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VIOLÊNCIA SEM ROSTO


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Por Carolina Bataier

A Ku Klux Klan tornou-se símbolo de intolerância

Se hoje vivemos em uma sociedade onde negros e brancos têm os mesmos direitos, pelo menos no papel, a parcela de negros que vivem marginalizados (sem acesso a direitos básicos como saúde e educação) e o racismo ainda presente nos lembram que nunca estivemos legalmente no mesmo patamar.

Liberdade privada

Este triste capítulo da história começou nos tempos da escravidão, quando negros eram retirados à força de sua pátria, transportados por dias dentro de porões de navios e tratados como mercadoria. Apesar de ter seus desdobramentos no final do século 19, com o fim da escravidão e a libertação dos escravos, o reflexo é latente ainda hoje. Para os escravocratas (aqueles que se diziam “donos” dos escravos), o fim da escravidão simbolizava uma ameaça aos seus lucros, já que muito dinheiro vinha da exploração da mão de obra escrava. Afinal, era muito fácil enriquecer sem ter que pagar salários aos homens que trabalhavam na terra e colocavam a mão na massa, simples assim, – ironicamente falando, claro. Mesmo com o fim da escravidão, para grande parte da sociedade o negro se- guia sendo visto como ser inferior, uma vez que foi essa a ideia implantada por quem detinha o poder financeiro e político àquela época. A história, infelizmente, se repete em diversos países. Nos Estados Unidos houve resistência contra a liberdade e os direitos dos negros, quando um episódio fatídico marcaria o início da guerra declarada.

Pólvora acesa

Em 1964, três ativistas que lutavam em favor dos direitos civis foram assassinados no estado norte – americano do Mississipi – dois deles eram brancos e um era negro. Agentes do FBI foram enviados à cidade para investigar a morte e se depararam com uma organização que pregava a segregação racial, e defendia a separação entre negros e brancos a qualquer custo, mesmo que para isso tivesse que utilizar métodos violentos. Essa organização é conhecida como Ku Klux Klan – o nome de difícil pronúncia, mas marcante, tem origem na palavra grega “kuklos”, que significa círculo.

O primeiro capítulo deste violento enredo já foi forte o suficiente para ser retratado no cinema. A história do embate entre FBI e Ku Klux Klan deu origem ao filme Mississipi em Chamas, gravado em 1998 e dirigido por Alan Parker, e também foi retratada no documentário Ataque ao Terror: o FBI versus a Ku Klux Klan. Apesar de não ser tão secreta assim e ser mantida por membros em pleno século 21, a sociedade é a prova de que a subjugação do negro não está tão distante dos dias atuais, e mostra que há não só pessoas, mas organizações por trás destes atos de violência e exclusão.

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Malhete PodcastBy Luiz Sérgio F. Castro