águas. Ele só queria descer, só queria a profundidade, só queria o refrigério, mas sua estrutura estava travada. Sua condição física refletia sua essência espiritual. A questão não era o tanque ou as águas, mas sim a condição de mendigar os meios. Aquele paralítico mendigava a essência do outro para a realização de sua cura e ele não percebia que com Jesus à sua frente, o seu milagre viria só em tocar. Seria apenas crer. Não era preciso terceiros para o cumprimento da promessa em sua vida. O realizador de milagres estava diante dele e isso bastava. Não era preciso mais mendigar a ajuda dos outros para acessar as águas. Você não pode depender do outro para viver sua cura, depender do outro para viver o avivamento, depender do perdão do outro para ser feliz ou viver o novo de Deus. Jesus é o acesso que fará movimentar outra vez o que te paralisou. Jesus não era um meio para que o paralítico andasse ou vivesse uma experiência isolada de cura. Ele era o acesso perfeito para a cura, para a remissão de um novo tempo e a frutificação de uma nova história.
"Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo."( Rom 1:6)
Pertencer é um sentimento que envolve entrega, envolve renúncias. Quando decidimos pertencer a alguém entregamos nossas fragilidades, nossos direitos, nossas vontades. Somos "pertencidos" e a partir daí, o governo do outro sobre nós se torna um estilo de vida. É por isso que pertencer a Jesus é uma decisão que vai custar meus amores, meus projetos, minha história. Mas o que te custa, te domina. Então decidir pertencer a Jesus não vai custar meus desejos, mas vai custar aquilo que me governa. Se o barco está vazio, entregar o controle não é fácil, mas se ele estiver carregado de peixes é mais desafiador ainda. Estações de frutificação e de abundância sempre confrontarão a disposição da minha entrega, e os resultados sempre apontarão para que eu creia no sucesso do meu governo. Você pode decidir sobre teu destino, escolher o caminho do teu barco, mas renunciar seu auto pertencimento é reviver a essência da crucificação. Eu posso celebrar resultados, mas resultados não definem propósitos. Eu posso ter desejos, mas desejos não estabelecem promessas. Seguir Jesus é decidir ser pertencido, assim, o único resultado que me importa celebrar é a minha própria morte para que Cristo em mim seja sempre a esperança da glória
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