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_ você tem que ir pra Pakokku, lá não tem nada. o bonito é ficar na pousada da Mya Yatanar e dar uma aula de inglês na escola do Mr. Collins.
_ aula? de inglês? faz tempo que não ataco de professora... o que eu tenho que preparar?!
_ não, não, você vai lá só pra bater-papo. é um jeito dos alunos praticarem conversação, ganhar vocabulário e trocar ideia com pessoas de outros países. e pra você é ótimo porque pode perguntar sobre o Mianmar. sobre a língua, comidas, budismo, tatuagem… e até sobre política.
_ ah, entendi. uai, gostei, hein. tá bem, vou. anotando aqui… Mya Yatanar com y nos dois is?
9 de abril
cheguei em Pakokku eram duas da manhã. o motorista disse “sleep here” e então dormi aconchegada sobre os sacos de arroz que cobriam o chão do ônibus. peguei um sono pesado e gostoso até o sol me acordar. meio atordoada, saí andando com minha mochila perguntando “Mya Yatanar?” e as pessoas apontavam a direção. da quarta vez que perguntei, o moço falou “I can take you”, e ainda bem porque eu ainda estava longe. ele tirou a caminhonete da garagem de casa pra me levar e isso diz muito sobre o que eu vivi em Pakokku.
Mya Yatanar tem idade suficiente pra se lembrar da Birmânia, Colônia, e seu inglês fluente, muito melhor do que o de todos que conheci até agora, comprova isso.
pequena, magrinha, cabelos compridos mais pretos que brancos. rosto enrugado de muitos sorrisos. me recebeu vestida com várias camadas de roupas estampadas. fiquei impressionada com o casaco preto, todo bordado de flores multicor e espelhinhos. calor? o casarão é fresco até ao meio dia deste último mês da estação das secas. fica na beira do rio, numa rua arborizada e tranquila. é uma casa de três andares pintada de verde com um terraço no topo, onde são servidas refeições simples, gostosas e fartas. a pousada está aberta desde os anos 80, quando os turistas só tinham direito a 7 dias de visto e viajavam correndo desesperados, parando em Pakokku só pra esticar as pernas na jornada entre Mandalay e Bagan.
todos os quartos estavam disponíveis. peguei um no último andar e, como em todos os hotéis até agora, dormi as horas que me faltavam para descansar.
acordei, almocei e fui atrás do Mister Collins.
na verdade, chegou um novo hóspede na pousada enquanto eu dormia (Archie, inglês, 18 anos) e saímos juntos em busca da escola. a segunda pessoa que encontramos na rua nos entregou um panfleto divulgando a Mr. Collins English School. foi exatamente assim, juro.
o feriado do Festival da Água tinha acabado de começar, então, quando chegamos, encontramos só o Mr. Collins e outro professor, Han Nyent, limpando a escola: um barracão instalado no quintal de uma casa.
assim que nos viu, Han saiu pra buscar mais alunos enquanto ajudávamos o Mr. Collins a arrumar as cadeiras e o quadro branco da sala de aula.
começamos a conversar e logo chegaram 3, 8 pessoas, cheias de perguntas no bolso. eles já sabem muita coisa sobre a Inglaterra, então eu fiz bem mais sucesso.
sou a primeira brasileira que conhecem. a aula durou a tarde toda, eu nem vi as horas passarem.
birmanês é uma língua tonal cheia de nuances, então todo mundo da escola adota um nome ocidental. fiquei mais amiga da Monalisa, adolescente muito gentil e curiosa. nos ensinaram as palavras mágicas: olá, bom dia, boa noite, obrigada, por favor. as que eu já conhecia mingalaba (oi) e chezutinbadê (obrigada) tenho certeza que ainda estou pronunciando errado. as outras, esqueci segundos depois de aprender, tão anotadas em algum lugar.
falamos da Floresta Amazônica, as parecenças entre o Amazonas, que não conheço pessoalmente, e o Irrawaddy, que passa aqui perto. os dois têm botos, mas os daqui são cinza e estão quase desaparecendo.
falamos de tatuagem, mostrei a minha e os homens mostraram as suas (nenhuma das mulheres tem tatuagem). cada desenho tem suas propriedades mágicas: um pássaro mitológico no braço significa “strongness for my heiny” (fertilidade masculina), uma cobra nas costas é um encantamento de proteção “if an enemy strikes, I can strike back stronger”.
Mr. Collins explicou que tradicionalmente os homens tatuavam as coxas como prova de masculinidade, mas hoje muito menos gente se tatua, por causa do risco de contrair HIV.
agulha descartável é artigo raro por aqui.
mais um motivo pra não me acidentar de jeito nenhum.
falamos de política. todos amam, amam mesmo, a Aung San Suu Kyi. ela ganhou o prêmio nobel da paz por ter passado décadas em cárcere privado lutando pelo fim da ditadura no Mianmar (que ainda governa). ela acabou de ser eleita como deputada e o partido dela levou 44 dos 45 assentos nas primeiras eleições democráticas do país em 30 anos.
nem todos acreditam que agora vai ter democracia, mas a esperança é palpável no ar.
depois da aula, fomos jantar numa casa de chá e comemos uma panqueca com temperos que lembram o curry indiano, recheada de vegetais. gostoso toda vida. não nos deixaram pagar, o Mr. Collins pagou a conta quando ninguém estava olhando.
nos convidaram para dar um passeio pela cidade amanhã. eu decidi ficar mais um dia.
como é que dorme depois de uma tarde tão gostosa, regada a chá preto?
Archie e eu esticamos a noite no terraço da Mya Yatanar, com ela contando histórias de outros tempos. depois nos mostrou os livros de mensagens dos hóspedes anteriores e pediu que escrevêssemos a nossa, à luz de velas por causa do racionamento de energia.
Mya disse que o governo quer revogar a licença para hospedar estrangeiros dela, falam que a pousada não está dentro dos “padrões de qualidade”, tipo ter banheiro dentro dos quartos e ar condicionado. isso seria um crime contra a instituição que ela mantém há décadas. no livro de hóspedes de 1985, tem uma foto 3x4 do David Duchovny, o Agente Fox Mulder do Arquivo X, e a mensagem: “probably the best shower in southeast asia and a wonderful meal. so friendly, you’ll want to overstay your visa”.
naquele tempo, turistas só tinham direito a 7 dias no Mianmar. quem ficasse mais tinha que pagar multa.
eu tenho mais sorte, vou ficar 15 dias. tenho mais 10 pela frente.
me sinto tranquila e segura, baixando a guarda pela primeira vez neste país.
10 de abril
o professor Han Nyent passou de moto logo pela manhã. fomos pra escola para mais uma “aula”, com o dobro de alunos na sala.
tem gente de todas as idades, de crianças a velhos. os mais velhos falam inglês com mais fluência, herança dos colonizadores. um dos alunos tem o sonho de estudar ciências políticas em Oxford, espero que consiga.
depois partimos em 4 motos, 8 pessoas passeando pelos pontos turísticos de Pakokku. um templo na beira do rio, uma confecção de chinelos de palha, outra de charutos, outra de tecidos, com vários teares de madeira e mulheres trabalhando animadas. o mais maravilhoso do passeio foi conversar com as pessoas. os alunos da escola atuaram como intérpretes entre moradores que pareciam nunca ter visto um estrangeiro na vida, oportunidade premiada de me aproximar da cultura do Mianmar.
alguns alunos foram para seus afazeres, outros continuaram o passeio. passamos na casa da Monalisa para tomar suco de limão geladinho e pintar o rosto com thanaka, um pó de tronco de árvore que refresca e protege a pele do sol. tem que moer o pó, misturar água e passar a laminha nas bochechas e testa. pedi pra passar no nariz também, porque o meu é grande e muito exposto, elas riram do meu pedido, mas atenderam.
o thanaka deixa a pele fresca mesmo no calor do meio-dia.
depois do almoço, fomos a um mosteiro enorme. esse mosteiro é importante porque foi um dos grande focos da Revolução Açafrão, em 2007, em que os monges se revoltaram contra a ditadura militar. depois de tudo, esse mosteiro foi reduzido e só tem permissão pra abrigar 4 monges e 10 noviços. por causa do Thingyan, está em sua capacidade máxima de novo.
atrás dos pavilhões de moradia há um morro e um templo encarapitado nele, bonito. voltando de lá, puxei o assunto político com o abade enquanto tomávamos chá.
ele participou da revolução e não acredita que há democracia (eu também não), acha que os militares não vão largar o osso assim tão fácil.
mostrei um trecho do documentário sobre a revolução, que carrego no celular. o abade reconheceu algumas pessoas no vídeo e pediu para ter uma cópia.
claro!
fomos de moto até uma loja de assistência técnica de celular que ele confia.
deixei também os arquivos de três livros sobre a história política do Mianmar.
ao nos despedirmos, ele me deu um tecido tradicional, roxo com detalhes coloridos, feito à mão. meu novo bem precioso.
imagino todos aqueles monges vendo o documentário juntos, depois viajando pras suas cidades e espalhando mais a mensagem, se reconhecendo e fortalecendo.
minha pequena contribuição para um país que merece governantes bem melhores.
fim de tarde na beira do rio, o sol refletiu seu espetáculo na abóbada dourada do templo ao lado.
depois, jantar na mesma casa de chá de ontem. de novo não me deixaram pagar, e a dona do restaurante ainda me deu duas barras de thanaka de presente.
hospitalidade tem limite?!
o bairro todo está sem luz, Mya me deu uma vela assim que cheguei. tomei banho na companhia de uma perereca amarela, que ficou quieta no canto dela, ainda bem.
meu ônibus pra Bagan é amanhã, às 11h, fica aqui perto.
feliz que não vou passar mais uma noite espremida num noturno.
By Livia Aguiar_ você tem que ir pra Pakokku, lá não tem nada. o bonito é ficar na pousada da Mya Yatanar e dar uma aula de inglês na escola do Mr. Collins.
_ aula? de inglês? faz tempo que não ataco de professora... o que eu tenho que preparar?!
_ não, não, você vai lá só pra bater-papo. é um jeito dos alunos praticarem conversação, ganhar vocabulário e trocar ideia com pessoas de outros países. e pra você é ótimo porque pode perguntar sobre o Mianmar. sobre a língua, comidas, budismo, tatuagem… e até sobre política.
_ ah, entendi. uai, gostei, hein. tá bem, vou. anotando aqui… Mya Yatanar com y nos dois is?
9 de abril
cheguei em Pakokku eram duas da manhã. o motorista disse “sleep here” e então dormi aconchegada sobre os sacos de arroz que cobriam o chão do ônibus. peguei um sono pesado e gostoso até o sol me acordar. meio atordoada, saí andando com minha mochila perguntando “Mya Yatanar?” e as pessoas apontavam a direção. da quarta vez que perguntei, o moço falou “I can take you”, e ainda bem porque eu ainda estava longe. ele tirou a caminhonete da garagem de casa pra me levar e isso diz muito sobre o que eu vivi em Pakokku.
Mya Yatanar tem idade suficiente pra se lembrar da Birmânia, Colônia, e seu inglês fluente, muito melhor do que o de todos que conheci até agora, comprova isso.
pequena, magrinha, cabelos compridos mais pretos que brancos. rosto enrugado de muitos sorrisos. me recebeu vestida com várias camadas de roupas estampadas. fiquei impressionada com o casaco preto, todo bordado de flores multicor e espelhinhos. calor? o casarão é fresco até ao meio dia deste último mês da estação das secas. fica na beira do rio, numa rua arborizada e tranquila. é uma casa de três andares pintada de verde com um terraço no topo, onde são servidas refeições simples, gostosas e fartas. a pousada está aberta desde os anos 80, quando os turistas só tinham direito a 7 dias de visto e viajavam correndo desesperados, parando em Pakokku só pra esticar as pernas na jornada entre Mandalay e Bagan.
todos os quartos estavam disponíveis. peguei um no último andar e, como em todos os hotéis até agora, dormi as horas que me faltavam para descansar.
acordei, almocei e fui atrás do Mister Collins.
na verdade, chegou um novo hóspede na pousada enquanto eu dormia (Archie, inglês, 18 anos) e saímos juntos em busca da escola. a segunda pessoa que encontramos na rua nos entregou um panfleto divulgando a Mr. Collins English School. foi exatamente assim, juro.
o feriado do Festival da Água tinha acabado de começar, então, quando chegamos, encontramos só o Mr. Collins e outro professor, Han Nyent, limpando a escola: um barracão instalado no quintal de uma casa.
assim que nos viu, Han saiu pra buscar mais alunos enquanto ajudávamos o Mr. Collins a arrumar as cadeiras e o quadro branco da sala de aula.
começamos a conversar e logo chegaram 3, 8 pessoas, cheias de perguntas no bolso. eles já sabem muita coisa sobre a Inglaterra, então eu fiz bem mais sucesso.
sou a primeira brasileira que conhecem. a aula durou a tarde toda, eu nem vi as horas passarem.
birmanês é uma língua tonal cheia de nuances, então todo mundo da escola adota um nome ocidental. fiquei mais amiga da Monalisa, adolescente muito gentil e curiosa. nos ensinaram as palavras mágicas: olá, bom dia, boa noite, obrigada, por favor. as que eu já conhecia mingalaba (oi) e chezutinbadê (obrigada) tenho certeza que ainda estou pronunciando errado. as outras, esqueci segundos depois de aprender, tão anotadas em algum lugar.
falamos da Floresta Amazônica, as parecenças entre o Amazonas, que não conheço pessoalmente, e o Irrawaddy, que passa aqui perto. os dois têm botos, mas os daqui são cinza e estão quase desaparecendo.
falamos de tatuagem, mostrei a minha e os homens mostraram as suas (nenhuma das mulheres tem tatuagem). cada desenho tem suas propriedades mágicas: um pássaro mitológico no braço significa “strongness for my heiny” (fertilidade masculina), uma cobra nas costas é um encantamento de proteção “if an enemy strikes, I can strike back stronger”.
Mr. Collins explicou que tradicionalmente os homens tatuavam as coxas como prova de masculinidade, mas hoje muito menos gente se tatua, por causa do risco de contrair HIV.
agulha descartável é artigo raro por aqui.
mais um motivo pra não me acidentar de jeito nenhum.
falamos de política. todos amam, amam mesmo, a Aung San Suu Kyi. ela ganhou o prêmio nobel da paz por ter passado décadas em cárcere privado lutando pelo fim da ditadura no Mianmar (que ainda governa). ela acabou de ser eleita como deputada e o partido dela levou 44 dos 45 assentos nas primeiras eleições democráticas do país em 30 anos.
nem todos acreditam que agora vai ter democracia, mas a esperança é palpável no ar.
depois da aula, fomos jantar numa casa de chá e comemos uma panqueca com temperos que lembram o curry indiano, recheada de vegetais. gostoso toda vida. não nos deixaram pagar, o Mr. Collins pagou a conta quando ninguém estava olhando.
nos convidaram para dar um passeio pela cidade amanhã. eu decidi ficar mais um dia.
como é que dorme depois de uma tarde tão gostosa, regada a chá preto?
Archie e eu esticamos a noite no terraço da Mya Yatanar, com ela contando histórias de outros tempos. depois nos mostrou os livros de mensagens dos hóspedes anteriores e pediu que escrevêssemos a nossa, à luz de velas por causa do racionamento de energia.
Mya disse que o governo quer revogar a licença para hospedar estrangeiros dela, falam que a pousada não está dentro dos “padrões de qualidade”, tipo ter banheiro dentro dos quartos e ar condicionado. isso seria um crime contra a instituição que ela mantém há décadas. no livro de hóspedes de 1985, tem uma foto 3x4 do David Duchovny, o Agente Fox Mulder do Arquivo X, e a mensagem: “probably the best shower in southeast asia and a wonderful meal. so friendly, you’ll want to overstay your visa”.
naquele tempo, turistas só tinham direito a 7 dias no Mianmar. quem ficasse mais tinha que pagar multa.
eu tenho mais sorte, vou ficar 15 dias. tenho mais 10 pela frente.
me sinto tranquila e segura, baixando a guarda pela primeira vez neste país.
10 de abril
o professor Han Nyent passou de moto logo pela manhã. fomos pra escola para mais uma “aula”, com o dobro de alunos na sala.
tem gente de todas as idades, de crianças a velhos. os mais velhos falam inglês com mais fluência, herança dos colonizadores. um dos alunos tem o sonho de estudar ciências políticas em Oxford, espero que consiga.
depois partimos em 4 motos, 8 pessoas passeando pelos pontos turísticos de Pakokku. um templo na beira do rio, uma confecção de chinelos de palha, outra de charutos, outra de tecidos, com vários teares de madeira e mulheres trabalhando animadas. o mais maravilhoso do passeio foi conversar com as pessoas. os alunos da escola atuaram como intérpretes entre moradores que pareciam nunca ter visto um estrangeiro na vida, oportunidade premiada de me aproximar da cultura do Mianmar.
alguns alunos foram para seus afazeres, outros continuaram o passeio. passamos na casa da Monalisa para tomar suco de limão geladinho e pintar o rosto com thanaka, um pó de tronco de árvore que refresca e protege a pele do sol. tem que moer o pó, misturar água e passar a laminha nas bochechas e testa. pedi pra passar no nariz também, porque o meu é grande e muito exposto, elas riram do meu pedido, mas atenderam.
o thanaka deixa a pele fresca mesmo no calor do meio-dia.
depois do almoço, fomos a um mosteiro enorme. esse mosteiro é importante porque foi um dos grande focos da Revolução Açafrão, em 2007, em que os monges se revoltaram contra a ditadura militar. depois de tudo, esse mosteiro foi reduzido e só tem permissão pra abrigar 4 monges e 10 noviços. por causa do Thingyan, está em sua capacidade máxima de novo.
atrás dos pavilhões de moradia há um morro e um templo encarapitado nele, bonito. voltando de lá, puxei o assunto político com o abade enquanto tomávamos chá.
ele participou da revolução e não acredita que há democracia (eu também não), acha que os militares não vão largar o osso assim tão fácil.
mostrei um trecho do documentário sobre a revolução, que carrego no celular. o abade reconheceu algumas pessoas no vídeo e pediu para ter uma cópia.
claro!
fomos de moto até uma loja de assistência técnica de celular que ele confia.
deixei também os arquivos de três livros sobre a história política do Mianmar.
ao nos despedirmos, ele me deu um tecido tradicional, roxo com detalhes coloridos, feito à mão. meu novo bem precioso.
imagino todos aqueles monges vendo o documentário juntos, depois viajando pras suas cidades e espalhando mais a mensagem, se reconhecendo e fortalecendo.
minha pequena contribuição para um país que merece governantes bem melhores.
fim de tarde na beira do rio, o sol refletiu seu espetáculo na abóbada dourada do templo ao lado.
depois, jantar na mesma casa de chá de ontem. de novo não me deixaram pagar, e a dona do restaurante ainda me deu duas barras de thanaka de presente.
hospitalidade tem limite?!
o bairro todo está sem luz, Mya me deu uma vela assim que cheguei. tomei banho na companhia de uma perereca amarela, que ficou quieta no canto dela, ainda bem.
meu ônibus pra Bagan é amanhã, às 11h, fica aqui perto.
feliz que não vou passar mais uma noite espremida num noturno.