De acordo com M.Foucault (1961), o manicômio psiquiátrico surge, antes mesmo da Psiquiatria firmar-se enquanto especialidade médica, ele emerge junto ao fortalecimento do sistema capitalista, onde a doença passa a ser uma forte fonte de lucros e o hábito da medicalização se intensifica. A dinâmica da proibição ocasiona o uso inconsciente, descontrolado e desenfreado de drogas, ao invés de aceitarmos essa tola proibição, que não nos apresenta evidências científicas de sua eficácia (muito pelo contrário), devemos reconhecer que o desejo do uso de drogas recreativas é tão legítimo quanto inextinguível e que é preferível se reduzir os danos e riscos que podem surgir nesse contexto, dando um sentido real as experiências que elas podem oportunizar, do que abrir espaço para as vulnerabilidades que decorrem do controle cerrado (ou proibicionista) desse desejo. O controle parte muito de uma necessidade de se normatizar a vida, excluindo assim todo o potencial e diversidade que ela pode proporcionar. Vale-se ressaltar aqui que o desejo vem como orientador do processo de constituição de subjetividade, favorecendo assim que o indivíduo se perceba como “sujeito de desejo”, permitindo que este consiga se manter conectado em si mesmo e que desenvolva identidade para além das máquinas de controle de nossa sociedade, por fim oportunizando a esse sujeito a viabilização de uma constituição ética e a conquista do exercício da liberdade.
Petrus Martins: Médico generalista do SUS, atuante como plantonista clínico e em medicina de família. Apaixonado pela psiquiatria. Gabriel Chacon: Psicólogo especializado em psicologia transpessoal, com experiência em saúde mental e redução de danos (UFRN). Anna Rodrigues: Diretora Geral Coletivo CelebraTeUtP. Colaboradora do Observatório de saúde mental UFRN. RENFA br/rn. APB-NE. Gestora de políticas públicas UFRN, Graduanda em Psicologia.
O Coletivo Multicultural CelebraTe Uma troca positiva de redução de riscos e danos atua desde 2013 com a missão pela seguridade, liberdade de escolha e dos direitos humanos. Trabalhamos através de estratégias socioeducativas para execução da assistência, direito e do cuidado com abordagem e gerenciamento de situações de crise associadas ao consumo de álcool e outras drogas com forte inserção em festas e festivais de música.
A RENFA é uma organização política feminista, antirracista, não partidária, instituída em 2014 e fundada em 2016 para atuar na luta pelo direitos das mulheres em especial as mulheres usuárias de drogas, mulheres encarceradas, moradoras de rua, profissionais do sexo, se articulando em parcerias com movimentos de mulheres feministas e os movimentos sociais com vistas à consolidação de direitos sociais e alteração de modelos de controle estabelecidos pelos sistemas de opressão racista, patriarcal e capitalista.
O Coletivo Antiproibicionista CannabisAtiva foi criado em maio/2010 com o intuito de ampliar o debate sobre a política de drogas e as consequências do proibicionismo desenfreado, tendo como bandeira principal a demanda pela legalização da maconha, mas que hoje luta e compreender que as problemáticas não estão apenas em foco a esta substância. Desenvolvendo eventos acadêmicos como o ciclo de debates antiproibicionistas da UFRN Leilane Assunção, que é o evento desta área com maior regularidade na América Latina, constituindo-se como evento anual desde 2010.
Essa primeira temporada está sendo realizado com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.