Há 15 anos, o movimento Mães de Maio luta por justiça e o não-esquecimento do crime que chocou o Brasil e segue sem solução ainda hoje. A décima primeira edição do Podcast da Justiça Global traz uma entrevista da fundadora do movimento, Débora Maria da Silva. O programa conta ainda com a participação de Rute Fiuza, do movimento Mães de Maio do Nordeste, que acolhe familiares de vítimas do Estado.
Em Maio de 2006, o Brasil assistia a um massacre de uma ação orquestrada entre grupos de extermínio e o Estado brasileiro, nas periferias de São Paulo e da Baixada Santista. Cerca de 564 pessoas foram mortas covardemente nos chamados Crimes de Maio. Entre as vítimas está Rogério Silva, filho de Débora Maria que, com Ednalva Santos, Vera Freitas, Vera Gonzaga (Verinha, in memorian), entre outras mulheres que também tiveram seus filhos mortos pelo Estado naquele contexto, fundou o movimento Mães de Maio. O movimento travou uma luta que jamais será esquecida e virou semente em diversas regiões do país.
Em 2011, a Justiça Global lançou, em parceria com a Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, o relatório São Paulo Sob Achaque: corrupção, crime organizado e violência institucional em Maio de 2006. O documento traz uma análise criteriosa e aprofundada sobre a ação policial e denuncia problemas estruturais de Segurança Pública de São Paulo.
O relatório, divulgado em inglês e português, apresenta centenas de documentos, muitos deles sigilosos, entrevistas e processos criminais sobre as mortes. Trata-se de um raio-x esmiuçado da ação que fora sido orquestrada por autoridades às vésperas do Dias das Mães, em 2006.